De como o Infante D. Fernando passou por si em Africa, e tomou a cidade de AnafeeE no anno de sessenta e nove, o Infante D. Fernando como era de mui nobre coração, de que nunca sahia um louvado desejo d'acrecentar sua honra e estado, especialmente na guerra dos mouros, que lhe já vinha por legitima sobcessão, por licença e ajuda d'El-Rei seu irmão, com grande frota e muita e boa gente passou em Africa onde dizem as praias, e sem muita resistencia tomou a cidaded'Anafee, que é na costa do mar; porque os mouros vendo sobre si tamanha frota, com tanto poder a que não podiam resistir, por salvarem suas vidas desampararam a cidade, que foi logo entrada e roubada; eporque era de grande cerca, cuja defensão seria mui difficil, quizera o Infante manter com fronteiros o castello, e finalmente depois de tudo bem consirado; porque na frota não ia gente e mantimentos que podessem leixar e soprir á deffensão da cidade, e bastecimento de tamanhas paredes, acordaram de em muitas partes a desportilhar e derribar, e tornar-se o Infante ao reino, e assi o fez.O infante D. Fernando depois d'esta vinda d'Anafee adoeceu, e foi sua doença algum tanto perlongada, durando a qual afirmou de todo com El-Rei seu irmão o casamento do Principe com sua filha. E concertou outro da Senhora D. Isabel tambem sua filha ligitima com o conde de Guimarães, que por maior ennobrecimento d'este casamento, El-Rei o fez duque da mesma villa de Guimarães, sendo ainda vivo o duque de Bragança seu padre, por cuja morte sobcedeu o titulo de dois ducados.CAPITULO CLXIDo fallecimento do Infante D. Fernando, e dos filhos que d'elle ficaramE no anno de mil e quatrocentos e setenta, a dezoito dias do mez de Setembro, o dito Infante D. Fernando falleceu, e deu sua alma a Deos em Setuvel, em idade de XXXVII annos, sendo El-Rei seu irmão e a Infante sua mulher presentes, por cuja morte fizeram claros sinaes de grande dôr e sentimento; foi seu corpo logo enterrado no mosteiro de S. Francisco da observancia, que é junto com a dita villa, e de hi foram depois seus ossos com muita honra, e grande solemnidade, treladados ao mosteiro daConceição de Beja, onde jazem em sua mui honrada sepultura, a qual a Senhora Infante D. Briatiz sua mulher como Princesa em toda mui virtuosa, juntamente com o dito mosteiro de novo fundou e edificou com grandes suas despesas, e perpetuamente o dotou de muitas rendas e singulares ornamentos.Ficaram d'elle quatro filhos, e as duas filhas que já disse, e dos filhos o maior houve nome D. João, a que El-Rei fez duque de Vizeu e de Beja, e lhe deu a governança dos Mestrados de Christus e Santiago, com todo o mais que o Infante seu padre tinha, e logo em moço falleceu, a que em todo sobcedeu o filho segundo, que havia nome D. Diogo, salvo o Mestrado de Santiago, que por prazer e consentimento da dita Infante foi dado ao Principe, e este duque houve a fim que a Chronica d'El-Rei D. João faz menção, e o terceiro filho houve nome D. Duarte, que o Principe recolheu para si, e criando-o em sua casa com muita honra e grande amor como proprio filho, falleceu em moço, e o quarto houve nome D. Manuel, que por morte do duque D. Diogo o sobcedeu logo como se dirá. E depois por seus merecimentos e boa ventura, por fallecimento de ligitimo herdeiro que d'El-Rei D. João seu primo ficasse, subcedeo os reinos de Portugal, em que viva muitos annos para os fazer como faz emtitulose senhorios maiores, mais ricos e mais bem aventurados.E tambem houve D. Simão, que em moço falleceu de sua doença natural.E a XXII dias de Janeiro do anno de mil e quatrocentos setenta e um, em Setuvel, depois de vir a despensação de Roma, o Principe D. João recebeu por mulher por palavras de presente a Senhora Princesa D. Lianor, entrando o Principe em idade de XV annos. E por a morte do Infante ser ainda tão fresca, não sefizeram em seu recebimento as festas e prazeres que em outro tempo fôra razão.CAPITULO CLXIIDe como tendo El-Rei determinado passar em Africa, convertia a armada contra os inglezes pela tomada, das náos de Portugal, e desistiu d'isso pela morte do conde Baroique, e se ordenou a ida sobre ArzillaE n'este anno e assi no passado determinou El-Rei de passar em Africa, para que teve em pessoa, e assi mandou