The Project Gutenberg eBook ofApotheose Camoneana

The Project Gutenberg eBook ofApotheose CamoneanaThis ebook is for the use of anyone anywhere in the United States and most other parts of the world at no cost and with almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included with this ebook or online atwww.gutenberg.org. If you are not located in the United States, you will have to check the laws of the country where you are located before using this eBook.Title: Apotheose CamoneanaAuthor: Xavier de CarvalhoRelease date: December 2, 2008 [eBook #27390]Language: PortugueseCredits: Produced by Pedro Saborano (produced from scanned imagesof public domain material from Google Book Search)*** START OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK APOTHEOSE CAMONEANA ***

This ebook is for the use of anyone anywhere in the United States and most other parts of the world at no cost and with almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included with this ebook or online atwww.gutenberg.org. If you are not located in the United States, you will have to check the laws of the country where you are located before using this eBook.

Title: Apotheose CamoneanaAuthor: Xavier de CarvalhoRelease date: December 2, 2008 [eBook #27390]Language: PortugueseCredits: Produced by Pedro Saborano (produced from scanned imagesof public domain material from Google Book Search)

Title: Apotheose Camoneana

Author: Xavier de Carvalho

Author: Xavier de Carvalho

Release date: December 2, 2008 [eBook #27390]

Language: Portuguese

Credits: Produced by Pedro Saborano (produced from scanned imagesof public domain material from Google Book Search)

*** START OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK APOTHEOSE CAMONEANA ***

EDIÇÃO FERREIRA DE BRITOAPOTHEOSECAMONEANAporXavier de CarvalhoLogotipo do editorPORTOImprensa Ferreira de Brito1886

APOTHEOSE

CAMONEANA

por

Xavier de Carvalho

Logotipo do editor

PORTOImprensa Ferreira de Brito

1886

APOTHEOSECAMONEANAporXavier de CarvalhoDecoração da primeira páginaPORTOEMPREZA FERREIRA DE BRITO1885EDIÇÃO ESPECIAL CAMONEANISTAN.º ___AJoaquim de AraujoDecoração da dedicatória

