SUMMARIO CHRONOLOGICO

Os principiosformaesemateriaesda Reforma,pag. 225.—O sacerdocio de todo os crentes: o grande principio da Reforma,pag. 226.—Explica aDoutrina da Escriptura,pag. 227, e daJustificação pela Fé,pag. 228.—ADoutrina da Escripturada Reforma em contraste com a medieval,pag. 228.—A Doutrina medieval da Escriptura,pag. 229.—O quadruplo sentido da Escriptura,pag. 229.—A definição medieval defé salvadora. Interpretação infallivel,pag. 230.—Os reformadores e a Biblia,pag. 231.—A doutrina dajustificação pela féda Reforma em contraste com a medieval,pag. 232.—A absolvição clerical e justificação pela fé,pag. 233.—Justificação pela fé e justificação pelas obras,pag. 234.—Conclusão,pag. 235.

Os principiosformaesemateriaesda Reforma,pag. 225.—O sacerdocio de todo os crentes: o grande principio da Reforma,pag. 226.—Explica aDoutrina da Escriptura,pag. 227, e daJustificação pela Fé,pag. 228.—ADoutrina da Escripturada Reforma em contraste com a medieval,pag. 228.—A Doutrina medieval da Escriptura,pag. 229.—O quadruplo sentido da Escriptura,pag. 229.—A definição medieval defé salvadora. Interpretação infallivel,pag. 230.—Os reformadores e a Biblia,pag. 231.—A doutrina dajustificação pela féda Reforma em contraste com a medieval,pag. 232.—A absolvição clerical e justificação pela fé,pag. 233.—Justificação pela fé e justificação pelas obras,pag. 234.—Conclusão,pag. 235.

Os principios formaes e materiaes da Reforma.—Os principios theologicos, ou doutrinarios, que deram um caracter distinctivo á revivificação da religião promovida pela Reforma costumam ser divididos em duas cathegorias, sendo uma d’ellas constituida pelosformaese a outra pelosmateriaes.

O dr. Dorner, historiador sagrado, estabelece este modo de encarar o movimento reformista com muita clareza e energia na suaHistoria da Theologia Protestante. Segundo o dr. Dorner, a doutrina da Palavra de Deus é o principioformalda theologia da Reforma, e a doutrina da Justificação pela Fé é o principiomaterialda mesma.

O uso d’estes termos technicos pode, comtudo, obscurecer, tanto na vida religiosa como na theologia, o verdadeiro sentido do movimento que com elle se quer explicar. O principio da Reforma, o impulso predominante no movimento, era simplesmente aquelle que deve inspirar todas as revivificações da religião, isto, é o fervoroso desejo, a ancia, de uma approximação de Deus, o anhelo por estar na presença de Aquelle que Se revelou, para que podessemos ser salvos, na pessoa de Jesus Christo. Aquillo a que se tem chamado os principios,formaesemateriaes, da Reforma está unido a este mais simples, mas mais energico, impulso, e é proveniente d’elle. O direito de chegar á presença de Deus foi, segundo a crença dos reformadores, conferido por Elle a todos os que fazem parte do Seu povo; mas odireito de chegar á presença de Deus é o que se chama o sacerdocio, e o grande principio da Reforma baseia-se nosacerdocio de todos os crentes—o direito que teem todos os homens e mulheres crentes, todos os clerigos e seculares, de se dirigirem a Deus, e de procurarem alcançar d’Elle o perdão mediante a confissão dos seus peccados, a luz que lhes illumine os entendimentos, a communhão que os faça sair do seu solitario isolamento, e o vigor necessario para viverem diariamente em santidade.

O sacerdocio de todos os crentes: grande principio da Reforma.—Quando Luthero e Zwinglio se revoltaram contra os abusos com que o romanismo havia desfigurado a Egreja medieval, os dois grandes abusos eram a venda das indulgencias e a excommunhão. Quanto ao primeiro d’esses abusos, a venda das indulgencias, a Egreja medieval dizia praticamente que não era necessario ir ter com Deus para obter o perdão, pois que a Egreja podia concedel-o em melhores condições. O perdão que Deus dava, mediante a obra de Christo, áquelles que se apresentassem contrictos e arrependidos fornecia-o a Egreja a troco de uns tantos ducados. Punha-se deliberadamente entre os pecadores e Deus, e afastava-os d’Elle, insinuando-lhes, de uma maneira blasphema, que podia vender-lhes o perdão mais barato. O homem não necessitava de ir ter com Deus cheio de tristeza e arrependimento, nem de incutir na alma a confiança nas Suas promessas. A Egreja sahia ao caminho de todo aquelle que possuisse dinheiro. N’outras occasiões a Egreja recusava absolutamente o perdão. Se uma cidade, ou uma diocese, ou um paiz offendia, mediante os seus governantes, o papa ou a sua côrte de Roma, era-lhe imposta a interdicção, e emquanto esta não fosse levantada não havia perdão para peccado algum. A Egreja colocava-se entre a creança recemnascida e o baptismo, entre o christão moribundo e a graça que lhe era concedida á hora da morte, entre o mancebo e a donzella e o laço matrimonial abençoado por Deus, entre o povo e o culto quotidiano. Ninguem se podia approximar do Deus de toda a misericordia pelo motivo dos magistrados, dos bispos ou do rei e seus conselheiros terem offendido o papa. A Egreja tinha a faculdade de impedir o caminho, pois que havia declarado que só por intervenção dos padres é que se poderia ter accesso a Deus; e quando aos padres se prohibia o exercerem as suas funcções eclesiasticas, o ministrarem os sacramentos, ficava cortada toda a comunicação com Deus. O papa podia, com uma pennada, impedir que uma nação inteira se approximasse de Deus, pois que tinha o direito de ordenar aos padres que suspendessem os serviços religiosos; e, segundo a theoria medieval, essas funcções exercidas pelos padres eram o unico meio de ter accesso a Deus.

Os reformadores, por outro lado, diziam: «O homem deve approximar-se de Deus por meio da oração, por meio do perdão, por meio da communhão, por meio do esclarecimento espiritual, sempre que fielmente o procurar fazer; é impossivel que o caminho para Deus se feche de aquella maneira.» Luthero disse que não fazia objecção alguma ás indulgencias se ellas fossem consideradas o unico meio de se declarar que Deus é sempre misericordioso. Recusava, porém, acreditar n’ellas, ou n’outro qualquer rito da Egreja medieval, quando se fazia uso d’ellas para declarar que os homens podiam alcançar o perdão sem se approximarem de Deus com um espirito contricto, ou que podiam ser inteiramente excluidos da presença de Deus por determinação de quaesquer outros homens.

Era esta idéa—que a presença de Deus é livre para quem fielmente a procurar, que Deus não recusa ouvir a oração de qualquer penitente, e que Elle faz com que as Suas promessas fallem directamente aos corações de todos aquelles que compõem o Seu povo—que se enleiava em volta de base da theologia da Reforma, e era a fonte de onde brotavam, em particular, as doutrinas da Escriptura e da justificação pela fé.

O principio do sacerdocio dos crentes explica a doutrina reformada da Escriptura.—Todos os reformadores criam que na Biblia Deus lhes fallava da mesma maneira em que, em tempos remotos, havia fallado á Egreja pelos Seus prophetas e apostolos. Diziam elles que o povo, tendo nas mãos a Biblia traduzida do grego e do hebraico para uma lingua que elle comprehendesse podia ouvir a voz de Deus, podia chegar-se a Elle para receber instrucção, admoestação e lenitivos. Nos tempos do Antigo Testamento Deus fallou ao Seu povo, umas vezes em sonhos e outras por meio de visões, mas principalmente mediante embaixadores instruidos por Elle, a que se chamava prophetas. Nos tempos do Novo Testamento Deus fallou no meio do povo mediante Seu Filho, e o Seu Espirito fallou tambem por intermedio dos apostolos de Christo. Todas estas revelações, inseridas na Escriptura do Velho e Novo Testamento, são apresentadas de tal fórma que Deus falla, na Biblia, ao Seu povo exactamente como lhe fallou pela bocca dos homens santos da antiguidade. Os reformadores proclamavam que na Biblia todos os crentes podem ouvir Deus, que lhes falla directamente, e que a Sua voz pode ser ouvida por todos aquelles em cujas mãos estiver a Biblia. A doutrina reformada da Palavra de Deus exprime simplesmente um dos lados do cumprimento de aquelle anhelo pelo accesso á presença de Deus, que constitue o elemento essencial, não apenas da Reforma, mas de toda a verdadeira revivificação religiosa.

O principio do sacerdocio espiritual de todos os crentes explica a doutrina reformada da justificação pela fé.—A doutrina da justificação pela fé é um outro modo de asseverar que o anhelo pelo accesso a Deus não é um desejo vão, mas uma coisa que pode ter um positivo cumprimento. Segundo a theologia medieval, o peccador não podia implorar directamente a Deus o perdão. Tinha que ir ter com o padre, e esse padre ficava auctorizado a metter-se de permeio entre elle e Deus, e a negar o perdão de Deus, se isso lhe fosse ordenado pelo papa ou por um seu superior hierarquico. Por muito sincero que fosse o seu pezar, por muito forte que fosse a sua confiança, o padre collocava-se entre elle e o seu clemente Deus, e elle não podia confessar a Deus os seus peccados nem ouvir de Deus a sentença do perdão senão pela bocca do padre. A doutrina da justificação pela fé significa, na sua fórma mais simples, que é Deus em pessoa quem profere o perdão, e que perdoa em attenção de tudo quanto Christo fez e pode fazer pelo peccador; e que o homem pode ouvir proferir este perdão se tiver fé na misericordia, na salvação e nas promessas de Deus.

A doutrina reformada da Escriptura, em contraste com a medieval.—A doutrina reformada da Escriptura é muitas vezes apresentada sob uma fórma que não a põe em immediata connexão com o impulso preponderante no movimento da Reforma. Os reformadores deram mais credito á Biblia, o livro infallivel, do que á palavra de uma Egreja fallivel. Na Edade Media os homens appellavam para a Egreja em ultima instancia, e acceitavam as decisões dos papas e dos concilios como constituindo a ultima palavra em todas as controversias sobre a doutrina e a moral; os reformadores substituiram a Egreja, isto é, as decisões dos concilios e dos papas, pela Biblia, e ensinaram que era para ella que se devia appellar em ultima instancia. Este modo de expôr a differença entre os reformadores e os seus antagonistas teve uma expressão mais concisa no dito de Chillingworth, famoso theologo inglez, de que a Biblia, e só a Biblia, é a religião dos protestantes.