ter praticas e conselhos em Lisboa nas casas do conde de Monsanto.E o primeiro desejo e movimento d'El-Rei foi ir sobre Tangere. Mas porque para cercar e combater tamanha cidade, por então não se achou no reino o soprimento que era necessario, desistiu El-Rei d'este proposito, e com fundamentos de bom conquistador, e com evidentes razões que lhe foram apontadas, de que se tambem ao diante não perdia a esperança do cobramento de Tangere, assentou ir sobre Arzilla, que logo por Vicente Simões, homem nas cousas do mar bem esperto e entendido, e por Pero d'Alcaçova seu escrivão da fazenda e de que muito fiava, mandou muitas vezes espiar e vêr, assim no que cumpria para o ancorar e desembarcar do mar como para o assento da terra. Em que com fingidos negocios com que os mouros tratavam, acabaram de ser certificados de todo o que para uma cousa e para a outra era necessario, de que perfeitamente avisaram El-Rei, que logo mandou fazer no reino e fóra d'elle os percebimentos de navios, armas e mantimentos para trinta mil homens,com que determinou passar, e estando El-Rei já casi prestes, foi certificado que doze náos grossas de seus reinos vindo em canal de Frandes foram tomadas, e suas mercadorias roubadas por Facumbrix, cosairo, capitão e sobrinho do conde Baroique, que a este tempo governava o reino de Inglaterra.E sobre os agravos e lamentações que os mercadores e povo d'estes reinos acerca de seus damnos e perdas fizeram a El-Rei, elle teve logo conselho com os principaes de sua côrte. E assi o enviou pedir aos grandes e senhores do seu reino, que lh'o enviaram por escripto. Dos quaes sustancialmente foi pela mór parte aconselhado, que a armada d'Africa que era voluntaria, e convertesse por muitas razões esta contra os inglezes, que era obrigatoria e necessaria. E que fosse grossa e de muito e boa gente, para que d'algum castigo d'estes nascesse receio aos outros muitos, que a seus vassallos não fizessem no mar os males e damnos que cada dia e sem emenda lhe faziam. Á qual parte El-Rei mais inclinado, ordenou armar grossamente, e dava por capitão d'armada D. João filho do duque, que depois foi Condestabre e marquez de Montemór-o-Novo, e com elle carracas e muitas náos grossas, e outros navios pequenos em grande numero.E estando tudo já quasi prestes, veiu certidão a El-Rei estando em Lisboa, no mez de Junho, que o dito conde Baroique, e o Rei porque governava Inglaterra, eram em batalha mortos por El-Rei Duarte, que depois pacificamente reinou, pelo qual El-Rei foi logo movido cessar da dita armada, que para emenda e vingança do dito conde fazia, e a mudar no primeiro proposito de passar em Africa, sobre que primeiro se fundara. E que a entrega das náos e mercadorias de seus reinos remedeasse como remedeou, e procurou por embaixadas, que com pessoas d'autoridadea Inglaterra e a Borgonha muitas vezes depois enviou. E assi mandou pelo reino suas cartas de percebimentos, com aviso que os condes e senhores sómente levassem cavallos.CAPITULO CLXIIIDe como El-Rei levou comsigo o Principe seu filho, e como embarcaram, e com que gente e frotaDeterminouEl-Rei a requerimento do Principe seu filho, e contra conselho dos mais principaes do reino de o levar n'esta passagem comsigo, e leixou por inteiro governador, e com nome de governador do reino o duque de Bragança, que escusando-se por sua velhice de tal cargo, se convidava para ir com elle á guerra dos mouros, porque seu coração e devoção não enfraquecia; porque a ella foi sampre mui inclinado. E porque El-Rei era sabedor que entre alguns grandes e pessoas principaes de seus reinos, que para sua passagem eram percebidos, havia odios e dissensões, e outros jaziam em publicas excommunhões, El-Rei com a só pena que pôs de os não levar comsigo se não se concordassem e asolvessem, elles por não ficarem se concordaram e satisfezeram e se reconciliaram.Encommendou El-Rei o cargo da gente d'entre Doiro e Minho, e da frota do Porto ao duque de Guimarães, que se ajuntou com El-Rei em Lisboa no começo do mez d'Agosto do anno do nascimento de nosso Senhor Jesus Christo de mil e quatrocentos setenta e um, em que El-Rei houvera de partir, e por ventos que não terçavam de viagem, suspendeu sua partidaaté dia da Asumção de