APOTHEOSE

CAMONEANA

por

Xavier de Carvalho

Decoração da primeira página

PORTOEMPREZA FERREIRA DE BRITO1885

EDIÇÃO ESPECIAL CAMONEANISTA

N.º ___

A

Joaquim de Araujo

Decoração da dedicatória

APOTHEOSE CAMONEANARENASCENÇA(a Ramalho Ortigão)A Renascença que foi obra toda humana,Chamando á vida nova a forte raça aryana,Co'a polvora, a imprensa, a bussola e a alchimia,A Arte a renascer na lyra dos poetas,Copernico que traça a orbita aos planetasE Martinho Luthero affirmando a herezia;Dante que tudo vê com seu olhar de lynce,ACeia do Senhorde Leonardo VinciE Masaccio que temmadonasideaes,Colombo e Guttemberg e Magalhães e Gama,Bacon que ensina a vida e Erasmo que proclamaO rubro alvorecer das sciencias naturaes;Gallileu que nos prova a rotação da terraE contra quem a egreja ergueu terrivel guerra,Aristoteles que, intransigente e altivoFoi quem traçou as leis novas da evolução,Cravou golpe profundo, em cheio, á religiãoE em bases affirmou o Credo Positivo;Magalhães que demonstra a terra como esphera,Giotto que nos pinta a tela mais sincera,O feudalismo á morte, as communas em lucta,A alma das nações erguendo-se frementeE pouco a pouco, a claro, as lendas do Oriente,Emquanto o santo officio as consciencias enluta;Bruno que a egreja queima, affirmando a Verdade,Miguel Angelo que achou os tons da realidadeNoJuizo Finala luz das gerações:Todo esse renascer das Artes e ScienciasE o rebate febril de todas as consciencias,Resume-se afinal no livro de Camões.NOS PAÇOS DA RIBEIRA(a Manoel Duarte de Almeida)E Camões recitava! Em frente delleA Princeza Maria, em fundo pasmoEscutava vibrante de enthusiasmoVersos cheios de amor, ciume e fel.A côrte envolta recolhida e attentaOuvia esses sonetos delicados,Onde a Paixão brilhava violentaE a alma se partia em mil bocados.E Camões recitava! Dos seus versos,Com payzagens e largos ceos diversos,Evolava-se o aroma da violeta...E entre o grupo dos pagens e das damasSanguineamente como duas chammas,Dominavam os olhos do poeta.NATHERCIA(a João de Deus)Era em seus olhos duma luz magoadaQue elle sentia palpitar a vida,Nathercia! a virgem branca e dolorida,A alma da sua alma, a bem-amada!Era em seus labios de escarlate vivo,Efflorescentes de caricia e lava,Que o coração do poeta se abysmavaComo num banho de perfume activo.Foi assim que elle a amou lyricamente,Ora em sonetos de paixão frementeE eclogas cheias de saudade triste;E assim lhe disse o derradeiro adeus,Ao vel-a erguer-se aos luminosos céos:--Alma minha gentil que te partiste.O EPISODIO DE IGNEZ(a Ferreira de Brito)Ha não sei que de mystico e suaveNesse vulto amantissimo de Ignez:Manhans de abril e symphonias de ave,O luar calmo e o verde céo inglez.Delicada! em instantes de socegoDecorria-lhe a vida em tons dolentes,Entre arrulhos de amor! sonhos fulgentes!Nos saudosos campos do Mondego.Ignez! ninguem melhor descreveriaComo Camões, em ondas de harmonia.Esse poema de paixão querida,Em que passaste a efflorescente vida,Aos montes ensinando e ás hervinhasO nome que no peito escripto tinhas...O ADAMASTOR(ao Conde de Sabugosa)Á flor das ondas, tenebrosamenteEntre o rugir dos fortes vendavaesOlhando os occeanos frente a frente,Como um monstro das lendas medievaes;O Adamastor erguia-se inclementeInvectivando em maldições fataes:Gama que busca um novo continenteE ri das couzas sobrenaturaes.Entretanto quem era esse phantasma,Que ao vêr a frota portugueza pasmaE diz phrases vibrantes de crueza?Elle era o Antigo Espirito que absortoVia omaravilhosoextincto e morto,E o Homem dominando a Natureza.ILHA DOS AMORES(a Fialho de Almeida)Ha nesses versos ruivos e frementesTodos feitos de sol e de impurezaA fulva côr nervosa das serpentesE um vago sonho de gentil duqueza.Em cada phrase de uma sereia ou deusaE em cada riso de tritões ardentes:Descubro ondas de carne omnipotentesE escuto o grito audaz da Natureza.Camões! Ha nos teus versos enseivados,Beijos que ferem, seios inflammadosE a mulher toda nua, exposta ao sol.E ao lêr essas estrophes côr de lava,Sinto a minh'alma allucinada e brava,Entre um incendio enorme de arrebol.LONGE DA PATRIA(a Camillo Castello Branco)Rasgando as ondas cruas, braço a braçoCom mil perigos e crueis tormentos;Ralado de desgosto e de cançaçoÁ chuva! á neve! aos vendavaes! e aos ventos!Em frente aos soes que estoiram violentos,Arremessando ondas de luz ao espaço;Horisontes em braza! céos cinzentos!--Nada receia aquelle peito d'aço!E do rio Me-Khong as fundas aguas,Ouvindo ao longe as soluçantes magoasD'um povo illustre na historia humana;A manso e manso, afrouxam a corrente,Para que elle podesse épicamenteCantar a gente illustre luzitana!O JAU(a Xavier Pinheiro)Emquanto o povo, em bando, escalavrado e roto,Cantava pela rua os psalmos da AgoniaE a nação moribunda era um profundo esgoto,E a Historia se tornou em trecho d'elegia,A patria cruelmente arruinada e exangue,Sem familia, sem lar, sem amigos, sem pão,No horisonte sómente a lama, o luto e o sangue,Em toda a parte a raiva e a desesperação;O luminoso poeta, a alma aventureira,Que atravessou cantando uma existencia inteira,A luctar pelo bem e a destruir o mau:Achou na hora final, em vez de coroa etherea,Num leito de hospital a enxerga da miseriaE por unico amigo um pobre negro:--o Jau.OS LUZIADAS(a Queiroz Velloso)Epopeia de luz! os seus versos vermelhosComo agudos punhaes, rubros ao sol da gloria,São as Taboas da Lei, os nossos EvangelhosE o poema triumphal de toda a nossa historia.Por isso hão-de passar as eras sobre as eras,Os seculos sem fim num desfillar escuroE esse livro será a luz das primaveras,Que nos indicará as praias do futuro.E num aureo fulgor de chispas diamantinas,Centos d'annos depois ainda essa epopeiaEm nós acordará a mais vibrante ideia.E se o povo cahir exhausto entre ruinas,Ó Luziadas! ó Bíblia aberta par em par,Os nossos corações farás resuscitar.NO TRICENTENARIO DE CAMÕES(a Theophilo Braga)Se aqui podesse vir Camões, nestes instantes,Da campa onde repousa ha já tresentos annos,Se aquella rude mão que fulminou tyranosE sustentou crueis batalhas de gigantes,Podesse ainda agitar em crispações vibrantesO velho Portugal de heroicos puritanos;E visse como o altivo estandarte das quinasTremula esfarrapado ao riso do estrangeiro,As terras de alem-mar vendidas a dinheiro,A patria toda em lama, em trevas, em ruinas,As grandes tradicções no fundo das sentinasE o soluço final d'um povo aventureiro;Elle, o immortal poeta, e velho combatente,Sonoro coração cheio de amor e gloria,Alma toda febril, vastissima, marmorea;O guerreiro fatal que, erguendo um bravo ardente,Escreveu co'a espada o livro auri-fulgenteOnde em lettras de luz fulgura a nossa historia:Nesse instante talvez, espectro desolado!Chorando amargamente o seu velho paiz,E não vendo da gloria o fulgido matizEngrinaldar emfim o nosso lar sagrado,Deixava-se outra vez morrer abandonadoBatido de vergonha, extatico, infeliz!Mas contra toda essa atroz miseria hodierna,Vibrae sonoramente! ó almas de leões,E ergamos todos nós, em nossos corações,Ao clarão triumphal da religião moderna,Um sacrario febril de immensa luz eterna,Em que o Futuro adore o vulto de Camões.Decoração de fim de textoDecoração de fim do livro