Tudo isto é verdade, e, comtudo, não é a inteira verdade, podendo, portanto, dar logar a uma noção erronea. Os catholicos romanos e os protestantes não dão o mesmo sentido á palavra Biblia, e essa differença de sentido traz á luz uma verdade que é algumas vezes esquecida. Quando os catholicos romanos fallam da Biblia querem dizer uma coisa, e quando os protestantes fallam da Biblia querem dizer outra, e n’esta differença no emprego da palavra está uma parte importantissima da doutrina reformada da Escriptura.

A Egreja medieval não se oppunha, em regra, a que o povo lesse a Biblia para sua edificação. Era, pelo contrario, uma maximana theologia da Edade Media que todo o systema doutrinal da Egreja se fundava na Palavra de Deus. Thomaz de Aquino, a maior auctoridade entre os theologos medievaes, diz expressamente, no principio da sua importante obra, Asummula da theologia, que todo o circulo da doutrina christã se apoia na Escriptura, que é a Palavra de Deus. Durante a Edade Media fizeram-se continuamente traducções das Escripturas nas linguas dos povos da Europa; é um perfeito erro suppôr-se que as primeiras traducções da Biblia se fizeram durante o tempo da Reforma; em regra geral, animava-se o povo a ler e estudar as Escripturas. Nos primeiros periodos da controversia reformada, os arguentes catholicos romanos recorriam tanto á Biblia como Luthero e os que estavam do seu lado. Estava guardado para a Egreja Catholica posterior á Reforma o prohibir aos leigos a leitura da Palavra de Deus.

A doutrina medieval da Escriptura.—Os theologos medievaes faziam, comtudo, da Biblia um uso muito differente de aquelle que os protestantes faziam, e na controversia protestante a differença de sentido não tardou em fazer-se notar. Os theologos da Edade Media jámais consideraram a Biblia um meio de graça; tinham-n’a na conta de um livro cheio de informações, divinas informações, ácerca da doutrina e da moral. Era para elles um repositorio de verdades doutrinarias e preceitos moraes, e mais nada.

Os protestantes vêem n’ella um repositorio de verdades infalliveis, mas vêem mais alguma coisa. É um meio de graça. Crêem que os homens alcançam com a simples leitura da Biblia não só instrucção como tambem communhão com Deus, não só o conhecimento de Deus como tambem intimidade com Elle. Não se limita a apresentar verdades novas ácerca das coisas divinas; excita para a vida espiritual. É para o protestante tudo o que era para o theologo da Edade Media, e é mais alguma coisa. É um tão efficaz estimulo de fé e vida santa como os sacramentos, ou a oração ou o culto. Mediante um diligente uso da Biblia, os homens, na opinião dos theologos protestantes, não sómente adquirem o conhecimento de Deus; podem tornar-se participantes de aquella bemdita communhão entre Deus e o Seu povo de que a Biblia faz menção.

O quadruplo sentido da Escriptura.—Esta noção medieval ácerca da Biblia—que ella é um repositorio de informações ácerca das doutrinas e da moral, e nada mais—encontra uma seria difficuldade: é que similhante descripção não parece ser applicavel a uma grande parte de Biblia. As Escripturas conteem longas listas de genealogias, capitulos que tratam quasi exclusivamentedos utensilios do templo, ou são descripções da vida humana, ou da historia nacional. N’essas porções da Biblia, que constituem uma não pequena parte d’ella, não parece haver muita informação doutrinal ou muitas regras para uma vida santa, e, não obstante, são estas coisas que, segundo a definição medieval, compõem a Biblia toda. O theologo medieval tinha, portanto, ou de cortar o que lhe parecesse materia inapplicavel, ou inventar alguma maneira de transformar as taboas genealogicas em doutrinas ou preceitos moraes. Optou pela ultima d’estas coisas, e declarou que em todas as passagens da Biblia havia mais do que um sentido. A Biblia, disse elle, tinha um quadruplo sentido. Havia, em primeiro logar, o sentidohistoricoda passagem lida, que era aquelle que se inferia das regras grammaticaes e de interpretação. Seguiam-se depois os outros tres sentidos: Oallegorico, omorale oanagogico. Estes varios sentidos differiam do historico, e os expositores medievaes extrahiam complicadas doutrinas das genealogias de Abrahão e de David, e regras de conducta da descripção das vestes do summo sacerdote ou da narrativa da viagem que nosso Senhor fez de Capernaum a Naim.

É algumas vezes difficil saber qual é o verdadeiro sentido de certas passagens da Biblia, mesmo quando o leitor se occupa simplesmente da significação historica; e a difficuldade quadruplicará, se é verdade que cada passagem tem quatro sentidos. Qualquer trecho da Biblia pode significar aquillo que o leitor quizer, bastando para isso que o tome n’um sentido mystico, ou allegorico.

Definição medieval da fé salvadora. A interpretação infallivel.—Emquanto os theologos medievaes faziam quasi perder a esperança de vir a saber-se ao certo o que a Biblia dizia segundo a sua doutrina do quadruplo sentido, uma outra theoria d’elles tornava de summa importancia que o crente tivesse precisas informações ácerca do contheudo da Biblia. Diziam que fé não era confiança n’uma pessoa, mas assentimento ás informações correctas; a fé que salva era, sustentavam elles, assentimentos ás proposições acerca de Deus, do universo, e da alma humana, contidas na Biblia. Por um lado, a sua doutrina do quadruplo sentido tornava quasi impossivel a qualquer pessoa o certificar-se do que a Escriptura ensinava; por outro, a sua definição de fé salvadora tornava importantissimo, tanto no que diz respeito a esta vida, como no que diz respeito á futura, que cada um tivesse noções claras e exactas do texto biblico. E assim a Egreja medieval era obrigada a asseverar que havia, não indicada por ella, uma maneira auctorizada de interpretar a Biblia, e isso conduziu-a á sua doutrina da infallibilidade das declarações dos concilios e dos papas no tocante ao ensino da Biblia.

É escusado dizer que, se a Biblia é por si propria de duvidosa interpretação, e se é essencial para a salvação que o crente possua uma verdadeira e correcta interpretação a que possa dar o seu assentimento, o que fornecer uma interpretação infallivel tem mais valor do que aquillo que é interpretado. E foi isso o que effectivamente succedeu. As decisões dos concilios e dos papas, e a tradicional e auctorizada interpretação da Biblia pela Egreja, adquiriram mais valor pratico do que a propria Biblia. Os homens que consultassem simplesmente a Biblia podiam cair no erro, e cair no erro era a morte; aquelles que confiassem na interpretação biblica da Egreja nunca seriam induzidos ao erro.

Tudo isto, porém, tornava impossivel que a Biblia fosse um meio de communhão entre Deus e o homem. Entre a Biblia e o crente collocavam os theologos medievaes as opiniões dos concilios e dos papas, ou, n’uma palavra, a Egreja. A Egreja interceptava o caminho para Deus mediante a Sua Palavra interpondo-se ella propria e a sua auctorizada interpretação entre o crente e a Biblia.

Os reformadores, anhelando pela communhão com Deus, e sabendo por aquillo que o seu espirito havia experimentado que era possivel têl-a mediante a simples leitura da Biblia, compenetraram-se do dever de deitar abaixo essa barreira, e assim o fizeram. Essa barreira, porém, não podia ser derrubada simplesmente com o dizer-se que a Biblia, e não as tradições da Egreja, é que era a guia infallivel. A Biblia como os catholicos romanos a entendiam, essa Biblia que expunha apenas preceitos de doutrina e de moral, e cujas passagens tinham quatro sentidos, era simplesmente um livro embaraçoso. Os reformadores tinham de mostrar a Biblia atravez de outro prisma para que podessem dizer que era infallivel e que era o arbitro supremo em todas as controversias.

Os reformadores e a Biblia.—Deram á Biblia a significação que ella realmente tinha. Deus havia-lhes fallado por meio d’ella. O Deus pessoal, que os creara e que os remira, havia-lhes fallado nas paginas da Biblia, e tornara-os scientes do Seu poder e da Sua vontade de salvar. A linguagem era algumas vezes obscura, mas encontraram outras passagens mais claras, e os pontos faceis explicaram-lhes os difficeis. Podia ser que os homens simples não a comprehendessem toda, não soubessem ligar todas as suas asserções de modo a constituir um encadeado systema de theologia; mas toda a gente, fosse ou não fosse theologa, podia ouvir a voz de seu Pae, inteirar-se do proposito do seu Redemptor e ter fé nas promessas do seu Senhor. Seria uma boa idéa fazer uma selecção de textos e formar o systema de theologia protestante que tornasse as coisas mais comprehensiveis; mas o essencial era ouvir o Deus pessoal e obedecer-Lhe; eraElle fallar-lhes como em todos os seculos fallou ao Seu povo, promettendo-lhes a salvação, ora directamente, ora mediante a narrativa do Seu procedimento com o povo escolhido ou com homens excepcionalmente favorecidos. Detalhe algum de vida, nacional ou individual, era inutil; pois que ajudava a completar o quadro da communhão entre Deus e o Seu povo de outr’ora, esse povo que havia de reviver n’elles e perpetuar assim o grato sentimento de communhão com o Deus da alliança, bastando para isso que tivessem a mesma fé dos santos do Antigo e Novo Testamentos.

Animados, como estavam, d’estas idéas, a Biblia não podia ser para elles o que era para os theologos medievaes. Deixava de existir o quadruplo sentido. A Biblia era Deus fallando com elles, um Pae fallando com Seus filhos, do mesmo modo que um homem falla com os seus similhantes; e ficava subsistindo apenas o sentido manifesto, o sentido historico. Era mais do que um repositorio de doutrinas e de regras de moral; era, acima de tudo, uma memoria e uma descripção da bemdita communhão que os santos haviam tido com o Deus dos pactos desde a primeira revelação da promessa. A fé era mais do que um frio assentimento ás verdades concernentes á doutrina e á moral; era uma confiança pessoal no Salvador pessoal que Se lhes dirigia por meio da Biblia.

Deram-se, por conseguinte, pressa em traduzir a Biblia em todas as linguas, e collocar a Biblia nas mãos de todos, e declararam que um homem que possuisse a Biblia, isto é, que ouvisse a voz de Deus, estava mais ao facto do caminho da salvação do que os concilios e os papas sem ella.

A sua doutrina, que era fructo de tudo aquillo que elles haviam espiritualmente experimentado, inculcava que o anhelo pela communhão com Deus era satisfeito mediante a leitura e prégação da Palavra de Deus. A Biblia porporcionava aos homens o encontrarem-se na presença de Deus e ouvirem as Suas palavras de conforto.