Nossa Senhora, que é aos quinze dias do dito mez, em que depois de elle e o Principe entrarem no mar com mui solemne procissão, e com maravilhoso e grande triumpho, sobreveiu vento prospero e desejado, com que partiu de Restello e chegou a Lagos, onde o já esperavam os navios e gente do Algarve. E assi o conde de Valença que viera d'Alcacere, com que sua real frota refez por todas numero de quatrocentas e setenta e sete vellas, e até trinta mil homens. E alli depois de ouvir missa, e para o caso uma devota pregação, e revellar a todos sua ida sobre Arzilla, foram elle e o Principe com uma devota procissão e grande estrondo de trombetas e manistreis altos e baixos, mettidos nos bateis, e de hi aos navios que logo fizeram vella, que com vento bonançoso chegaram d'Avante á dita villa d'Arzilla, onde sua frota ancorou aos XX dias do dito mez, já sobre tarde, os mouros da qual como de dia houveram vista d'ella; porque da passagem d'El-Rei tinham já muitos avisos, adivinhando com receio seu mal, se começaram de prover como para tal necessidade e afronta cumpria.CAPITULO CLXIVDe como El-Rei tomou terra em ArzillaE no outro dia em amanhecendo, depois d'El-Rei ter conselho sobre sua desembarcação e filhamento da terra, mandou apparelhar e armar os bateis e caravellas pequenas, e barcas de carreto para logo na melhor ordenança, e que mais fosse possivel tomarem terra. E como quer que o porto era muiperigoso; porque o mar áquellas horas andava mui alevantado, e quebrava com muita braveza em um arrecife de pedra que tem, com entradas más de tomar, El-Rei todavia mandou com muito esforço e presteza remar e tomar a terra, onde elle por maior esforço de todos não quiz ser dos segundos, em que se perdeu uma galé com outras caravellas e bateis, em que no mar morreram até oito fidalgos, e da outra gente até duzentos, em que eram alguns bons cavalleiros e escudeiros.E porém no primeiro bote sairam logo com El-Rei muita gente, toda bem armada, sem alguma contradição dos mouros em sua saida, e os outros que na frota ficavam, com quanto viam ante os olhos sua clara perdição, não receiavam por isso com uma perfiosa bondade d'entrar nos bateis e caravellas, como se em um rio manso entrassem, até que aos tres dias com a segurança e maior resguardo que foi possivel acabaram de sair em terra.E no dia em que El-Rei sahio, logo pôs cerco á villa em torno de mar, cerrando e defensando seu arrayal com alta cava; porque o palanque que levava, pela braveza do mar não podera logo sahir.E das muitas e grossas bombardas que El-Rei levava, que com a tormenta das náos se não podiam tirar, sairam sómente duas pequenas, que em duas partes da villa foram logo ensejadas. E começaram apressadamente de fazer seus tiros, e assi os espingardeiros e besteiros não cessavam de combater, e porém sem fundamento de ordenado combate; porque o geral e da maior affronta em que se punha toda a esperança da victoria, tinha El-Rei reservado para depois que todas suas artilherias fossem assentadas. E porém as bombardas desfizeram dois lanços do muro até o meio, onde os mouros logo acudiram e repairaramcom muito esforço e não sem algum dano dos christãos, de que tambem com espingardas e bestas os mouros eram mui danificados.CAPITULO CLXVDe como a villa foi entrada, e o Principe foi armado cavalleiro, e morreram o conde de Marialva, e o conde de Monsanto e outrosE aos XXIV dias do dito mez, que era dia de S. Bertolameu, pela manhã, D. Alvaro de Castro, conde de Monsanto, a que a estancia e guarda do castello era encomendada, enviou dizer a El-Rei que estava em sua tenda, que o Alcaide da dita villa lhe queria ir falar sobre concerto, que era tal que o devia aceitar. E ante de El-Rei dar final resposta, tendo vontade de se concordar como aos mouros já escreveram e mandaram requerer, vieram logo vozes emtoados por todos que a villa se entrava. O que a vista propria d'El-Rei que a isso com muita trigança sahiu, fez mui certo e verdadeiro; porque como o rumor correu que a villa era entrada assi concorreu logo a gente do arraial aos muros, a que com muitas escadas e engenhos que para isso eram ordenados, sem alguma certa ordem de combate, logo com muita ardideza subiram e entraram á dita villa por todalas