(a Ramalho Ortigão)

A Renascença que foi obra toda humana,Chamando á vida nova a forte raça aryana,Co'a polvora, a imprensa, a bussola e a alchimia,A Arte a renascer na lyra dos poetas,Copernico que traça a orbita aos planetasE Martinho Luthero affirmando a herezia;

Dante que tudo vê com seu olhar de lynce,ACeia do Senhorde Leonardo VinciE Masaccio que temmadonasideaes,Colombo e Guttemberg e Magalhães e Gama,Bacon que ensina a vida e Erasmo que proclamaO rubro alvorecer das sciencias naturaes;

Gallileu que nos prova a rotação da terraE contra quem a egreja ergueu terrivel guerra,Aristoteles que, intransigente e altivoFoi quem traçou as leis novas da evolução,Cravou golpe profundo, em cheio, á religiãoE em bases affirmou o Credo Positivo;

Magalhães que demonstra a terra como esphera,Giotto que nos pinta a tela mais sincera,O feudalismo á morte, as communas em lucta,A alma das nações erguendo-se frementeE pouco a pouco, a claro, as lendas do Oriente,Emquanto o santo officio as consciencias enluta;

Bruno que a egreja queima, affirmando a Verdade,Miguel Angelo que achou os tons da realidadeNoJuizo Finala luz das gerações:Todo esse renascer das Artes e ScienciasE o rebate febril de todas as consciencias,Resume-se afinal no livro de Camões.

(a Manoel Duarte de Almeida)

E Camões recitava! Em frente delleA Princeza Maria, em fundo pasmoEscutava vibrante de enthusiasmoVersos cheios de amor, ciume e fel.

A côrte envolta recolhida e attentaOuvia esses sonetos delicados,Onde a Paixão brilhava violentaE a alma se partia em mil bocados.

E Camões recitava! Dos seus versos,Com payzagens e largos ceos diversos,Evolava-se o aroma da violeta...

E entre o grupo dos pagens e das damasSanguineamente como duas chammas,Dominavam os olhos do poeta.

(a João de Deus)

Era em seus olhos duma luz magoadaQue elle sentia palpitar a vida,Nathercia! a virgem branca e dolorida,A alma da sua alma, a bem-amada!

Era em seus labios de escarlate vivo,Efflorescentes de caricia e lava,Que o coração do poeta se abysmavaComo num banho de perfume activo.

Foi assim que elle a amou lyricamente,Ora em sonetos de paixão frementeE eclogas cheias de saudade triste;

E assim lhe disse o derradeiro adeus,Ao vel-a erguer-se aos luminosos céos:--Alma minha gentil que te partiste.

(a Ferreira de Brito)

Ha não sei que de mystico e suaveNesse vulto amantissimo de Ignez:Manhans de abril e symphonias de ave,O luar calmo e o verde céo inglez.

Delicada! em instantes de socegoDecorria-lhe a vida em tons dolentes,Entre arrulhos de amor! sonhos fulgentes!Nos saudosos campos do Mondego.

Ignez! ninguem melhor descreveriaComo Camões, em ondas de harmonia.Esse poema de paixão querida,

Em que passaste a efflorescente vida,Aos montes ensinando e ás hervinhasO nome que no peito escripto tinhas...