A doutrina reformada da justificação, em contraste com a medieval.—O segundo grande principio da theologia da Reforma é, por consenso universal, a doutrina da justificação pela fé sómente. Pode-se tambem pôl-a em directa connexão com o principio fundamental da Reforma, o sacerdocio de todos os crentes, ou o direito de accesso, promettido na Palavra de Deus, á Sua presença.

Ao contrastar a doutrina reformada com a medieval no tocante á justificação, occorre a mesma difficuldade com que já deparámos no contraste entre as duas doutrinas ácerca da Escriptura. Diz-se vulgarmente que os reformadores apregoaram uma justificação pela fé sómente, ao passo que os seus antagonistas apregoaram uma justificação pelas obras; mas, postoque isto seja perfeitamente verdadeiro, devemos lembrar-nos de que a palavra «justificação» é usada em dois sentidos distinctos pelos dois disputantes.

Para os theologos medievaes,justificarsignifica tornar justo; para os reformadores significa declarar justo. Para aquelles é uma operação que se faz durante um certo tempo; para estes é um acto momentaneo, é um acto da livre graça de Deus, pelo qual Elle perdoa todos os nossos peccados e nos acceita como justos a Seus olhos. Para aquelles é uma obra de purificação do peccado, uma obra de santidade; para estes é a formação de um juizo, ou, como os theologicos dizem, um actoforense. Os reformadores viram que os theologos medievaes empregavam a palavra justificação no sentido mencionado, e trataram de apresentar a sua outra significação. E justificaram esse seu procedimento dizendo que o sentido que deram ao termo é o que o Novo Testamento lhe dá, pois que o emprega na accepção de acto, de sentença, de juizo, e nunca na de obra.

O primeiro contraste não é, portanto, entre a justificação medieval e a doutrina da Reforma, mas entre a doutrina reformada da justificação pela fé e a que lhe corresponde na Egreja medieval. Justificação, na theologia reformada, quer dizer o acto de perdoar e de acceitar como justo; corresponde a essa doutrina, na egreja medieval, a da absolvição dada pelos padres, pois que era o unico modo como poderia ser concedido o perdão dos peccados.

A absolvição clerical e a justificação pela fé.—Segundo a theologia da Edade Media, o perdão divino do peccado tinha sempre de ser proferido por um sacerdote. Quando o penitente se confessasse e se mostrasse arrependido, tanto por palavras como por actos, o padre tinha auctorização para pronunciar a sentença absolutoria, e essa sentença era acceite como sendo proferida pelo proprio Deus, pois que o clero era o orgão mediante o qual, e sómente mediante o qual, Deus perdoava.

Luthero e os outros reformadores viram que o padre que se suppunha occupar o logar de Deus e fallar em nome de Deus commettia acções impias, e a consciencia disse-lhes que, em vista de similhante facto, o perdão do padre não podia ser o perdão de Deus. Luthero viu que um homem, munido de um certificado de indulgencias, ia ter com um padre e recebia perdão sem mostrar arrependimento quer por palavras quer por obras, sem que, apparentemente, sentisse tristeza alguma no seu coração. Viu que os padres pretendiam ser a trombeta de Deus, e que concediam perdão em certos casos em que elle seria negado por um Deus justo e santo.

Luthero e os seus amigos tinham presenciado ou ouvido fallar de casos em que o perdão de Deus havia sido recusadoquando um Deus misericordioso o teria concedido. Uma successão de papas havia castigado a cidade de Strasburgo com uma interdicção pelo facto de ella ter tomado uma attitude na politica allemã que não era do agrado da côrte pontificia, e durante todo esse tempo não podia ser proferida uma palavra de perdão a qualquer peccador contricto e arrependido. Os padres perdoavam quando Deus não perdoava, e recusavam perdoar quando Deus estava prompto a conceder o Seu perdão.

Luthero, vendo isto, e sabendo como havia sido perdoado por confiar simplesmente nas promessas de Deus, declarou que o peccador pode ir ter directamente com Deus, pezaroso por haver peccado e cheio de confiança nas promessas de Deus, e obter d’Este o perdão. Asseverou que a não ser que se alcance primeiramente o perdão de Deus, o do padre não tem valor algum, e que, depois de se alcançar o perdão de Deus, o do padre é inutil. O perdão alcançava-se indo ter com Deus, e não indo ter com o padre e ouvindo d’elle a absolvição. A doutrina protestante da justificação mostra o direito de accesso a Deus para Lhe rogar perdão, e declara que padre algum está auctorizado a interpôr-se entre Deus e o peccador arrependido. Deitou por terra a doutrina medieval de que o perdão divino só pode ser alcançado mediante a absolvição clerical, e de que o peccador arrependido não se deve prostrar aos pés de Deus mas deante do confissionario.

Justificação pela fé e justificação pelas obras.—Segundo a theoria medieval, antes de o perdão ser obtido pela fórma ordinaria, mediante a absolvição sacerdotal, era indispensavel confessar os peccados, mostrar contricção e fazer penitencia. Na confissão o peccador deve mencionar ao padre todos os peccados que commetteu desde a ultima vez que se confessou, e n’este catalogo de peccados não se deve faltar a um só pormenor. Peccado algum pode ser perdoado sem que se tenha feito menção d’elle. A confissão deve ser mecanicamente completa. Em seguida á confissão vem a contricção, ou a dôr por haver offendido a Deus, e esta, segundo a doutrina medieval, deve manifestar-se de certos modos esteriotypados que a Egreja tem sanccionado. Depois, e só depois, é que é possivel a absolvição, quer dizer, o perdão.

A Egreja da Edade Media collocava duas coisas entre o peccador e o perdão divino proferido pelo sacerdote: uma completa confissão, mecanicamente feita, em se que fizesse menção de todos os peccados cujo perdão se desejava, e uma contricção manifestada de certos modos estabelecidos, taes como a recitação de um grande numero de orações, a abstenção da comida, etc., e a absolvição dependia da automatica integridade da confissão e da contricção.

Os reformadores tinham a convicção de que o peccado era uma coisa séria de mais para que o seu perdão dependesse de uma completa confissão, e de uma contricção exteriormente manifestada. Deus perdoava por amor de Christo, não em virtude de uma completa confissão ou de uma perfeita contricção. Declararam, por consequencia, que, posto que o peccador deva confessar os seus peccados, e esforçar-se seriamente por se conservar no caminho da obediencia, o perdão depende da soberana graça de Deus, revelada em Christo.

Tornou-se-lhes evidente a necessidade de derrubar os obstaculos que a Egreja medieval havia erguido entre Deus e o homem, e que eram constituidos pela confissão mecanica, e pela contricção, ou penitencia. O arrependimento sincero, o arrependimento do coração, é que era de grande importancia, porque abrangia confissão, contricção e confiança; e Deus, á vista d’estas coisas, perdoava por amor de Christo.

Justificação pela fé, portanto, significa que o peccador contricto pode dirigir-se immediatamente a Deus, confiando na consummada obra de Christo, e alcançar o perdão sem a intervenção de padres ou de uma serie de rotineiras ceremonias. Deus perdoa em attenção áquillo que Christo fez, não em attenção áquillo que nós possamos fazer; e, desde que o perdão se alcança mediante a obra de Christo, e não pelo nossos esforços, pode ser, e é, dado no principio da carreira christã, não sendo necessario esperar penosamente por elle até ao fim, como uma doutrina de justificação pelas obras implicaria.

A doutrina da justificação pela fé, segunda columna da theologia reformada, provém de aquelle anhelo pela approximação de Deus, ponto de apoio da Reforma. Significa que o peccador que se sente arrependido, e tem confiança nas promessas de Deus, pode ir immediatamente implorar-Lhe o perdão e obtel-o sem interferencias clericaes e sem o cumprimento de praticas mecanicas.

Conclusão.—A Reforma, que foi uma grande revivificação da religião, tendo por base principal o anhelo pela presença de Deus, a Quem só era possivel chegar-se mediante o arrependimento e a confissão, acompanhados de plena confiança nas Suas promessas, aconselhava, pois, os crentes a terem communhão com Elle por intermedio da Biblia, e a rogarem o perdão prostrados junto do escabello de Seus pés, e derrubou as barreiras que foram erguidas pela Egreja politica da Edade Media em frente da livre e soberana graça de Deus. A nova espiritualidade que animava os reformadores e os seus adherentes tinha, alimentada pela Palavra de Deus, e ensinada pelo Seu Espirito, desabrochado por todos os lados, dando logar a uma theologia reformada, onde a doutrina da predestinação substituiu a theoria dacommunhão com Deus por intervenção do papa e dos seus bispos onde a theoria dos sacramentos foi purificada pela doutrina do Espirito Santo, onde as Escripturas arbitravam em todas as controversias, e onde o perdão era proferido por Deus, e não pelo homem; e em todas as suas ramificações se encontra como idéa predominante o sacerdocio espiritual conferido por Deus a todos os crentes.

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1493-1515.—Jan. 12, MaximilianoI. Imperador. Por sua morte ficou como vice-rei Frederico, o Sabio, da Saxonia (1480-1525).

1499-1535.—O eleitor JoaquimI(Nestor) de Brandenburgo.

1500-1539.—O duque Jorge da Saxonia.

1509-1547.—HenriqueVIIIde Inglaterra.

1515-1547.—FranciscoIde França.

1517.—Out. 31.Martinho Luthero(nascido em 10 de Nov. de 1483, em Eisleben; 1497, estudando latim em Magdeburgo; 1499, em Eisenach (Frau Cotta, f. em 1511); 1501, em Erfurt; 1505, mestre de artes; 17 de Julho, entrou para o convento doa agostinhos, em Erfurt; 1508, professor em Wittenberg; 1510, em Roma; 19 de Out. de 1562, doutor em theologia) pregou 95 theses contra o abuso das indulgencias na egreja do castello de Wittenberg. Contra-theses de João Tetzel, compostas por Conrado Wimpina.

Ulrico Zwinglio: nascido em 1 de Jan. de 1484, em Wildhaus, no condado de Toggenburgo; discipulo de Henrique Wolflin (Lupulus) em Berne; de Thomaz Wyttenbach, em Basiléa. 1499, discipulo de Joaquim Vadianus em Vienna; 1506, mestre de artes; 1506-16, pastor em Glarus; 1516-18, prégador em Santa Maria, Einsiedeln.

(Diebold de Geroldseck e o abbade Conrado de Rechenberg).

11 de Março de 1513 a 1 de Dez. de 1521.—LeãoX.