partes.E os mouros vendo-se entrados e perseguidos dos christãos, pelejando bravamente uns se recolheram á misquita, e outros, os mais honrados ao castello. E com os da misquita ante de ser vencida, houve de uma parte e da outra mui crua e sangoenta peleja. Em que dos christãos entre outros morreu principale como ardido e valente cavalleiro, D. João Coutinho, conde de Marialva, que com seu braço acompanhou primeiro seu corpo d'outros corpos vazios d'almas imigas, e não sem grande tristeza que El-Rei e o Principe e toda a côrte por sua morte tomaram, e não sem causa; porque era mancebo, e senhor de grande e honrada casa, e em que se vivera pareciam já virtuosos sinaes d'haver n'elle para o reino um singular homem para armas e conselho.E acabada a peleja da misquita, logo a gente recorreu ao castello, que de todalas partes era mui forte e defensavel, cujo combate por esforço d'El-Rei e do Principe, que eram presentes, foi com tanta força e ardideza cometido, que logo antes de algumas escadas serem postas, os christãos por lanças e páos com muita desenvoltura sobiam ás torres e muros, de que os debaixo com uma louvada inveja de tanta honra, esquecidos de todo perigo cometiam seus corpos com armas pesadas a mui fracas toucas de linho, porque os allavam e subiam acima, onde nos muros e torres que dos christãos se entravam, e depois no patim do castello houve tão mortal peleja, como parecia claro nos muitos mortos e feridos que em todas partes jaziam.Alli no castello álém d'outros nobres christãos que com ferro morreram, foi morto D. Alvaro de Castro, conde de Monsanto, camareiro-mór d'El-Rei, que sua morte muito sentio; porque certo elle no campo e na côrte, na paz e na guerra era por seu siso, discrissão e esforço, homem mui principal. E em fim assi foram os mouros da villa e do castello cometidos, que todos ficaram mortos e captivos sem alguma excepção, cujo numero segundo comum orçamento seriam dos mortos até dois mil, e dos captivos até cinco mil. E foi achado e tomado na villa mui grandee rico despojo, que foi estimado a oitenta mil dobras d'ouro. Do qual todo El-Rei fez aos tomadores escala franca, sem reservar para si quinto, nem outro direito algum.Acharam-se dentro cincoenta captivos christãos, a que a santa victoria deu livre redenção. EEl-Reie o Principe, assi no entrar da villa, como no soccorrer e prover das muitas pelejas e afronta dos combates, não sómente por seu conselho e exforço usaram de oficios, que pareciam e eram de aprovados capitães; mas ainda por seus braços cometeram e acabaram feitos como ardidos e valentes cavalleiros, sem algum resguardo nem tento do que a suas pessoas e dinidades reaes se deviam, e certamente era grande gloria vêr aquelle dia na mão do Principe em idade de XVI annos sua espada de bravos golpes torcida, e de sangue de infieis em todo banhada, em cuja vista a mór parte da alegria era d'El-Rei seu padre, que n'aquella victoria e perigo o tomou por parceiro, vendo que em ajuda tão necessaria, e perigo tão conhecido não podera no mundo escolher melhor companheiro do que gerara por filho.E porém como El-Rei sentiu que o feito com desejado vencimento era de todo acabado, foi logo á misquita dos mouros, onde sobre o corpo do conde de Marialva achou já uma cruz, a qual por começo do serviço e sacrificio, que a Deus n'ella ao diante se havia de fazer, logo beijou e adorou, e depois de fazer oração, logo junto com o corpo morto do dito conde, armou per si o Principe seu filho por cavaleiro, com palavras de grandes louvores, e muitas bondades e merecimentos do mesmo conde. E sendo ambos d'armas victoriosas vestidos, El-Rei no cabo de auto tão devoto e tão glorioso, disse ao Principe, e não sem algumas lagrimas:—«Filho, Deus vos faça tão bom cavaleiro como este que aqui jaz.»E porque o conde D. João não tinha filhos, e por sua tão honrada casa, por fallecimento de legitima sobcessão não ficar distinta ou minguada, El-Rei em galardão de sua morte, e por sua vida e memoria para sempre viva, fez conde de Marialva D. Francisco Coutinho seu irmão, que este titulo e mercê aos Reis de Portugal e seus reinos sempre bem servio e mereceo. E assi fez conde de Monsanto a D. João de Castro, filho do dito conde D. Alvaro. E edificou