(ao Conde de Sabugosa)

Á flor das ondas, tenebrosamenteEntre o rugir dos fortes vendavaesOlhando os occeanos frente a frente,Como um monstro das lendas medievaes;

O Adamastor erguia-se inclementeInvectivando em maldições fataes:Gama que busca um novo continenteE ri das couzas sobrenaturaes.

Entretanto quem era esse phantasma,Que ao vêr a frota portugueza pasmaE diz phrases vibrantes de crueza?

Elle era o Antigo Espirito que absortoVia omaravilhosoextincto e morto,E o Homem dominando a Natureza.

(a Fialho de Almeida)

Ha nesses versos ruivos e frementesTodos feitos de sol e de impurezaA fulva côr nervosa das serpentesE um vago sonho de gentil duqueza.

Em cada phrase de uma sereia ou deusaE em cada riso de tritões ardentes:Descubro ondas de carne omnipotentesE escuto o grito audaz da Natureza.

Camões! Ha nos teus versos enseivados,Beijos que ferem, seios inflammadosE a mulher toda nua, exposta ao sol.

E ao lêr essas estrophes côr de lava,Sinto a minh'alma allucinada e brava,Entre um incendio enorme de arrebol.

(a Camillo Castello Branco)

Rasgando as ondas cruas, braço a braçoCom mil perigos e crueis tormentos;Ralado de desgosto e de cançaçoÁ chuva! á neve! aos vendavaes! e aos ventos!

Em frente aos soes que estoiram violentos,Arremessando ondas de luz ao espaço;Horisontes em braza! céos cinzentos!--Nada receia aquelle peito d'aço!

E do rio Me-Khong as fundas aguas,Ouvindo ao longe as soluçantes magoasD'um povo illustre na historia humana;

A manso e manso, afrouxam a corrente,Para que elle podesse épicamenteCantar a gente illustre luzitana!

(a Xavier Pinheiro)

Emquanto o povo, em bando, escalavrado e roto,Cantava pela rua os psalmos da AgoniaE a nação moribunda era um profundo esgoto,E a Historia se tornou em trecho d'elegia,

A patria cruelmente arruinada e exangue,Sem familia, sem lar, sem amigos, sem pão,No horisonte sómente a lama, o luto e o sangue,Em toda a parte a raiva e a desesperação;

O luminoso poeta, a alma aventureira,Que atravessou cantando uma existencia inteira,A luctar pelo bem e a destruir o mau:

Achou na hora final, em vez de coroa etherea,Num leito de hospital a enxerga da miseriaE por unico amigo um pobre negro:--o Jau.

(a Queiroz Velloso)

Epopeia de luz! os seus versos vermelhosComo agudos punhaes, rubros ao sol da gloria,São as Taboas da Lei, os nossos EvangelhosE o poema triumphal de toda a nossa historia.

Por isso hão-de passar as eras sobre as eras,Os seculos sem fim num desfillar escuroE esse livro será a luz das primaveras,Que nos indicará as praias do futuro.

E num aureo fulgor de chispas diamantinas,Centos d'annos depois ainda essa epopeiaEm nós acordará a mais vibrante ideia.

E se o povo cahir exhausto entre ruinas,Ó Luziadas! ó Bíblia aberta par em par,Os nossos corações farás resuscitar.

(a Theophilo Braga)

Se aqui podesse vir Camões, nestes instantes,Da campa onde repousa ha já tresentos annos,Se aquella rude mão que fulminou tyranosE sustentou crueis batalhas de gigantes,Podesse ainda agitar em crispações vibrantesO velho Portugal de heroicos puritanos;

E visse como o altivo estandarte das quinasTremula esfarrapado ao riso do estrangeiro,As terras de alem-mar vendidas a dinheiro,A patria toda em lama, em trevas, em ruinas,As grandes tradicções no fundo das sentinasE o soluço final d'um povo aventureiro;

Elle, o immortal poeta, e velho combatente,Sonoro coração cheio de amor e gloria,Alma toda febril, vastissima, marmorea;O guerreiro fatal que, erguendo um bravo ardente,Escreveu co'a espada o livro auri-fulgenteOnde em lettras de luz fulgura a nossa historia:

Nesse instante talvez, espectro desolado!Chorando amargamente o seu velho paiz,E não vendo da gloria o fulgido matizEngrinaldar emfim o nosso lar sagrado,Deixava-se outra vez morrer abandonadoBatido de vergonha, extatico, infeliz!

Mas contra toda essa atroz miseria hodierna,Vibrae sonoramente! ó almas de leões,E ergamos todos nós, em nossos corações,Ao clarão triumphal da religião moderna,Um sacrario febril de immensa luz eterna,Em que o Futuro adore o vulto de Camões.

Decoração de fim de texto

Decoração de fim do livro


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