1517.—O Concilio de Latrão concede ao papa os dizimos de todos os bens ecclesiasticos.

Indulgencia (a quinta entre 1500 e 1517) para a construcção de S. Pedro, e para as despezas particulares do papa.

São concedidas á Allemanha tres commissões de indulgencias, uma d’ellas arrendada ao arcebispo de Mayença (canonisado em 1514) sendo seu agente o dominicano João Tetzel (fallecido em 1519).

Thomaz Vio de Gaeta (Cardeal Caetano): «A Egreja Catholica é a escrava do papa»; assevera a infallibilidade papal no mais amplo sentido.

Filippe Melanchthon(nasc. em 16 de Fev. de 1497, em Bretten); 1509-12, em Heidelberg; 1512-14, em Tübingen; 1514, mestre de artes; 1514-18, lecciona em Tübingen; 1518, professor de grego em Wittenberg; 29 de Ago. Conferencia introductora,De corrigendis adolescentiæ studiis; 19 de Set. de 1519. Bacharel em Theologia; fall. em 19 de Abr. de 1560.Loci communes rerum Theologicarum, seu hypotyposes Theologicæ, 1521; tres edições em 1521; a edição de 1525 modifica a predestinação absoluta; a edição de 1535 reconstrue a sua theologia; edição de 1543, Synergismo.

1518-1567.—Filippe, o Magnanimo, de Hesse. (Nasc. em 1504).

1518.—Silvestre Mazzolini de Prierio:Dialogos in proesumptuosas M. L. Conclusiones de potestate Papae; Resp. ad Silv. Prier., de Luthero.

26 Abril, Luthero na Polemica do Heidelberg.

Ago.: Citado para comparecer em Roma.

25 Ago.: Melanchthon em Wittenberg.

13-15 de Out.: Luthero em Augsburgo, perante o cardeal Thomaz Vio de Gaeta: sua appellaçãoa papa male informato ad melius informandum.

Nov.:O sacramento da Penitencia, de Luthero.

1518.—Zwinglio contra a indulgencia prégada por Bernardino Sampson (Guardião do convento franciscano de Milão.)

1519.—Junho,Carlos V, (Rei de Hespanha desde 1516)—27 de Agosto de 1556,Imperador da Allemanha (fall. em 1558).

1519-1566.—O sultão SulimanI.

1519-1521.—Fernando Cortez descobre e conquista o Mexico.

1519.—Jan.: Entrevista de Luthero com Carlos de Miltitz, camarista do papa, em Altenburgo; Treguas.

27 de Jun. a 16 de Jul.: Polemica emLeipsic: (i) entre Eck e Carlstadt, sobre a doutrina do Livre Arbitrio; (ii) entre Eck e Luthero,De primeto Papae.

A controversia já não é sobre pontos de theologia ecclesiastica; abrange toda a roda dos principios ecclesiasticos. Ruptura com a christandade romana.

A doutrina do sacerdocio de todos os crentes.

A liberdade christã e o direito do juizo particular.

Sermões de Luthero sobre os sacramentos do arrependimento e do baptismo, e sobre a excommunhão.

Pedido para que na Ceia do Senhor se fizesse uso dos dois elementos.

1519.—1 de Jan., Zwinglio prega o seu primeiro sermão em Zurich; sermões sobre o Evangelho da S. Matheus, os Actos e as Epistolas de Paulo; sermões reformistas, expondo uma clara distincção entre o christianismo biblico e o romanista; Estudo humanista da Escriptura (Epistolas Paulinas).

1519.—As côrtes de Aragão pedem tres Breves a LeãoX(que nunca lhe foram enviadas) para restringir a Inquisição. Pedidos similhantes, tambem infructiferos, feitos pelos estados de Aragão, Castella e Catalunha, a CarlosVem 1516.

Zwinglio:Commentarius de vera et falsa religione, 1525;Fidei ratio ad Carolun Imperatorem, 3 de Jul. de 1530;Sermonis de providentia Dei Anamnemo; 1530;Christianæ Fidei expositio, 1531.

Os Mysticos

A Nova Prophecia, o Espiritualismo, o Millenearismo, uma Congregação dos perfeitamente santos, opposição ao baptismo de creanças.

Primeiro periodo até 1535.

Os theologos romanistas no primeiro periodo da Reforma.

João Eck, professor de theologia em Ingolstadt desde 1510; nasc. em 1486, na aldeia de Eck; fall. em 1543.

Jeronymo Emser, prégador palaciano do duque Jorge da Saxonia, fall. em 1527.

João Cochlæus (Dobeneck), deão de Francfort sobre o Maine, Canonicus em Mayença e Breslau; fall. em 1552;Commentaria de actis et scriptis M. Lutheri(1517-46), 1549,Historiæ Hussitarum.

João Faber, 1518, Vigario Geral em Constancia (Costnitz); 1529, Preboste de Ofen; 1530, Bispo de Vienna, fall. em 1561; 1523,Malleus hæreticorum.

(a)Theologos Lutheranos

Jorge Spalatim: nasc. em 1484, em Spalt, na diocese de Eichstädt; 1514, capellão de Frederico, o Sabio; 1525, superintendente em Altenburgo; fall. em 1545.

Justo Jonas: nasc. em 1493, em Nordhausen; 1521, Preboste e professor em Wittenberg; 1544-46, em Halle; 1551, superintendente em Eisfeld; fall, em 1555.

Nicolau de Amsdorf: nasc. em 1483; desde 1502, em Wittenberg; 1524, em Magdeburgo; 1528, em Goslar; 1542-46, bispo de Naumburgo; depois de 1550, em Eisenach; fall. em 1565.

João Bugenhagen: nasc. em 1485; desde 1521, em Wittenberg; 1523, pastor, 1536, superintendente geral.

Gaspar Cruciger: 1528-48, fallecendo, em professor, em Wittenberg.

Frederico Myconius, franciscano em Annaberg, e depois pastor em Weimar; 1524, prégador da côrte em Gotha; fall. em 1546.

Paulo Speratus: 1521, em Vienna, depois em Iglau; 1523, em Wittenberg (1524, «Chegou-nos a Salvação»): 1524, em Königsberg; 1529-51, bispo da Pomerania, em Marienwerder.

João Brenz, nasc. em 1499: 1520, prégador romanista em Heidelberg, 1522-46, prégador lutherano em Hall, na Suabia; desde 1553, preboste em Stuttgart; fall. em 11 de Setem. de 1570.

1520.—Magalhães faz uma viagem de circumnavegação.

1520.—Abril: Ulrico v. Hutten (n. em 21 de Abr. de 1488, f. em 29 de Ago. de 1523); Dialogo: Vadiscus, ou a Trindade Romana; 15 de Jun., Bulla de excommunhão contra 41 proposições de Luthero; o prazo de 60 dias para retractação; 23 de Jun., a obra de Luthero, «Aos fidalgos christãos da nação allemã, Sobre a reforma de um Estado christão»; Out.De Captivitate Eccles. Babylonic.;De libertate Christiana(sobre a libertação do christão); 10 de Dez.; A queima da bulla pontificia.

1521.—Os Prophetas (de Zwickau) em Wittenberg: Nicolau Storch, Marcos Thomé, ou Stübner, Martinho Celiarius.

André Bodenstein de Carlstadt: 1504, professor em Wittenberg; 1520, em Copenhague, 1522, tumultos por causa das imagens e dos paramentos; 1523-24, em Orlamünde; excommungado depois no sul da Allemanha, na Frisilandia Oriental, na Suissa; fallecido em 1541, em Basiléa.

1521-26.—Primeira guerra entre CarlosVe FranciscoI.

1525.—Batalha de Pavia.

1526.—Paz de Madrid.

1520.—17 e 18 de Abr.,Luthero na Dieta de Worms; 26 de Abr., retira-se de Worms; Março 3 a Maio 4 de 1522, em Wartburgo (Em Dez. principio a traducção do N. T.)—Tratados:Sobre a Penitencia,Contra as missas particulares,Contra os votos clericaes e monacaes,O commentador allemão.

26 de Maio, Edicto de Worms, falsamente datado do 8 de Maio.

28 do Maio, Decreto Imperial contra Luthero.

Junho: Carlstadt contra o celíbato.

Out.: É abolida a missa em Wittenberg, pelos frades agostinhos (Gabriel Didymus).

Dez. As innovações de Carlstadt.

25 de Dez.: A Ceia do Senhor nas duas especies.

27 de Dez.: Os prophetas em Wittenberg.

Em França, propaganda das doutrinas reformadas por Guilherme Briçonnet, bispo de Meaux desde 1521. Juntamente com Le Fébre e Farel.

1521.—Cornelio Hoën, jurisconsulto allemão, escreveDe Eucharistia(a Ceia do Senhor puramente symbolica); a doutrina é introduzida em Wittenberg e em Zurich por João Rhodius, presidente da Casa dos Irmãos, em Utrecht.

1521.—HenriqueVIIIde Inglaterra:Assertatio VII. Sacramentorum contra Lutherum(Defensor da Fé.)

15 de Abril, Decreto da Sorbonne, condemnando as doutrinas de Luthero.

8 de Maio, Edito de CarlosV. (fundado no edito de Worms) contra a propaganda das doutrinas reformadas nos Paizes Baixos.

(1522, é encerrado, sobre o fundamento de heresia, o convento dos Agostinhos de Antuerpia).

1522.—Fev.: Tumultos em Wittenberg contra as imagens e as pinturas.

7 de Maio: Luthero novamente em Wittenberg.

9-16 de Maio: Sermões contra o fanatismo.

Julho:Contra Henricum regem Angliæ.

Set.: Fica prompta a traducçao do N. T. (a Biblia completa em 1534).

Dez.: Dieta em Nürnberg. Os Cem aggravos dos estadas allemães, em resposta ao Breve de AdrianoVI, de 26 de Nov.

1522.—16 de Abr. Zwinglio:Von Erkiesen und Fryheit der Spysen; Ago.:Apologeticus Archeteles, ao bispo de Constança.

A theologia zwingliana torna-se gradualmente a mais forte nos Paizes Baixos.

1522-23.—A Reforma vence na Pomerania, na Livonia, na Silesia, na Prussia, no Mecklenburgo; na Frisilandia Oriental desde 1519; 1523, em Frankfort sobre o Maine, em Hall, na Suabia; 1524, Ulm, Strasburg, Bremen, Nürnberg.

1523.—Conrado Grebel, Felix Manz, e Stumpf. em Zurich, contra Zwinglio.

1524.—Alterações da ordem em Stockholmo; Melchior Hoffmann.