a dita misquita em casa de oração da avocação de Nossa Senhora, Santa Maria da Asumção; porque n'aquelle dia partio de Lisboa para tomar a villa, e em tal dia partio El-Rei D. João seu avô, quando tomou a cidade de Ceuta, e em tal venceu a batalha real, e em tal dia falleceu, e em tal dia nasceu.CAPITULO CLXVIDe como Mollexeque vinha socorrer Arzila, e fez pazes com El-Rei D. AffonsoE n'esta villa foram tomadas e captivas duas mulheres e um filho de Mollexeque, Senhor d'Arzila, gran senhor entre os mouros, que depois foi Rei de Fez; e porém a este tempo que El-Rei chegou sobre Arzila, elle era em Fez guerreando um Marim, que governava o Rei do dito reino, por cuja morte ficou Rei. E sendo d'isso certificado, partiu logo a gram pressa assaz poderoso, para soccorrer a villa se fosse possivel, e em Alcacer Quibir foi certificado da expunação e entrada da villa, e estrago ecaptiveiro de suas mulheres e filhos, e de todolos mouros d'ella, d'onde enviou a El-Rei sua embaixada, cuja conclusão foi: Depois de ambos partirem aquellas terras, segundo os antigos termos de suas cidades e villas d'Africa, requeriam desejar com elle paz ou tregoa, que com seu temor e grande necessidade lhe pedio, e para isso lhe desse segurança para em pessoa lhe vir fazer reverencia, e com elle se concertar, do que a El-Rei muito prouve, e sobre firmes seguranças que lhe enviou, o dito Mollexeque veio com trezentos de cavallo a tiro de bombarda da dita villa.E porém elle com receios de cautellas e suspeitas de mouros, com quanto El-Rei por dobrar na segurança lhe tornou a enviar sua direita monopla d'armas, não quiz a suas vistas chegar. E d'ali porém se concertaram, em que por contrato escripto tomaram concordia, sobre os termos e logares que a um e a outro ficariam, de que arrecadassem suas pareas e tributos. E assentaram tregoa por vinte annos que El-Rei lhe deu, a qual sómente nas terras chãs se entendesse; porque sem quebramento d'ella a cada um ficava livre faculdade para do outro poder tomar e conquistar seus logares cercados; e d'ali se tornou Mollexeque.E El-Rei como quer que d'outros senhores e grandes homens fosse para a capitania e governança da dita villa requerido, fez capitão d'ella juntamente com Alcacere, que já aos mouros tinha tomado, a D. Anrique de Meneses, conde de Valença, a quem publicamente disse muitas virtudes e merecimentos para isso, que faziam todos por muita sua honra e louvor.CAPITULO CLXVIIDe como El-Rei foi certificado que os mouros de Tangere tinham leixado a cidade, e do que sobr'isso logo proveu, e de como se foi a ella, e de hi para o reinoEl-reiem provendo as cousas da villa que cumpriam, com fundamento de se volver para o reino, foi por dois mouros a gram pressa certificado que os moradores da cidade de Tangere esquecidos da grande fortaleza d'ella e de si mesmos, principalmente temendo que a mortindade e estrago de Arzilla, de que por uma velha segundo se disse, foram avisados, não viesse tambem sobre elles, a tinham desamparada de todo. A qual leixaram vazia de suas pessoas e fazendas, e cheia de muito fogo, que as casas e reliquias d'ella sem proveito dos christãos se destruissem e queimassem.E após a primeira nova d'esta tamanha e não crida gloria, vieram logo outros que sem duvida o confirmaram, pelo qual El-Rei com muita gente de pé, e com os de cavallo que foi possivel, enviou logo á dita cidade D. João, filho do duque, que depois foi marquez de Montemór, aos XXVIII dias d'Agosto, dia de Santo Agostinho, que segundo se affirma foi já bispo d'ella. E ao outro dia o dito D. João sem alguma contradição entrou na cidade, em que achou certas bombardas grossas, e muita outra artilharia e polvora, a que os mouros por desacordo e cegueira, ou por causa de mais seu damno não poseram o fogo, e o punham andando ás palhas e cousas pequenas das casas. Da qual cousa logo avisou El-Rei, que alegre detão bem aventurado sobcedimento, sem muito trespasso com o Principe, e com a nobre gente de sua côrte, logo se foi á dita cidade, em que entrou já sem o ardente desejo de sua destruição e vingança, em que sempre vivia.Foi-se logo á Mesquita que já era feita egreja, onde deu muitas graças e louvores a Deos, e envestio de Bispo da cidade o prior de S. