XXXI

Trazei mortos á valla; a hydra está com fomeE deve ser-lhe longa a hora em que não come!Olhae como ella mostra aquelles que a vão ver,Inerte, sem pudor, de fauce escancarada,A amargura cruel da bocca desdentadaQue pede de comer!

Lançae ao monstro informe algum repasto novo!Trazei-lhe carne humana; arremeçae-lhe o povo.Tranzido pelo frio ou morto pelo sol!E visto haver na fera abysmos insondaveisMandae-lhe as legiões dos grandes miseraveisQue morrem sem lençol!

Eu quero vel-a farta, a lugubre panthera,Que, na sombra agachada, olhando em roda, esperaA preza que lhe inveja a gula dos chacaes.Começa a ouvir-se ao longe a marcha vagarosaDa triste procissão cruel e dolorosaQue vem dos hospitaes.

Um velho esquife chega: em duas taboas toscasUm pobre semi-nú coberto já de moscas,N'um riso deixa ver não sei que tons crueis!Emquanto nos sorria a luz das noites bellas,Talvez que elle varresse a lama das viellasE o lixo dos bordeis!…

E poude, em fim, dormir no seio bom da morte!Apoz, como se fôra a livida consorteD'aquelle vil despojo, ás mesmas horas vem,Trazendo por sudario os seus vestidos rotos,Uma triste mulher caída nos esgotosSem bençãos de ninguem!

Devora-os ambos fera! Engole-os juntamente:Reune-os em consorcio e dá-os de presenteÁ larva que partilha as ancias do teu ser!Aguça o teu desejo!—A garra infecta lançaAo corpo tenro e nú d'uma gentil criançaQue a mãe te vem trazer!

Redobra d'appetite! Alonga-se a teu ladoA fila tenebrosa! O espectro do soldadoA par do que vergou cançado de cavar:E o mineiro sem luz, o martyr legendario;E amparando-se a custo ao velho proletarioA flôr do lupanar!

Mastiga a turba vil e alonga essa guela!Bem vês que vem chegando um corpo de donzellaQue pela candidez recorda uma vestal!Voou-lhe, n'um sorriso, o derradeiro arrancoE traz viçoso ainda um grande lyrio brancoNo seio virginal!

Ó monstro sensual na sombra tripudia!Celebra no silencio a tenebrosa orgia,Que as Deusas vem chegando ao lubrico festim!N'um beijo os labios colla á frigida epidermeE o D. Juan da morte, o cavalheiro Verme,Que viva e gose emfim!

Eu quero ver-te farta, em halitos profundos,Dormindo o somno vil dos animaes imundos,De ventre para o ar; serpente infecta e má!E ámanhã, na estação dos candidos amores,Veremos rebentar n'um tapete de flôresO lixo que em ti ha!

E a santa mocidade; as languidas mulheres;Virão depois colher os gratos malmequeres,Pizando-te sem medo e cheias de desdem,Em danças sensuaes; o fato em desalinho;Compondo-te canções; regando-te de vinho;Sem pena de ninguem!

E tu que és monstruosa, infame, vil, medonha;Que não mostras pudor; que não sentes vergonha;Que és a campa-monturo e não pódes ser mais;Cingida em fim, tambem, de rosas orvalhadas,Terás dado um perfume ás almas namoradas,E pasto aos animaes!

Ó vultos ideaes, fantasticos e bellos,Que ás vezes revoaes nas salas deslumbrantes,N'um grande mar de tulle, ethereas, fluctuantes.Aos suspiros fataes dos meigos violoncellos;

Que bom que era sonhar nos pallidos castellos,Á noite, á beira mar, nas solidões distantes,Nos tempos em que a flôr dos timidos amantesÁ lua confiava os intimos anhelos!…

Agora sois gentis, despepticas, vistosas;Pagaes por alto preço as exquisitas rosas;Nos rapidos wagons correis o mundo em roda;

Mas prostradas do baile, amarrotando a luva,Emquanto cae na rua a somnolenta chuva,Scismaes no Deus-Milhão,—no Creador da moda!

Eu vejo em tua bocca as pétalas vermelhasD'uma rosa de fogo aonde vão libar,O mel das illusões, quaes timidas abelhas,Uns velhos ideaes que em vão tento expulsar.

Dizer-me pódes tu de que ovulo espontaneo,Tocado pelo sol, em mim poude nascerEste bando cruel que dentro do meu craneoNão faz ha muito já senão roer, roer?!

Ás vezes vôa ao largo; ás serras, ás campinas;Remonta aos astros bons; torna a descer dos céos;E volta a demolir as trémulas ruinasDo templo onde crepita a luz dos dias meus!

Ó grande flôr suave! e n'isto se resumeA constante batalha, o sempiterno afan!Aspira a minha essencia ao teu grato perfume;Sossobra o dia d'hoje ao dia d'ámanhã!

Oh, volvamos á terra; aos placidos logares,Aonde os hymeneus fecundos e reaes,Produzem, dia a dia, os fetos singularesE as sãs vegetações dos candidos rozaes!

E o que ha d'ethereo em nós, que siga as breves phasesD'um fluido transitorio, erguendo-se nos céos,Nas grandes expansões dos fugitivos gazesOnde em linguas de fogo ás vezes fala Deus.

Forçoso é separar os dois rivaes antigos,Na batalha cruel que em nós se reproduz.Sorria o que é da terra aos vegetaes amigos;Rebrilhe o que é do céo nas refracções da luz!

A fragrancia do trevo o das flôres selvagensDa noite embalsamava as tepidas bafagens:Ao longe os astros bons olhavam-nos dos céos.O mundo era um altar; as serras grandes aras;E os canticos da paz corriam nas searasEm honra do bom Deus.

No solemne silencio immersa ia minha almaEm tranquilla mudez; n'aquella doce calmaQue sente germinar os frescos vegetaes.De subito uma voz deixou-me um pouco extatico:Detive-me um momento; olhei:—era o viatico!De noite a horas taes,

Que andava Deus fazendo, assim, pela campina,Trazido pela mão d'um padre sem batinaRoubado ás sensações d'um longo resonar?Fui seguindo o cortejo até que n'uma choçaO Rei dos reis entrava: o padre, com voz grossa,Movia-se a rezar.

Nos restos d'uma enxerga, ali, no vil cazebre,Um pobre cavador, mordido pela febre,Torcia as grossas mãos nas ancias do estertor;E os filhos semi-nus sentindo a pena ignotaTentavam-se esconder na velha saia rotaDa mãe louca de dôr!

A voz do sacerdote a custo resoava.A palavra d'amor que ali se precisava,Não posso dizer bem se acaso elle a soltou.Falava o Deus severo e forte dos castigos,Ou esse bom Jesus que aos pés d'alguns mendigosUm dia ajoelhou?

Do padre tinham medo os tremulos pequenos.Os magros cães fieis erguendo-se dos fênosLatiam tristemente em volta do cazal:E o levita lançava áquella noite escuraA benção derradeira, erguendo a mão segura,N'um gesto machinal!

Depois transpondo, á pressa, a porta da cabana,Sahia sem deixar da sãa verdade humanaO balsamo suave, o dom consolador!Oh, de certo o Jesus de que nos fallam tantoNão era o que deixava ali, n'aquelle cantoSósinha a mesma dôr!

Sorria Deus, no entanto, em toda a natureza!Nas florestas, no val, nas serras, na deveza,Nas moitas dos rozaes, no movediço mar!O constellado azul dir-se-ía um sanctuario!Havia aquelle albergue apenas solitario,E frio o pobre lar!

E o rude agonisante, o triste moribundoQue em breve ía partir; abandonar o mundo;Os seus deixando sós, na terra, sem ninguem,Talvez ao presentir o fim da insana lidaSoltasse maldicções, ainda, contra a vidaE contra nós tambem!

E eu lembrei-me então d'aquelles bons valentesQue lutam todo o dia e vão morrer contentesÁ noite, ao pé dos seus, depondo os vãos laureis;E d'aquelles, tambem, de frontes requeimadasQue pela causa santa, em pé, nas barricadas,Se batem contra os reis!

Lembraram-me os heroes, serenos, bons, austeros,Que sagram toda a vida aos ideaes severosDa justiça e do bem; caíndo com valor,Sem que a dextra cruel dos despotas os domeNas batalhas da idéa; oppressos pela fome,Varados pela dor!

Ó pobres multidões! as grandes noites friasNão cessam de morder, famintas e sombrias,N'um banquete nefando os vossos corpos nus!E o lyrio da justiça; a grande flôr sagrada,Nem sempre mostra, em vós, aberta e desdobrada,As petalas de luz!

Eu quando porem lanço as vistas ao futuroE vejo dia a dia a despontar mais puroO grande sol da idéa, em rubidos clarões,Recordo-me que sois a productiva leivaAonde já circula uma opulenta seiva,De grandes creações!

D'aquelle de quem falo, as socegadas lousasPodiam-vos contar as violações brutaes!A gula com que morde as mais sagradas cousasD'horror faz recuar os trémulos chacaes.

Não descanta á viola, á noite, os seus enleios:Elle vive na sombra e eu sei também que vós,Gentis bellezas d'hoje, ó astros dos Passeios,Lhe não lançaes, a furto, a escada de retroz.

Mas sede muito embora as virgens sem desejos,As monjas virginaes, uns pudicos dragões;Fechae o niveo collo aos vendavaes dos beijos,E ás noites de luar os vossos corações;

Um dia hade chegar em que elle, informe, tosco,Sem garbo, sem pudor, grotesco, infame, vil;Nas grandes solidões irá dormir comvosco,Mordendo em cada seio o lyrio mais gentil!

E o que elle adora muito ó virgens romanescasNão é o que abrigaes d'ethereo e virginal:Adora os corpos nus; as bellas carnes frescas;Deixando o resto a vós damnados do ideal!

Não vive como nós de candidas mentiras:Não communga do amor esse illuzorio pão:Devora com fervor as pallidas ElvirasE em muitos seios bons dá pasto ao coração!

Tem palacios na sombra e fazem-lhe um thesouroMaior do que o dos reis; adora as solidões:Não uza d'espadim; não traz esporas d'ouro;Mas vive como os reis das grandes corrupções!

Flôres sentimentaes! tremei do paladino,Do velho D. Juan, feroz conquistador,A quem da vossa bocca um halito divino,Em vida, faz fugir talvez cheio d'horror;

Mas que um dia virá, na candida epiderme,Na sagrada nudez dos collos virginaes,Em hymnos de triumpho—o grande Cezar-Verme!—Colher o que ficou de tantos ideaes!

Formosuras do inverno! Ao sol das duas horasA aérea multidão de fadas quebradiças,Gentis apparições dos bailes e das missas,Desliza no fulgor das pompas seductoras.

No arfar da cazimira ha frases tentadorasE maciezas taes nas languidas pelliças,Que as tristes commoções, decrepitas, mortiças,Resurgem do lethargo ó pallidas senhoras!

E muitos hão de ter uns extasis divinosOuvindo soluçar, á noite, aos violinos,A vaga introducção d'uma balada aerea;

Em quanto, do futuro, ao toque da alvorada,Se escuta, a martellar na sua barricada,Sinistra rota e fria, a livida Miseria.

Passae larvas gentis na rua da cidadeAonde se atropella a turba folgazã;A noite é um tanto agreste e cheia d'humidadeMas o tedio mortal precisa a claridadeQue em vosso olhar trazeis, vizões do macadam!

Estatuas sem calor! vós sois das grandes vazasD'um corrompido mar as Deusas menos vis!Se á noite abandonaes, voando, as pobres casas,E vindes pela rua enlamear as azas,Quem sabe a fome occulta, as sedes que sentis!

A pallida Miseria em seu triste cortejoPrecisa as contracções de muitos hombros nús:E vós ides sorrindo ao lubrico desejo,Do carro da desgraça arremessando um beijoQue apenas é de lama em vez de ser de luz!

Embora! caminhae deixando um grande rastoD'estranhas emoções, d'aromas sensuaes:E ao pobre que mendiga a pallidez d'um astro;Ao que sonha vizões e archanjos d'alabastroFazei por despenhar nos longos tremedaes!

Do velho idyllio, a muza, ha muito já que dorme,E o arroio em vão suspira e chora a nossos pés!A grande multidão,—a vaga, a onda enorme,Que oscilla sem cessar, e gira multiformeÁs corridas, ao circo, ao templo e aos cafés,

Talvez ao presentir que tudo, emfim, declina,Adore a immensa luz, em vós, constellações,Que não baixaes do céo; que vindes d'uma esquina,Vagando no rumor da aérea musselina,Em plena bacchanal fingindo de vizões?

Oh, sois do nosso tempo! A languida existenciaDe tedios se consome e sente febres más!Aspira ao que é bizarro: a uma exquisita essenciaQue exhala aquella flôr que vem na decadenciaE quando a toda a luz succede a luz do gaz!

Do seculo a voz rude apenas diz—trabalha!—Ao poste vil amarra o lubrico idealQue expira, emfim, talhando a funebre mortalhaNa vossa trança gasta, ó muzas da canalhaQue apenas revoaes do olimpo ao hospital!

Eu canto-vos, mulher, por que vos tenho vistoNa palpebra vermelha a lagrima d'amôr,Que vem d'Eva a Maria—a doce mãe de Christo—Formando a stalactite immensa d'uma dôr!

Oh, quantas vezes já n'aldeia miseravelNas tristezas do campo, ás portas dos casaes,Vos tenho surprehendido, em extasi adoravel,Em quanto os filhos nús ao peito conchegaes!

A fria noite chega. Os maus, de bocca cheia,Rebolam-se na terra: ainda pedem pão!Com elles repartis a vossa parca ceia;E vendo-os a dormir podeis sorrir então.

D'inverno quasi sempre as noites são mordentes.Uivam lobos na serra: o vento uiva tambem:Mas elles vão dormindo os longos somnos quentes,Em quanto a vil insomnia opprime a pobre mãe!

Tendes sustos crueis. Temendo que lhes caiaA roupa que os abafa, aos pobres acudis;E aninhando-os melhor nas vossas velhas saiasPodeis então dormir um tanto mais feliz.

Mulher quanto é suave e longo esse poemaQuanto é preciso ó mãe, no transito cruel,Que vossa alma estremeça e o vosso peito gemaA fim de que em vós brilhe o mais alto laurel!

Quem é que nunca viu, na rua, a cada passo,A pallida mulher que rompe a multidão,Trazendo agasalhado, um filho no regaço,E aos tombos, muita vez, um outro pela mão?!

Nos frios do lagedo, ás vezes, pede esmolaÁs portas dos cafés: ninguem a quer ouvir:E a ella qualquer codea a farta e a consolaComtanto que sem fome os filhos vão dormir!

E em quanto á luz do gaz a turba prazenteiraNo fumo dos festins revoa em turbilhão,Quantos dramas crueis nas humidas trapeiras;Nos campos quantas mães sem roupas e sem pão?!

E sempre a mesma lenda, a mesma historia antiga:Do palacio á cabana o vosso doce olhar,Nas insomnias crueis, na fome ou na fadiga,D'um raio creador o berço a illuminar!

No entanto á doce mãe, se aquelle amor sem termo,Da moda traja agora os novos ouropeis,E o vosso coração já gasto e um pouco enfermo,Soffrendo se dilue nos ideaes crueis;

Nas vagas pulsações d'umas recentes ancias,Se aquella santa flôr das grandes commoções,Apenas tem logar nas vossas elegancias.Como um enfeite de mimo amado nos salões;

Na corrente fatal que ao longe arrasta os povos,Se o vosso grande affecto intenta erguer-se mais,Sonhando a sagração dos heroismos novos,Resplendente de luz; vistosa de metaes:

Aos reflexos do gaz, ó mãe, abri passagemPor entre a saudação das alas cortezãs,Levando as seducções da vossa doce imagemAos delirios da noite, ás ceias das manhãs!

Surgi do canto obscuro aonde o casto seioPalpita ingenuo e bom na paz da solidão,E o vosso amor levae á opera e ao passeioA fim de que elle arranque um bravo á multidão!

E eu heide rir ao ver que o peito onde um thesouroMaior do que nenhum podemos encontrar,Intenta seduzir pela medalha d'ouroQue aos pequenos heroes os reis costumam dar!

Archanjo vae-te embora: é tarde: em nossas casasTalvez alguem se afflija; é tão deserta a rua!…Tu deves sentir frio! Embuça-te nas asas;Dá saudades á lua.

Um beijo em cada estrella!… Espera que eu sou louco!Sonhei devo pagar: perdão anjo dos céos!Agora tem cuidado; o céo escorrega um pouco:Boas noites adeus!

Na serena missão de paz que tu cumpristeÓ suave Jesus, ó doce galileu,Que santa singeleza e que perfume tristeDo teu casto perfil no mundo rescendeu!

Havia no teu verbo aquella unção divinaQue a velha harpa de Job soltou nas solidões,E o bello, o puro sol da antiga PalestinaSuave contornou, de luz, tuas feições!

Compunham-te o cortejo uns pobres pescadoresAlmas rectas e sãs; marchavas por teu pé,E sorrias falando aos rudes e aos pastores,Sentado nos portaes da pobre Nazareth.

Da tua Galiléa os valles percorriasLevando um bom quinhão d'affecto a cada lar,E o grande olhar suave e terno das judiasTurbaste muita vez, de certo, sem pensar!

E mais simples na morte, apenas a tua almaTranspunha as regiões purissimas do sol,Tu que havias colhido a immorredoura palmaNão tinhas para o corpo as gallas d'um lençol!

Consola-te ó Jesus! Tu deves já ter vistoQue sobre a terra, agora, ao teu nome fieis,Os que se dizem ser apostolos de ChristoNão precisam trajar os infimos bureis.

Não maceram seus pés! não vão pobres e rotosEnvoltos na estamenha, apedrejados, sós,Nos desertos viver de mel e gafanhotos,Convertendo o gentio ao som da sua voz.

Ante elles, ao contrario, alargam-se os batentesDos palacios reaes, nas grandes recepções,E formam-lhes cortejo os coches reluzentesAtraz dos quaes se bate um trote d'esquadrões!

Cobrindo-lhes, depois, d'insignias as roupetas,Afim d'honrar melhor a primitiva fé,Redobram-se ainda mais as velhas etiquetas;Polvilham-se melhor os homens da libré!

E dão-se-lhes festins onde ha grandes baixellas,Fataes scintillações de vinhos e rubins,Gargantas ideaes, grandes espaduas bellas,Lampejos de cristaes, insidias de setins!

Oh! temo bem Jesus que tantas pedrariasFaçam peso de mais na barca do Senhor,Quando é certo que as mãos de Pedro um pouco friasMal podem segurar o leme salvador!

Por isso quando avisto o espaço que negrejaE o mar que se encapella, eu temo que ámanhãDo fendido baixel da tua velha EgrejaApenas reste, á prôa, uma ficção pagã!

O velho Olimpo dorme o bom somno compridoQue prostra o lutador no fim d'uma batalha,E os Deuses d'outro tempo, em livida mortalha,Descançam no torpor d'um mundo corrompido.

No puro céo christão, de estrellas revestido,No entanto ha muito já que chora e que trabalha,Por nós, o Christo bom sem que seu Pae lhe valha,A fim de ver, de todo, o mundo redimido!

Justiça, traça o manto alvissimo e estrelladoE senta-te, mulher, no throno abandonadoPelos vultos gentis de tantos Deuses velhos!

Depois inda maior, mais pura e mais serena,No sangue de Jesus molhando a tua pennaExplica a nova lei no fim dos evangelhos!

Heroes da gargalhada, ó nobres saltimbancos,Eu gosto do vossês,Por que amo as expansões dos grandes rizos francosE os gestos d'entremez,

E prezo, sobretudo, as grandes ironiasDas farças joviaes,Que em visagens crueis, imperturbaveis, frias,Á turba arremeçaes!

Alegres histriões dos circos e das praças,Oh, sim, gosto de os verNas grandes contorsões, a rir, a dizer graçasDo povo enlouquecer,

Ungidos para a luta heroica, descambada,De giz e de carmim,Nas mimicas sem par, heroes da bofetada,Titães do trampolim!

Correi, subi, voae n'um turbilhão fantasticoPor entre as saudaçõesDa turba que festeja o semi-deos elasticoNas grandes ascenções,

E no curso veloz, vertiginoso, aerio,Fazei por dispararNa face trivial do mundo egoista e serioA gargalhada alvar!

Depois mais perto ainda, a voltear no espaço,Pregae-lhe, se podeis,Um pontapé furtivo, ó lividos palhaçosLusentes como reis!

Eu rio sempre ao ver aquella magestade,Os tragicos desdens,Com que nos divertis, cobertos d'alvaiade,A troco d'uns vintens!

Mas rio ainda mais dos histriões burguezesCobertos d'ouropeisQue tomam, n'este mundo, em longos entremezes,A serio os seus papeis.

São elles, almas vãs, consciencias rebocadas,Que, em fim, merecem maisO comentario atroz das rijas gargalhadasQue ás vezes disparaes!

Portanto é rir, é rir, hirsutos, grandes, lestos,Nas comicas funcções,Até fazer morrer, em desmanchados gestos,De riso as multidões!

E eu que amo as expansões dos grandes risos francosE os gestos d'entremez,Deixae-me dizer isto ó nobres saltimbancos,Eu gosto de vossês!

Ha muito que desceu das orientaes montanhasA hydra singular que espalha nas ardenciasD'uma luta febril scintillações estranhas!

Ella galga, rugindo, ás grandes eminencias,E emquanto vae soltando o silvo pelo espaçoEngrossa á luz do sol na seiva das consciencias.

Tem rijezas sem par, como de roscas d'açoE corre descrevendo em giros caprichososNa leiva popular um indefinido traço.

Prefere aos antros vis os focos luminososE em mil voltas crueis aperta dia a dia,N'uma longa espiral, os thronos carunchosos.

Passou pelo paiz da candida Utopia:Nos mythicos rosaes viveu d'um vago aromaAo pallido fulgor da aurora que rompia.

Mas hoje com valor em toda a parte assoma,E sem temer sequer a lugubre vizeiraHa muito que transpoz os porticos de Roma.

E os Papas mais os Reis sentindo-a na carreiraDo seu longo triumpho, um tanto apavorados,Trataram d'acender a livida fogueira.

E ao galope lançando os esquadrões cerradosComeçaram depois, na terra, a perseguil-a,A cumplice fatal dos lividos Pecados!

Mas ella sem temor, nos cerberos tranquilla,Derrama cada vez mais bellos e fecundosOs intensos clarões da lucida pupilla,

E emquanto a imprecação de tantos moribundos,Os despotas crueis, acolhem com desdem,A hydra immensa—a Idéa—a farejar nos mundosAinda a garra adunca afia contra alguem!

Dos antigos Titães, o mar,—fera indomavel,Agora verga o dorso ao peso colossalDos novos leviathãs que em bando formidavel,Nas grandes explosões da colera insondavel,Já levam de vencida o abysmo e o vendaval!

Elles seguem no mar, altivos no seu rumo,Em halitos de fogo, á nossa voz fieis,E como o combatente erguendo a lança a prumo,Era turbilhões rompendo, as flamulas de fumoOstentam sem cessar correndo entre os parceis!

Que sopro creador, que força omnipotenteOs fez surgir do nada, os monstros colossaes?Ó novos leviathãs provindes tão somenteDo fecundo hymeneu, d'este connubio ardenteDo Genio e do Trabalho, amantes immortaes!

Correis de mar em mar, altivos, triumphantes,Levando a toda a parte a vida, a nova luz,E as sereias gentis não fazem como d'antes,Ao som da sua voz, perder os navegantes;O dorso dos delfins, no mar, já não reluz!

Ó alma antiga dorme inerte no regaçoDos velhos Deuses vãos, que o homem creadorAgora ri de ti, prostrada de cansaço,Emquanto vae soprando em mil gigantes d'açoOutra alma inda mais larga,—o novo Deus-Vapor!

Sua alteza real o pequenino infanteMatou, d'um tiro só, dois gamos na carreira:Um hymno mais ao céo, pois era a vez primeiraQue sua alteza vinha á diversão galante!

Ó vergontea gentil! quando um tropel distanteDe subito acordar os echos da clareiraE uma preza cansada, em rolos de poeira,Varada, a vossos pés, caír agonisante,

Acercai-vos então da pobre fera exangueQue estrebuxa de dôr n'um mar de lama e sangueSem que um grito de dó nos corações acorde!

No entanto não fiqueis na doce gloria absorto:O velho javali parece ás vezes mortoMas surge da agonia e os seus algozes morde!

Eu sou, mulher suave, aquelle antigo louco,O triste sonhador que o teu olhar cantou,E que hoje vae sentindo, o sonho, a pouco e pouco,Fugir como o luar d'um astro que expirou!

Que morra, porque, emfim, bem longo elle tem sidoE tempo é já, talvez, da Morte desposarO sonho que em minha alma entrou como um bandidoE só da vida sae depois de me roubar!

Eu devera amarral-o á braga do forçado,Como a Justiça faz aos despreziveis réos,E lançal-o depois á valla do passadoAonde o fulminasse a colera dos céos.

Mas não; quero embalar-lhe os ultimos momentosAo som d'uma canção das quadras juvenis,E amortalhar depois—em doces pensamentos—No manto da saudade, os seus restos gentis.

E quando elle seguir ás regiões saudosas,Aonde todos nós iremos repousar,Ao esquife hei de atirar-lhe as derradeiras rosasQue dentro de minha alma houver por desfolhar!

Ninguem profanará seus restos adorados,Que em paz irão dormir n'um fundo mausoleo;E quando alguma vez já hirtos, regelados,Acordem, por ventura, á luz que vem do céo;

Em vão tu baterás, ó sonho, á fria portaQue em breve has de sentir fechada sobre ti,Porque a tua Memoria, emfim, já estará morta,E não te escutarei… porque também morri!

Ó pobres versos meus, lançae-vos pela estradaAgreste e pedregosa, aonde os companheirosDa luta, encontrareis, meus infimos guerreiros,Formando os batalhões da bellica avançada!

E o trajo em desalinho, a face illuminada,Transponde, sem demora, os fossos derradeirosQue separam de nós os braços justiceirosDa serena Verdade, a Deusa idolatrada.

Vencidos no combate, ou pouco ou nada importa.Ao chão vergae sem pena a faço semi-morta,Mordendo, inda a lutar, o pó da enorme liça:

E tudo, emfim, esquecendo; os odios e os desprezos;Que d'entre vós alguns, ao menos, fiquem prezosComo fios de luz, ao manto da Justiça!

Nas paginas que em seguida se leem acha-se tão bem determinada, com tanta eloquencia e tão profunda observação, a missão da poesia contemporanea, que não podemos resistir ao desejo de as trazer das folhas passageiras do jornal, aonde pela primeira vez viram a luz, para as paginas d'este livro, por ventura um pouco menos ephemeras.

O autor dasRadiações da Noite, intenta sobretudo mostrar que o seu espirito, correspondendo ás indicações da critica, procura inspirar-se, tanto quanto lhe é possivel, no mundo que o cerca, nos factos e nas acções do nosso tempo. DasRadiações da NoiteáAlma Novapoder-se-ha talvez notar um certo caminho andado na direcção em que vae seguindo a arte contemporanea.

Do escripto como primitivamente foi publicado, entendemos, como o leitor tambem de certo comprehenderá, suprimir, hoje, a parte final em que o talentoso critico se referia, d'um modo demasiadamente lisongeiro, á individualidade litteraria do autor dasRadiações.

Guilherme d'Azevedo

a preposito das

do sr.

Guilherme d'Azevedo

O seculo XIX, cujos primeiros annos enflorou uma corôa poetica de esplendor incomparavel, tem mentido cruelmente ás esperanças da sua aurora. Envelhecendo, perdeu o dom do canto, ou, pelo menos, o sentimento que faz os cantores verdadeiros. Os Goethe, os Byron, os Lamartine, os Miczkawicz, os Hugo, os OEhlenschlaeger, não deixaram descendencia digna d'aquella poderosa geração. O romantismo foi um meteoro. O grande canto do seculo esvaeceu-se gradualmente n'um murmurio. A poesia contemporanea não tem unidade, e não tem sobre tudo o largo folego de inspiração, que caracterisa as verdadeiras épocas poeticas. O interesse do tempo dirige-se evidentemente para outro lado. No meio das preoccupações da actualidade, a poesia é como a canção de um conviva distraído que se affasta da sala do festim, e cuja voz se perde pouco a pouco no silencio da distancia e da noute.

Depois do apparecimento do romantismo, a sua queda é o maior facto litterario, do seculo. Porém essa queda, que como facto todos reconhecem, mas cuja phenomenalidade poucos tentam explicar, será uma justa sentença lavrada pela razão publica, ou será uma condemnaçao arbitraria que deshonra o tribunal que a firma? Indicará para o espirito do nosso tempo um progresso ou uma decadencia? uma gloria ou um deslustre aos olhos da historia?

Não hesito em responder. O romantismo foi justamente condemnado. O seculo, com um sentimento lucido da sua verdadeira missão, affastou-se d'aquelles que lhe fallavam uma linguagem, cujo brilho, cuja eloquencia, cuja sinceridade, por maiores que fossem, não podiam encobrir o falso do principio, que a inspirava. Essa missão é essencialmente positiva, social e racional, e o romantismo era essencialmente apaixonado, individual e subjectivo. Por mais que se virasse para o futuro, a sua alma pertencia ao passado; emquanto que o seculo, ainda nos momentos em que parece invocar o passado, é sempre para o futuro que caminha. No fundo, uma sociedade saída da revolução, e uma poesia que se inspirava das tradições da edade-media, contradiziam-se, negavam-se radicalmente. Um equivoco historico pôde por um momento estabelecer aquelle infundado accordo: no dia, porém, em que se conheceram, separaram-se.

Ainda ha muita gente quesente,chora,crê, easpira, á maneira dos grandes, melancolicos e apaixonados de 1820. Mas já nos não commovem como então, já não influem poderosamente no mundo que os rodeia. São vozes sem ecco. É quanto basta para que nada signifiquem, historicamente: tanto mais que aquellas vozes frouxas não teem já o timbre ardente de indomavel paixão, que nas outras nos commovia. A paixão d'estas é mais estudada na escola, do que saída do coração. Não é já como então, um convencimento violento dos direitos da propria loucura, que os inspira: são apenas os livros dos mestres: ora, não é nos bancos apertados da escola, mas no seio da livre natureza, que se criam os verdadeiros poetas.

Os poetas da geração actual vêem-se pois, rasgado aquelle veo phantastico dasentimentalidaded'outr'ora, em face d'uma sociedade, que elles não comprehendem, porque ella mesma a si se não comprehende bem, mas que os não quer escutar senão com a condição de lhe falarem d'aquillo que a interessa e a preoccupa, de se inspirarem da sua vida real e das suas verdadeiras aspirações. É d'esta situação anormal que resulta a incerteza, a anarchia, a fraqueza da poesia contemporanea. A idéa poetica acha-se confusa, embaraçada no meio de factos sociaes, que se não definem claramente: as fontes da inspiração correm escassas ou turvas. A antiga nascente, tão querida e conhecida, está quasi secca: a nova, já por ser nova, e depois por que só deixa rebentar, em cachões, uma agua turbida, cheia de elementos estranhos, assusta os que a ella se chegam pela primeira vez; os mais ousados inclinam-se um momento, tomam a medo um golle da bebida suspeita, e retiram-se furtivamente como se acabassem de fazer uma acção má.

E todavia, é alli que é necessario beber, porque é alli, n'aquellas aguas rumorosas e confusas, que se conteem os elementos da inspiração real, os principios vitaes de que se nutre a sociedade, e de que tem por conseguinte de se alimentar tambem a poesia, sob pena de se tornar uma abstracção, um phantasma, uma puerilidade. O problema da evolução poetica na actualidade encerra-se todo n'isto.

Mas aqui apresenta-se uma questão, que nos detem. Terá a sociedade contemporanea (essa sociedade, ao que dizem, positiva até ao mais desolador utilitarismo) na sua atmosphera suffocadora de industria, de lutas sociaes e de sciencia friamente analytica, condições de vida e desenvolvimento normal para a constituição delicada das castas musas, das musas melindrosas e scismativas? Não será uma sociedade essencialmente anti-poetica, esta nossa, um mundo rebelde a toda a idealidade? Por outras palavras; poderá haver poesia racional, positiva e social? Será um serpoeticoo homem do nosso tempo?

Intendo que póde haver tal poesia; que a alma moderna, na sua titanica aspiração de verdade e justiça, é poetica, poetica essencialmente, d'aquella poesia forte e audaciosa dos mythos de Prometeu e Ajax; que ha uma fonte abundante de inspiração n'esta luta historica de nações, de classes e de idéas, que é a epopea e a tragedia viva do nosso seculo; que, finalmente, á maneira que os factos confusos da nossa epoca se forem desembrulhando, mais lucida e evidente se irá mostrando a idealidade sublime que n'esse chaos apparente se contém.

E a idéa d'essa poesia nova não só existe, mas deve ser superior á idéa poetica das eras anteriores, porque corresponde a um periodo mais adiantado da consciencia humana, penetra com maior intensidade a natureza e o espirito, extrae o bello da propria realidade universal, não das visões de um subjectivismo inexperiente, e dá por base ao sentimento, em vez de sonhos e intuições quasi instinctivas, os factos luminosos da rasão.

Os caracteres essenciaes d'essa poesia já hoje se podem indicar, e todos elles se consubstanciam n'uma palavra, que resume tambem as tendencias da nossa civilisação: o Humanismo. A inspiração social e naturalista vem substituir a sentimentalidade toda subjectiva e pessoal, ou o transcendentalismo contemplativo de outras idades poeticas. A poesia deixa de duvidar e scismar, para affirmar e combater; mostra-nos o interesse profundo e o valor ideal dos factos de cada dia; dá ás acções, que parecem triviaes, da vida ordinaria, um caracter, e significação universaes; e surrindo maternalmente para as creanças, as mulheres, os simples, caminha todavia armada no meio das lutas dos homens.

Uma tal missão ninguem dirá que é mesquinha ou vulgar: ha n'isto com que tentar os mais altos engenhos, captivar os corações mais generosos. E, sobretudo, deve seduzir os espiritos verdadeiramente poeticos acharem-se em communicação directa e constante com o seu tempo, com as aspirações, os interesses, as crenças da sociedade que os rodêa, e de cuja vida vivem, como meio historico a que fatalmente pertencem.

Certamente que essa evolução nova da poesia tem de ser lenta, como lenta é a evolução do edeal social, que a deve inspirar. Ha um certo receio, e uma certa incerteza. O novo assusta: o indistincto faz hesitar, mas insensivelmente, e fatalmente tambem, caminha-se n'aquella direcção. Os symptomas d'este movimento tornam-se cada dia mais accentuados. Em França e Allemanha, sobre tudo, paizes aonde as idéas e tendencias novas se pronunciam n'uma agitação crescente, podem já indicar-se exemplos bem significativos; em Allemanha ainda mais do que em França. Alli a poesia inspira-se resolutamente das lutas sociaes e religiosas do tempo, e abalança-se já, ainda que com incerta fortuna, ás grandes composições epicas, aonde se desenha uma sociedade, consubstanciada nos seus typos e paixões mais caracteristicas. Entre nós, ha apenas indicios tenues e raros, mas que, porisso mesmo, devemos recolher tanto mais cuidadosamente, quanto parecem provar que nem tudo está inteiramente morto no espirito portuguez, e nos animam a esperar com alguma confiança n'um melhor futuro.

Anthero de Quental.

Na revisão d'este livro escapou uma ou outra incorrecção que não mencionamos, e de que o leitor benevolo nos absolverá. A paginas 63, devemos porém notar, em especial, o 3.^o verso, que insidiosamente apparece mascarado em alexandrino puro, feição que de certo lhe não compete. Aos entendidos concedemos plena autorisacão para demolir o verso referido, reconstruindo-o depois como julgarem mais proprio.

I—Eu poucas vezes canto os casos melancolicosII—Eu vi passar além vogando sobre os maresIII—Velha farçaIV—Graça posthumaV—Historia simplesVI—A meza do festim cercada de formosasVII—Os sonhos mortosVIII—Falta a ordemIX—Ó lyrios da cidade, ó corações doentesX—Miseria santaXI—Astro da ruaXII—Quando Martha morrer, depois do extremo arrancoXIII—As victimasXIV—EvocacasXV—Boas noites, coveiro, a tua enxadaXVI—Flor da modaXVII—Ó machinas febris, eu sinto a cada passoXVIII—A ChristoXIX—Eu tive um sonho estranho: ouvi que vou dizel-oXX—O grande temploXXI—A um certo homemXXII—Á hora do silencioXXIII—Eu quizera depois das lutas acabadasXXIV—O velho cãoXXV—As velhitasXXVI—As vizõesXXVII—Melancolias d'outono! eu quando além descubroXXVIII—O velho mundoXXIX—Eis a velha cidade, a cortezã devassaXXX—Á noiteXXXI—A vallaXXXII—Ó vultos ideaes, fantasticos e bellosXXXIII—Eu vejo em tua boca as petalas vermelhasXXXIV—Nos camposXXXV—O ultimo D. JuanXXXVI—Formosuras do inverno! Ao sol das duas horasXXXVII—Antigo themaXXXVIII—A mãeXXXIX—Arcanjo vae-te embora, é tarde em nossas casasXL—Santa simplicidadeXLI—O velho Olimpo dorme o bom somno profundoXLII—Os palhaçosXLIII—A hydraXLIV—Os novos leviathãsXLV—Sua alteza real o pequenino infanteXLVI—Versos a *XLVII—O pobres versos meus, lançae-vos pela estradaAppendice


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