1522-23.—14 de Set. O papa AdrianoVI(tutor de CarlosV, bispo de Utrecht) instruido na sciencia antiga; aspiração por uma reforma do clero mediante a hierarquia.

Em Hespanha, desde 1520 circulação dos escriptos de Luthero, em traducções hespanholas feitas em Antuerpia.

1523.—João de Avila o «apostolo de Andaluzia», é perseguido por ter adoptado as doutrinas lutheranas.

(b)Os Theologos Zwinglianos

João Œcolampadius, nasc. em 1488; 1515, pastor em Basiléa; 1519, em Augsburgo; 1522 professor e prégador em Basiléa; fall. em 24 de Nov. de 1531.

Leão Judæus: 1523, cura de S. Pedro, em Zurich; nasc. em 1482; fall. em 1542.

Oswaldo Myconius (Geisshüsler) nasc. em 1483, em Lucerna; fall. em 1532; 14 de Out. de 1552, os Antistites em Basiléa.

Conrado Pellican (Kürsner): nasc. em 1478; 1493, franciscano; desde 1502, Lector no convento dos Franciscanos de Basiléa; 1527, em Zurich, como professor de hebreu; fall. em 1556.

1523-33.—FredericoIda Dinamarca.

1523-60.—Gustavo Vasa, da Suecia.

1523.—1 de Jul., Henrique Voes e João Esch (agostinhos) são queimados em Bruxellas; os primeiros martyres.

Gustavo Vasa estabelece a Reforma na Suecia (Olaf e Lourenço Petersen, Lourenço Andersen).

7 de Maio, assassinio de Sickingen; revolta dos nobres, suffocada pelos principes.

Luthero:Da Ordem do Culto Publico: Dec.:Formula Missæ(A Ceia do Senhorsub utraque).

1523.—29 de Jan. Discussão em Zurich, entre Zwinglio e João Faber, vigario geral do bispo; as 67 theses de Zwinglio.

26 de Out., Discussão em Zurich ácerca do culto das imagens e da missa.

17 de Nov., Instrucção do Concilio de Zurich aos pastores e prégadores.

1523-34.—26 de Set. O papa ClementeVII(Julio Medici) filho natural de Julião de Medico.

1524.—O primeiro hymnario allemão.

Maio a Jun. de 1525,A guerra dos Camponezes; os camponezes são massacrados em Frankenhausen. (Os doze Artigos de João Henglin).

1524.—Perfeita reforma esclesiastica em Zurich; os quadros das egrejas são arreados; os conventos dos frades são encerrados.

Victoria da Reforma em Berne (Berchtholdt Haller. Nic. Manuel), Appenzell, Solothurn; a Liga Romanista e os Cantões Florestaes de Lucerna.

1525.—Thomaz Münzer em Mülhausen; executado em Maio de 1525.

Tratado:Wider das geistlose sanftlebende Fleisch ze Wittenberg, 1522.

Janeiro: Levantamento dos anabaptistas; Jürg Blaurock, monge proveniente de Chur.

Severa perseguição dos anabaptistas (Hanz morre afogado em Zurich, em 1527; Balth. Hubmater é queimado em Vienna, em 1528; Hetzer é decapitado em Constancia em 1529).

1524.—O cardeal Campeggio, legado do papa na Dieta de Nürnberg.

Liga, em Regensburgo, dos Estados Catholicos Romanos do Sul da Allemanha (Fernando de Austria, os duques da Baviera e os bispos do sul da Allemanha) Condições: Uma reforma ecclesiastica dentro de certo limites, e uma alliança com o poder civil; não se permitindo, porém, que continuem a ser prégadas as novas doutrinas.

(c)Theologos intermediarios

Urbano Rhegius: nasc. em 1496, em Argau sobre o Bodensee; 1512, professor em Ingolstadt; 1519, padre em Constança; 1520-22, prégador em Augsburgo; desde 1530, reformador em Brunswick, ao serviço do duque Ernesto; fall. em Celle, em 23 de Maio de 1541.

Ambrosio Blaurer: nasc. em 1492, em Constança; 1534-38, reformador em Würtemberg; até 1548, em Constança; em 1564, fall. em Winterthum (1534,Concordata de Stuttgart.)

Martinho Bucer: nasc. em Sehlettstadt, em 1491; 1505, dominicano; desde 1524, pastor em Strasburgo; 1549, sob EduardoVI, em Inglaterra e professor em Cambridge; fall. em 28 de Fev. de 1551.

Wolfango Fabricio Capito: nasc. em 1478; 1515, em Basiléa; 1520, em Mayença; 1523-1541, preboste de S. Thomaz, Strasburgo, fall. em 1541.

1525.—Alberto de Brandenburgo (fall. em 1568); chefe dos cavalleiros allemães; duque da Prussia, sob o dominio polaco.

1525.—Jan.: Luthero,Contra os prophetas celestiaes.

Maio: Exhorta os principes e os camponezes a conservarem a paz, com commentarios sobre os Doze Artigos. Depois:Contra os camponezes que roubam e assassinam.

13 de Junho, Desposa Catharina von Bora.

Tendencia conservadora da Reforma Lutherana; separação de elementos reformatorios.

1525.—A missa é abolida em Zurich; o culto publico muito simples e na lingua allemã; a Ceia do Senhorsub utraque.

O commentario de Zwinglio, e a primeira parte da traducção da Biblia de Zurich (primeira edição completa em 1531).

1525-32.—O Eleitor João, o Constante, da Saxonia (irmão de Frederico, o sabio).

1526.—Ago. 29: Luiz, rei da Hungria e da Bohemia, morre em Mohacz, em combate com os turcos.

O seu successor, Fernando de Austria (Em Out., rei eleito da Bohemia), tem de defender os seus direitos á Hungria, em detrimento dos turcos.

1525.—Dez.: Luthero,De Servo Arbitrio(a mais estricta predestinação supralapsariana) contra Erasmo, Διατριβὴde libero arbitrio, Set. 1524.

1526.—Maio 4: Liga, em Torgau, entre Filippe de Hesse e João, o Constante, a que adheriram em Junho, em Magdeburgo, outros principaes evangelicos.

Junho 26, Liga, em Dessau, de principes catholicos romanos do sul da Allemanha.

Junho e Julho, Dieta em Spira «Em materias de religião cada Estado deve conduzir-se de uma maneira digna para com Deus e para com Sua Magestade Imperial.»

Out. 20, Synodo em Homberg; Ordem ecclesiastica de Besse, instituida por Francisco Lambert (nasc. em 1487, em Avignon; Franciscano; em 1525 fugiu para a Allemanha; 1527, professor em Marburgo; fallec. em 1539); incondicional independencia da communidade christã, e estricta disciplina ecclesiastica.

Luthero.—Missa allemã; ordem do culto publico.

Zwinglio expôe detalhadamente o que pensa ácerca da Ceia do Senhor.

(Carlstadt torna publica, no sul da Allemanha, a sua theoria da Ceia de Senhor, δεικτικῶς: Este meu Corpo, é o Corpo, etc.)

Zwinglio a Matheus Alber em Reutlingen, 16 de Nov. de 1524,Menducatio spiritualis; depois no seu commentario.

ContraZwinglio: Bugenhagen.

A favorde Zwinglio: Œcolampadius.

O Syngramma Suevicum, 1525, (em Hall), por Brenz, Schrepf, Griebler, etc., e mais tarde Calvino.

Luthero contra Calvino—(1) no seu prefacio á traducção de Agricola do Syngramma Suevicum; (2) em 1527 «Que a Palavra» etc.

Principios ecclesiasticos e politicos de Zwinglio; a sua reforma politica na Suissa; liga politica dos cantões florestaes catholicos romanos para conservarem a sua supremacia.

Melchior Hoffmann: nasc. em Hall, na Suabia; 1523, em Livonia; 1527, em Holstein; 1529, em Strasburgo; de ahi foi para a Frisilandia, onde se aggregou aos baptistas; depois nos Paizes Baixos; 1533, em Strasburgo; fall. em 1540. (Ordinanz Gottes): um estricto millenario do genero mais espiritual; propaga entre os baptistas as idéas millenarias.

1524.—Pedro Caraffa, bispo de Theate (Papa PauloIV) institue a Ordem dos Theatini para impedir o avanço da Reforma.

1526.—Maio 29: Liga em Cognac contra CarlosV(o papa, FranciscoI, Veneza e Milão).

(d)Confissões Zwinglianas

1523.—Jan. 29, os 67 Artigos de Zwinglio.

Nov. 17, Instrucções ao Concilio de Zurich.

1530.—Julho 9,Fidei Ratio ad Carolum V. (de Zwinglio com o assentimento de Œcolampadius e outros reformadores suissos).

1530.—Confessio Tetrapolitana(Strasburgo, Constança, Lindau, Memmingem): Bucer, Capito, Hedio; durante as sessões da Dieta de Augsburgo.

1534.—Confessio Basiliensio(Myconius) acceite por Mühlhausen em 1537, e chamada Conf. Mühlhusiana.

1536.—Confessio Helvetica Prior(BasilII) redigida em Basiléa por delegados dos cantões evangelicos, (Jan. a Março) e pelos seus theologos Bullinger, Myconius, Grynæus, Leão Judæus, etc.

1530.—Confessio Augustana, ou Confissão de Augsburgo. Constituida por—(1) os 15 Artigos de Marburgo; (2) os 17 Artigos de Schwabach, redigidos por Luthero; (3) os Artigos de Torgau, compilados por Luthero, Melanchthon, Justo Jonas, Bugenhagen, e apresentada ao Eleitor, em Torgem, em março de 1530. Obra de Melanchthon com a assistencia doe theologos evangelicos reunidos em Augsburgo, e revista por Luthero.

Exposição da Doutrina Evangelica, «In que cerni potest, nihil inesse, quod discrepet a Scripturis vel ab ecclesia catholica vel ab ecclesia Romana, quatenus ex scriptoribus nota est.... Sed dissenus est de quibusdam abusibus, qui sine certa auotoritate in ecclesiam irrepserunt.» Philippe de Hesse aasignou-a, protestando, porém, contra o Artigo X, que trata da Ceia do Senhor.

É impossivel averiguar com exactidão o texto, quer das edições allemãs quer das latinas; a primeira edição impressa de Melanchthon; Wittenberg, 1530, em 4.º

A Variata(variantes, especialmente no Artigo X) desde 1540.

Apologia em favor da Confissão de Augsburgo.—A prima delineatio apologiæpor Melanchthon, em Set. de 1630, em Augsburgo; prompta a imprimir em abril de 1531; a primeira edição em Abril de 1531; a edição allemã de Justo Jonas, em Out. de 1531.

Os artigos de Schmalkald, por Luthero, para a Convenção Protestante de Schmalkald, 1557, e com referencia ao proposto Concilio Geral em Mantua (Estrictamente lutherano).

1527.—Saque de Roma.

FredericoIda Dinamarca adhere á doutrina lutherana. (João Tausen, em Jütlandia desde 1524).

1526.—Os cantões catholicos romanos atacam os evangelicos.

Maio: Polemica em Baden (Eck e Œcolampadius).

Gaspar Schwenkfeld: nasc. em 1490, em Ossing, perto de Liegnitz; ao serviço do duque de Liegnitz; 1525, julgou ter descoberto uma interpretação das palavras da instituição da Ceia «Quod ipse panis fractus est corpori esurienti, nempe cibus, hoc est corpus menm, cibus videlicet esurientium animarum;» de onde proveiu a sua doutrina ácerca de Christo, A Palavra Escondida (De cursu Verbi Dei, origine fidei et ratione justificationis, 1527); da Pessoa de Christo (não feito homem, mas gerado pela natureza divina: da sua carne divina); 1528, expulso da Silesia; em Strasburgo, Spira, Ulm, Perseguido desde 1539 pelos theologos lutheranos; em muitas controversias; fall. em 1561, em Ulm; discipulos seus na Silesia; na Pennsylvania desde 1730.

1527-29.—A segunda guerra entre CarlosVe FranciscoI; Paz de Cambrai, em Agosto de 1529.

1527.—HenriqueVIIIde Inglaterra procura divorciar-se de Catharina do Aragão (tia de CarlosV); 1529, Wolsey cae no desagrado; o chanceller Thomaz More.

1527.—Livro de Inspecção, de Melanchthon; Gustavo Vasa propõe a Reforma á Dieta em Westeräs.

FredericoIda Dinamarca, na Dieta de Odensee, dá á religião reformada privilegios eguaes aos que a catholica romana tem.

1527.—Processo da Sorbonne contra Jacques le Fêvre (fall. em 1537, durante uma viagem para Strasburgo), sob a protecção de Margarida de Navarra.

1527.—Maio 6, Carlos de Bourbon ataca Roma; o papa encerrado em St. Angelo até 6 de Junho. CarlosV, senhor de quasi todos os Estados da Egreja, propõe o limitar-se o poder temporal do papa. O papa appella para Inglaterra e para França; um exercito francez equipado á custa da Inglaterra, marcha em seu auxilio.

1528.—Jun. 29: Paz entre o Imperador e o papa em Barcelona; o papa recupera os Estados da Egreja e Florença; exterminio da heresia.

1528.—OttoV. Informações dadas por Pack ácerca de uma Liga Catholica romana formada em Breslau, em 1527; a Reforma propaga-se na Noruega.

1528.—Victoria da Reforma em St. Gall (Joaquim Vadianus, João Kessler).

1529.—Set. a 14 de Out.; Suliman põe cerco a Vienna.

1529.—26 de Fev.,Dieta de Spira; 12 de Abr., a decisão da maioria catholica romana dos Eleitos e Principes «Quem quer que tem imposto o Edicto de Worms deve continuar a fazel-o; os demais não devem permittir mais innovações; a ninguem se deve impedir celebrar missa.» 19 de Abr., concordam com ella as cidades.

Protesto: 25 de Abr. Appello dirigido ao imperador e ao Concilio pela Saxonia, Hesse, Brandenburgo, Anhalt, Lüneburgo, e quatorze cidades.

1529.—A Reforma vence em Basiléa (Œcolampadius, Capito, Hedio).

Liga de cinco cantões florestaes com a Casa de Hapsburgo.

24 de Jun., Paz de Cappel; os cantões florestaes abandonam a Liga de Hapsburgo e reconhecem a libertade de consciencia.

Separação entre os protestantes lutheranos e os do sul da Allemanha; Luthero oppõe-se a uma resistencia armada; Zwinglio planeia a abolição do papado e do imperio medieval; Philippe de Hesse diligenceia promover a união.

1-4 de Out.—Conferencia religiosa em Marburgo (Luthero, Melanchthon, Zwinglio, Œcolampadius, Justo Jonas, Osiander, Brenz, etc.); 4 de Out., união em quatorze artigos, divisão no quinquagesimo—O Sacramento da Ceia.Zwinglio: «Não ha na terra homens com quem eu mais gostosamente me identificaria do que os de Wittenberg.»Luthero: «Vós tendes um Espirito differente do nosso.»

16 de Out., Luthero no convento de Schwabach; 30 de Nov. em Schmalkald; a Saxonia separa-se dos outros estados do sul da Allemanha.

1530.—Congregações reformadas emHespanha. Em Sevilha: Rodrigo de Valero, Joh. Egidio, Ponce de la Fuente. Em Valladolid, 1555, Agostinho Cazalla.

Francisco Enzinas traduz o Novo Testamento; em 1556, nova traducção por João Perez.

FilippeIIe a Inquisição condemnam essas obras.

1530.—Dieta de Augsburgo; 15 de Jan. entrada do imperador; infructiferas negociações com os principes evangelicos para os induzir a incorporar-se na procissão de Corpus-Christi; 20 de Jun., abertura da Dieta; 25 de Jun. é lida a Confissão de Augsburgo (3 de Ago., é lida a Refutação); 11 de Jul., é lida a Confissão Tetrapolitana (em 17 de Out. a Refutação) e aFidei Ratio, Zwinglio; 16 a 29 de Ago. Negociações com Melanchthon, em que elle mostra muito pouca firmeza.

19 de Nov. Decreto da Dieta. Depois d’Abril de 1531, suppressão violenta do protestantismo.

Os cantões catholicos romanos não observam as clausulas da paz.

1533.—O Reino de Christoem Münster.

Bernardo Rothmann, superintendente evangelico em Münster, ajunta-se aos anabaptistas; Henrique Roll e os prégadores de Wassenberg, provenientes de Jülich.

No verão; Melchioritas in Münster.

Nov.: Jan. Matthiesen.

1534.—Quaresma: Tumulto, destruição das imagens e dos conventos.

Vespera da Pascoa: Queda de Matthiesen; João de Leyden colloca-se á frente dos anabaptistas (Theocracia com communidade de bens e de esposas).

1535.—Vespera de S. João: tomada de Münster.

Italia.—A Reforma allemã desperta a vida religiosa e a theologia agostinha; Contarini, Reginaldo Pole, Joh. de Merone, (arcebispo de Modena).Pedro Paulo Vergerius(abraçou a Reforma em 1548; fall. em 1565).

Reforma em Ferrara (Renée casa em 1527, com HerculesII); em Veneza; em Napoles (João Valdez, fall. em 1540; e Bernardo Ochino); em Lucca (Pedro Martyr).

1534-49.—O papa PauloIII(Farnese); Vergerius, seu legado na Allemanha.

Controversias na Egreja Lutherana

1548-55.—Adiaphoristicos: Flacius, Wigand, Amsdorf, contra o Interim de Leipsic.

1549-66.—Osiander: André Osiander (em Nürnberg, 1522-48; em Königsberg, 1549, fall. em 1552); 1550,De Justificatione; 1551,De Unico Mediatore Jesu Christi. Justificação é uma participação da justiça de Christo:cujus natura divina homini quasi infunditur.

Em opposição; Francisco Stancarus de Mantua (1551-52 em Königsberg, depois em Siebenbürgen, e na Polonia; fall. em 1574); 1562,De Trinitate et Mediatore, «Christo nossa justiça sómente pelo que respeita á Sua natureza humana.»

1551-62.—Majorista: Jorge Major (fall. em 1574, quando professor em Wittenberg);bona opera necessaria esse ad salutem. Refutado por Amsdorf;bona opera perniciosa esse ad salutem.

1556-60.—Synergista: Pfeffinger, em 1555,Propos. de libero arbitrio(conforme o synergismo de Melanchthon): contra elle, Amsdorf (1558)Confutalio; e Flacio.

1560.—Discussão em Weimar, entre Flacio e Strigel. Flacio: o peccado original não podia deixar de ser commettido pelo homem. A doutrina lutherana é que prevalece. Heshusius: deservo arbitrio.

1527-40.—Antinomiano: João Agricola, nasc. em 1492, em Eisleben; fall. em 1562, sendo prégador na casa imperial, em Berlim; 1527, contra Melanchthon; e 1537, contra Luthero. A contriccão não vem declarada na lei, mas no Evangelho. Retracta-se em 1540. Desde 1556, controversia sobreTertius usus legis.

1567.—Crypto-Calvinista: Melanchthon admitte as doutrinas calvinistas da Ceia do Senhor. Christologia e Predestinação.

D’estas controversias conclue-se a necessidade de haver perfeita harmonia na Egreja Lutherana; e proveem de ahi varias fórmas do concordia com as quaes se constituiu aFormula Concordia.

(1) A concordia Swabia de Jac. Andræ (desde 1562 professor em Tübingen, fall. em 1590) em 1574; 1575, a concordata de Martinho Chemnitz. 1576, Formula de Lucas Osiander.

(2) Convenção de Torgau; oLivro de Torgau.

1531.—Fernando de Austria, rei dos romanos; opposição da Baviera e Saxonia.

1531.—Liga protestante de Schmalkald: á frente d’ella, Hesse e Saxonia.

1531.—15 de Maio, em Aarau nega-se provisões aos cantões florestaes com a reprovação de Zwinglio.

1532.—Ago. de 1547, João Frederico o Magnanimo, Eleitor da Saxonia, fall. em 1554.

HenriqueVIIIdivorciado, pelo parlamento, de Catharina de Aragão; Nov. desposa Anna Boleyn.

1532.—Dieta de Nürnberg: tolerancia até haver um Concilio Geral.

Dessan adopta a Reforma.

11 de Out., Batalha de Cappel;Zwinglio é assassinado; Segunda Paz de Cappel.

Henrique Bullinger, successor de Zwinglio.

1536.—22 de Jan. João de Leyden, Knipperdolling e Krechting são executados.

1534.—O duque Ulrico de Würtemberg é rehabilitado por Filippe de Hesse.

1535.—JoaquimII, Eleitor de Brandenburgo.

1536-38.—Terceira guerra entre CarlosVe FranciscoI.

1534.—O Würtenburgo abraça a Reforma Lutherana.

1536.—A concordata de Wittenberg; Melanchthon Bucer; aCeia do Senhorconforme o lutheranismo; evita-se que tomem parte n’ella os indignos e os incredulos;Baptismo;Absolvição; escondem-se os pontos em voz de se explicarem.

Victoria da Reforma na Dinamarca.

1537.—Convenção de Schmalkald; os Artigos de Schmalkald.

Reforma promovida por Calvino na Suissa franceza.

Guilherme Farel(nasc. em 1489, no Delphinado; desde 1526, reformador em Berne; em 1530, em Neufchatel; fall. em 1565, em Genebra);Pedro Viret(nasceu em 1511, em Orbe; 1531-59, em Lausanne; desde 1561, em Nismes e Lyons; fall. em 1571); desde 1534, faz-se em Genebra propaganda da Reforma.

1534.—David Joris: nasc. em 1501, em Delft; associa-se aos anabaptistas; promove reformas entre elles; a sua influencia nos Paizes Baixos e na Frisilandia Oriental. 1542, o seuWunderbuch; 1544, em Basiléa; uma especulação mystico-espiritualista com tendencia racionalista.

1536.—PauloIIImanda reunir em Mantua o Concilio havia longo tempo promettido; 1537, addiado; mandado reunir em Vicenza; novamente addiado.

1542.—Antonio Paleario (queimado em 1570),Del beneficio di Gesu Christo crocifisso verso i Christiani.

1538.—A convenção de Nice: dez annos de treguas.

1538.—Liga Catholica Romana em Nürnberg.

1539.—Victoria da Reforma na Saxonia Ducal, e no Brandenburgo Eleitoral.

1540.—Junho: Conferencia em Hagenau.

25 de Nov. a 14 de Jan. em Worms (Granvella, Melanchthon, Bucer, Capito, Brenz, Calvino, Eck, Cochlæus).

1536.—João Calvinoem Genebra; nasc. em 10 de jul. de 1509, em Noyon; estudou em Orleans e em Paris; 1533, abraçou a Reforma em Paris; em Basiléa; 1536,Instituto Christianæ Religionis; depois em Ferrara; rigorosa disciplina ecclesiastica; em 1538, pela pascoa, é expulso de Genebra e ratira-se para Strasburgo; chamado novamente a Genebra em 1541; fall. em 27 de Maio de 1564.

Os Mennonitas

Menno Simonis: nasc. em 1496, em Witmarsum; 1524, padre; 1536, deixou de exercer as suas funcções, desgostoso com a perseguição dos anabaptistas de Münster, baptisado por um apostolo de Jan Matthiesen; reformou e organisou as congregações anabaptistas na Hollanda e na Frisilandia; fall. em Oldesloe; fez cessar o enthusiasmo fanatico, e deu maior incremento á tendencia para o Donatismo.

Os seus discipulos, os mennonitas, tolerados em 1572, nos Paizes Baixos, por Guilherme de Orange, encontravam-se tambem em Emden, Hamburgo, Danzig, Elbing, no Palatinado e na Moravia; moderaram o espirito anabaptista primitivo; rejeitaram todos os dogmas; prohibiram os juramentos e a guerra; appellaram para a letra da Escriptura.

1540.—27 de Set.,Companhia de Jesusconstituida por PauloIII;D. Ignacio de Loyolanasc. em 1491, no castello de Loyola, situado na provincia de Vasconça; ferido em 1521, em Pamplona; lendas de santos; estudos em Barcelona; desde 1528 em Paris. Em 1534, com seis companheiros (Francisco Xavier, Jacques Lainez, Pedro Lefebre, etc.), fez os votos monasticos, accrescentando um outro, o de absoluta obediencia ao papa. Loyola fall. em 1556; Lainez em 1561.

«Para zelar os interesses da hierarquia catholica romana contra o protestantismo tanto dentro como fóra da Egreja.»

A obra missionaria de Francisco Xavier no Oriente da Asia.

A moral da Sociedade; casuistica.

Os seus dogmas: a superstição systematica.

1541-53.—O duque Mauricio da Saxonia; recebeu o titulo de Eleitor em 1547.

1541.—Dieta em Regensburgo; Suliman submette os hungaros ao seu dominio.

1542-44.—Quarta guerra de CarlosVcom FranciscoI; a Paz de Crespi.

1541.—27 de Abr. a 22 de Maio, conferencia em Regensburgo (Contarini, Melanchthon, Bucer, Eck), a questão da Transubstanciação.

1542.—NicolauV. Amosdorf, bispo de Naumbugo.

Systema ecclesiastico adoptado por Calvino em Genebra.—Culto: oração e prégação. Organisação presbyterianna. Jan. de 1542:Ordonnances ecclésiastiques de l’église de Genève.Pastores, doutores, presbyteros e diaconos. Disciplina da Egreja.

1542.—Dieta de Spira; união contra os turcos.

1543.—Reforma no arcebispado de Köln; HermannV. Wied, o arcebispo, é avisado por Bucer e Melanchthon; excommungado em 1546; abdica em 1547; fall. em 1552.

A Reforma em França, 1559-98

FranciscoI, Humanista, importando-se pouco com a religião, fez da Reforma arma politica; sua irmã Margarida, rainha de Navarra (fall. em 1549) protege os reformadores; severa perseguição dos protestantes francezes, não obstante a alliança com os principes protestantes allemães e o pedido feito a Melanchthon para ir residir em França, em 1565.

HenriqueII: Antonio de Navarra e sua mulher Joanna d’Albret põem-se á testa do protestantismo em França.

1559-25.—29 do maio, Primeiro synodo reformado em Paris, organizado por Antonio Chandieu, pastor parisiense; Confissão Gauleza.

1542.—O cardeal Caraffa aconselha o restabelecimento da Inquisição para acabar com o protestantismo na Italia.

1545.—Abertura doConcilio de Trento; Primeiro periodo, 11 de mar. de 1547, em Trento; 21 de abr. de 1547 a 13 de set. de 1549, em Bolonha. Segundo periodo, 1 de maio de 1551 a 28 de abr. de 1552, em Trento. Terceiro periodo, 13 de jan. de 1562 a 4 de dez. de 1563 (25 sessões). Doutrinas romanistas consolidadas mediante esse concilio.

Os principaes theologos lutheranos

Martinho Chemnitz; 1554; fall. em 1586, Superintendente em Brunswich;Examen Concilii Trid.; 1565-73,Loci Theologici.

Matheus Flacio: nasc. em 1520, em Albona, na Illyria; 1545, em Wittenberg; 1549 em Magdeburgo; 1557-61, em Jena; fall. em Frankfort sobre o Maine, 11 de Mar. 1575.

Catalogus Testium Veritatis, 1556;Ecclesi. Hist. per aliquot ... studiosos et pios viros in urbe Magdeburgica(os seculos de Magdeburgo), 13 volum., 1560-74;Clavis Script. Sac., 1567;Glossa Compendaria in N. T., 1570, etc.

João Gerhard: nasc em 1582, em Quedlinburgo; 1606, superintendente em Heldburgo; 1615, Superintendente Geral em Coburgo; 1616 a 1637, professor em Jena.Loci Theologici, 1610 a 1625;Medit. Sac., etc.

Leonardo Hutter: 1596 a 1616, professor em Wittenberg;Compendium Loc. Theol., 1610;Loci Commun. Theolog., 1619.

As Confissões de Fé da Egreja Reformada são universalmente reconhecidas.

Cathechismus ecclesiæ. Genevensis; 1541, Francez; 1545, Latino; Calvino.

Consensio in re sacramentaria ministrarum Tigur.; Eccles. et Joh. Calvini.

O Catecismo de Heideiberg: 1563, escripto sob a suggestão de FredericoIIIdo Palatinado, por Zacarias Ursinus (desde 1561 professor em Heidelberg, fall. em 1583) e Gaspar Olevianus (professor em Heidelberg; fall. em 1587).

Confessio Helvetica Posterior: 1566, enviado por Bullinger a FredericoIIIdo Palatinado.

Os Decretos do Synodo de Dort: 1619, reconhecidos nos Paizes Baixos, na Suissa, no Palatinado, em 1620 na França; não foram universalmente reconhecidos.

João Calvino:Institutio Religionis Christianæ, 1535-36. Tres edições, constituindo cada uma d’ellas uma ampliação, 1535, 1539 e 1559;Commentarios ao Velho e Novo Testamentos, 1539;De æterna Dei predestinatione, 1552;Defensio orthodoxæ fidei de S. Trinitate, 1554, contra Servetus.

Henrique Bullinger, successor de Zwinglio em Zurich, nasc. em 1504, em Bremgarten, fall. em 17 de set. de 1578; Commentarios ao Novo Testamento, 1554;Compendium relig. Christianæ; Histoire des persecutions de l’Eglise.

Theodoro Beza: nasc. em 1519; 1549, em Lausanna; 1558, professor e pastor em Genebra; fall. em 1605. Traducção do Novo Testamento, com annotações, 1565;Histoire Eccles. des réformateurs au royaume de France, 1580.

Rodolpho Hospinian, pastor em Zurich; fall. em 1629;De origine et progres. controv. sacramentariæ, etc.

J. H. Hottinger, professor em Heidelberg e Zurich; fall. em 1667;Hist. Eccl.N. T.

Gaspar Suicer, professor em Saumur, fall. em 1684;Thesaurus Ecclesiasticus.

F. Dallæus, professor em Saumur, fall. em Paris, em 1670;Traité de l’emploi des S. Péres, 1632.

1544.—Dieta de Spira; reconhecimento dos protestantes; tudo em socego, na expectativa de um Concilio Geral.

1545.—Reformatio Wittenbergensis.

1546.—Segunda Conferencia Religiosa em Regensburgo; 18 de fev., Luthero morre em Eisleben; os protestantes não apparecem na Dieta.

1546-47.—A guerra de Schmalkald; 19 de jun. liga entre Mauricio e o imperador; 20 de jul., decreto contra João Frederico e Filippe; 27 de out., Mauricio é nomeado eleitor; 24 de abr., batalha de Mühlberg, ficando prisioneiro João Frederico; Filippe entrega-se em Halle; o imperador falta á sua palavra.

1547-59.—HenriqueIIde França; desposa Catharina de Medici; fallece em 1589.

1548.—15 da maio, o Interim de Augsburgo conserva as hierarquias, ceremonias, festividades e jejuns da Egreja Catholica Romana; casamento dos clerigos e Ceia do Senhorsub utraque.

1547-53.—EduardoVIde Inglaterra: nasc. em 1537.

1553-58.—Maria (a Sanguinaria) de Inglaterra.

1554.—9 de jul., Mauricio morre n’uma batalha perto de Sievershausen, contra Alberto, Margarve de Brandenburgo.

Fernando é batido pelos turcos na Hungria.

1555-98.—FilippeIIde Hespanha.

1556-64.—FernandoI, imperador.

1558-1603.—Isabel de Inglaterra.

1559-60.—FranciscoIIde França (casado com Maria da Escocia)

1560-74.—CarlosIXde França.

1560-78.—Maria, rainha dos escocezes; executada em 1587.

1564-76.—MaximilianoII, imperador.

1574-89.—HenriqueIIIde França.

1576-1612.—RodolphoII, imperador.

1558-1648.—ChristianoIV, rei da Dinamarca.

1589-1610.—HenriqueIVde França, tornou-se catholico romano em 1593; assassinado por Ravaillac em 14 de Maio de 1610.

1598-1621.—FilippeIIIde Hespanha.

1548.—Interim de Leipsic (Mauricio da Saxonia e Melanchthon).

1551.—Vehemente desejo do imperador de que os protestantes se submettam ao Concilio de Trento; Liga clandestina de Mauricio da Saxonia com HenriqueIIde França.

Out.: Embaixadores do Würtemburgo, e jan. de 1552, embaixadores saxonios em Trento.

1552.—20 de mar., Mauricio põe-se em fuga; 19 de maio, apodera-se do castello de Ehrenberg, e da Passagem de Ehrenberg, as chaves do Tyrol; dissolve-se o Concilio; julho: Tratado de Passau; João Frederico e Filippe ficam livres.

1555.—25 de set.Paz religiosa de Augsburgo; a Egreja Lutherana fica com os mesmos direitos legaes da Catholica Romana:Cujus regio ejus religio; o Reservatum ecclesiasticum; a Egreja Reformada não é reconhecida.

1558.—Disputas entre os antigos lutheranos (Gnesiolutherani) e os discipulos de Melanchthon.

1560.—Morto de Melanchthon, 19 de abril.

1586-91.—Embaraços cripto-calvinistas na Saxonia eleitoral; supressão do calvinismo; execução de Krells, em 1601.

A Egreja Lutherana perde:

(a) Em favor da Egreja Catholica Romana

1558.—A Baviera.

1578.—O ducado da Austria (RodolphoII).

1584.—Os bispados Würzburgo, Bamberg, Salzburgo, Hildesheim, etc.

1594.—Steiermark, Carinthia (FernandoII).

1607.—Donauwerth.

(b) Em favor da Egreja Reformada

1560.—O Palatinado; 1563, o Catecismo de Heidelberg (Reformado sob FredericoIII; Lutherano sob LuizVI, 1576-83; Reformado sob FredericoIV, 1583-1618).

1568.—Bremen.

1596.—Anhalt (João Jorge, 1587-1603); revogação do Systema Consistorial e do Catecismo Lutherano; 1597-1628, Artigos Calvinistas.

1605.—Hesse-Cassel, que estava sob o dominio do Landgrave Mauricio (1592-1627).

1613.—O Brandenburgo, que estava sob o dominio do Eleitor João Sigismundo 1614,Confessio Marchica.

1561.—Set.: Conferencia religiosa em Poissy, Theodora Beza.

1562.—Jan.: Os protestantes alcançam o direito de se reunirem para o culto fóra das cidades; Francisco de Guise massacra a congregação protestante de Vassy.

1562-63.—A guerra huguenote. Morte de Antonio de Navarra; Francisco de Guise é alvejado perto de Orleans.

1567-68 e 1569-70. Guerras huguenotes.

1572.—24 de ago., massacre de Paris na vespera de S. Bartholomeu; assassinio de Coligny e de 50:000 huguenotes.

1574-76.—Guerra huguenote; a Santa Liga dos Guises.

1588.—Assassinio de Henrique e Luiz de Guise.

1589.—Henrique é morto por um fanatico da Liga, J. Clement, em 1 de ago.

1593.—HenriqueIVfaz-se catholico romano.

1598.—Edicto de Nantes: liberdade de consciencia; é permittido o culto publico; todos os privilegios civis; cidades de refugio para os huguenotes.

1620-28.—Revoltas huguenotes.

1620.—Tomada da Rochella.

Edicto de Nismes. São garantidos aos huguenotes direitos ecclesiasticos.

Egreja Anglicana

Inglaterra, 1547-1600, sob HenriqueVIII: João Frith, Guilherme Tindal.

1534.—Acta do Parlamento ácerca da supremacia real; o Rei «o unico chefe supremo, sobre a terra, da Egreja ingleza»; á frente do partido evangelico, Thomaz Cranmer (1533, arcebispo de Canterbury) e Thomaz Cromwell; Traducção da Biblia, em 1538.

1539.—28 de jul., Transubstanciação; negação do calix aos leigos; celibato clerical; missas pelos defuntos; confissão auricular.

A Reforma de HenriqueVIIIfoi um acto do rei, e significava apenas uma revolta contra o systema medieval, sendo o papa substituido pelo rei.

Isolamento da Egreja da Inglaterra; cortadas todas as relações com o papado; sem communicação alguma com as Egrejas Reformadas.

1547.—Sob o governo de Somerset, Lord Protector: Pedro Martyr Vermigli (nasc. em 1500, em Florença; 1542, em Strasburgo; fall. em 1562, em Zurich) e Bernardo Ochino (nasc. em 1487) levado para Oxford; Martinho Bucer e Paulo Fagio, para Cambridge.

O Livro das Homilias.

1548.—O Livro da Oração Commum; revisto em 1552.

1564.—Professio Fidei Tridentinae: 1566,Catechismus Romanus(Leonardo Marini, Egidio Foscarari, Muzio Calini).

1548.—Filippe Nery funda o Oratorio.

1550-64.—JulioIII(del Monte).

1551.—Fundação do Collegium Romanum Jesuita.

1552.—Fundação do Collegium Germanicum.

1555-59.—PauloIV(Caraffa) protesta contra a Paz de Augsburgo; Inquisição.

1559-65.—PioIV(Medici) deixa-se guiar por seu sobrinho, o cardeal Carlos Borromeu, arcebispo de Milão, fall. em 1584.

1564.—Index librorum prohibitorum.

1566-72.—PioV, zeloso dominicano.

1567.—Bulla de excommunhão contra 79 proposições agostinianas de Miguel Baius (fall. em 1589). Chanceller da Universidade de Louvain.

1568.—Breviarium.

1570.—Misssale Romanum.

1572-85.—GregorioXIII; carta congratulatoria a CarlosIX, ácerca do massacre de S. Bartholomeu;Te Deumem Roma, em honra do acontecimento.

1582.—Reforma do Calendario.

1582-1610.—Missões jesuitas na China.

1585-90.—SixtoV: Bibliotheca do Vaticano.

1588.—Annales Eccl., de Baronio.

1590.—Edição infallivel da Vulgata.

1592-1605.—ClementeVII.

1592.—Nova edição da vulgata (a chamada edição de SixtoV).

1552.—Os 42 Artigos.

1554.—O cardeal Reginaldo Pole, legado pontificio; 1555-58, Sanguinolentas perseguições no reínado de Maria; 1556, 21 de maio, Cranmer é queimado em Oxford.

A Escocia

1558.—Os Lords da Congregação; o Evangelho Puro, o Livro de Oração Commum do Rei Eduardo.

1560.—Assembléa dos Estados em Edinburgo;A Confissão Escoceza; o Primeiro Livro de Disciplina; é approvado o governo presbyteriano pelas Assembléas Geraes, pelos Synodos e pelas Sessões das egrejas; Superintendentes.

João Knox: nasc. em 1505, em Haddington; desde 1546, prégador em St.º André; 1547-49, nas galés; 1553-59, em Frankfort e Genebra; 1559 a 1572 (data do fallecimento) em Edinburgo.

1572.—Convenção de Leith; Bispos privados de exercerem as funcções episcopaes: os Tulchanos.

1576.—Os inspectores nomeados pela Assembléa.

1578.—Segundo Livro de Disciplina.

1580.—A instituição dos presbyterios.

Os Paizes Baixos

1559.—Margarida de Parma; Granvella, bispo de Arras.

São creadas 14 novas dioceses. Inquisição.

1562.—Confessio Belgica; Guido de Brès, Adriano de Savaria, H. Modetus, G. Wingen; revista por Francisco Junio, em 1571.

1566.—Compromisso em favor dos protestantes.

Tumultos por causa da imagens e das reliquias.

1568-78.—O duque de Alba.

Concilio de Sangue; Perseguição de protestantes; são mortos 18:000; Egmont e Horn em 1568.

1572.—Tomada de Brill pelos mendigos do mar; Guilherme de Orange.

1576.—8 de Nov., Tratado de Ghent.

1579.—23 de jan., União de Utrecht, firmada pelas provincias do norte. 26 de julho, Declaração de independencia.

1584.—10 de julho, Assassinio de Guilherme de Orange; succede-lhe Mauricio de Orange.

Fundação de Universidades—Leyden, em 1575; Franecker, em 1585; Gröningen, em 1612; Utrecht, em 1638; Harderwyk, em 1648.

Anti-Trinitarios

Miguel Servetus, da Aragão; 1530, em Basiléa; 1531,De Trinitatis erroribus; 1534, em Lyons; 1537, em Paris; 1540, em Vienna; 1553,Christianismi restitutio; 1553, queimado em Genebra.

Valentinus Gentilis, da Calabria; decapitado em Berne, em 1556.

Laelius Socinus: nasc. em 1525, em Veneza; 1547, percorre a Suissa, a Allemanha e a Polonia; fall. em 1562, em Zurich.

Faustus Socinus: nasc. em 1539, em Siena; 1559, em Lyons; 1562, em Zurich; 1574-78, em Florença, e depois em Basiléa; 1579-98, na Polonia; fall. em 1604.—De Jesu Christo servatore: De Statu primi hominis ante lapsium, 1578.

1605.—Catecismo Racoviano.

A Rainha Isabel restabelece a Reforma

1559.—Junho: Acta da Uniformidade, Matheus Parker, arcebispo de Canterbury.

Revisão e readopção do livro de Oração Commum.

1562.—23 de jan.,Os 39 Artigos: Doutrina calvinista da Predestinação, Doutrina calvinista da Ceia do Senhor.

1567.—Os puritanos são excluidos da Egreja. Puritanismo; Reforma espiritual mediante a collectividade evangelica, acceitação, em Inglaterra, da doutrina do sacerdocio espiritual de todos os crentes, e consequente guerra ás capas de asperges e outros paramentos ecclesiasticos.

1570.—Thomaz Cartwright é expulso de Cambridge.

1582.—Roberto Browne, capellão do duque do Norfolk; separação da Egreja e do Estado; cada congregação fórma uma egreja independente.


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