Assim devia ser. Vinha antes da sua hora. E condição do profeta. Tinha de ser apedrejado e consagrado pela aversão e pela ira dos fariseismos absolutistas e demagógicos que disputavam o domínio do seu tempo. Amaldiçoadodos despotismos, por isso que pedia a liberdade, não podia ser amado do demagogismo, por isso que invocava Deus, religião e dever perante aqueles que em sua estreiteza e cegueira sómente viam e queriam o mundo, a materia e os direitos do homem, quanto a sordidez sugere e aponta, e na sordidez e nos seus enganos e dôres tripudia, mente e se desfaz.Quando morreu, a 10 de março de 1872, deixava a terra inteira, e sobretudo a Europa, atónita e prostrada na adoração daquêle materialismo da fôrça e da riqueza que vencera em Sédan e nas escolas e academias, cimentando os alicerces de um grande império e aí se oferecendo à imitação das nações, emquanto se insinuava nos laboratórios e nas bibliotecas e aí endurecia o coração e envenenava o espírito das novas gerações. Nesse momento, Mazzini era um vencido; com o seu débil corpo se sepultavam as suas ilusões. Liberdade, religião e o povo que inconscientemente as guarda e serve, iam de tropel calcados e esmagados no culto de multíplices escravidões, no desprendimento de Deus e da sua lei, na fé vil de que o mundo era um banquete do qual só ao nosso ventre tinhamos a dar contas.Dêsse banquete do materialismo robusto e convicto, reflectido, astuto, sabedor e previdente,tão abundante de servos envaidecidos da própria servidão como pródigo de vitualhas e orgias e orgulhoso dos seus anfitriões desvairados na grandeza do mando e dos bens, Mazzini viu as primeiras horas gloriosas. Então, o apóstolo era apenas uma sombra que se afundava naquêle crepúsculo em que o romantismo sonhador anoitecia, escarnecido satanicamente dos fortes que o apontavam à irrisão e condenação das multidões, por muito ter amado a liberdade e os homens.Quarenta anos vão passados. O banquete degenerou no ajuntamento trágico das fúrias da morte e da ruina. E eis que Mazzini volta, na auréola da sua glória, a repetir-nos que sem Deus e sem dever e sem amor a terra será eternamente o inferno ensanguentado a que descemos.FIM.
Assim devia ser. Vinha antes da sua hora. E condição do profeta. Tinha de ser apedrejado e consagrado pela aversão e pela ira dos fariseismos absolutistas e demagógicos que disputavam o domínio do seu tempo. Amaldiçoadodos despotismos, por isso que pedia a liberdade, não podia ser amado do demagogismo, por isso que invocava Deus, religião e dever perante aqueles que em sua estreiteza e cegueira sómente viam e queriam o mundo, a materia e os direitos do homem, quanto a sordidez sugere e aponta, e na sordidez e nos seus enganos e dôres tripudia, mente e se desfaz.
Quando morreu, a 10 de março de 1872, deixava a terra inteira, e sobretudo a Europa, atónita e prostrada na adoração daquêle materialismo da fôrça e da riqueza que vencera em Sédan e nas escolas e academias, cimentando os alicerces de um grande império e aí se oferecendo à imitação das nações, emquanto se insinuava nos laboratórios e nas bibliotecas e aí endurecia o coração e envenenava o espírito das novas gerações. Nesse momento, Mazzini era um vencido; com o seu débil corpo se sepultavam as suas ilusões. Liberdade, religião e o povo que inconscientemente as guarda e serve, iam de tropel calcados e esmagados no culto de multíplices escravidões, no desprendimento de Deus e da sua lei, na fé vil de que o mundo era um banquete do qual só ao nosso ventre tinhamos a dar contas.
Dêsse banquete do materialismo robusto e convicto, reflectido, astuto, sabedor e previdente,tão abundante de servos envaidecidos da própria servidão como pródigo de vitualhas e orgias e orgulhoso dos seus anfitriões desvairados na grandeza do mando e dos bens, Mazzini viu as primeiras horas gloriosas. Então, o apóstolo era apenas uma sombra que se afundava naquêle crepúsculo em que o romantismo sonhador anoitecia, escarnecido satanicamente dos fortes que o apontavam à irrisão e condenação das multidões, por muito ter amado a liberdade e os homens.
Quarenta anos vão passados. O banquete degenerou no ajuntamento trágico das fúrias da morte e da ruina. E eis que Mazzini volta, na auréola da sua glória, a repetir-nos que sem Deus e sem dever e sem amor a terra será eternamente o inferno ensanguentado a que descemos.
FIM.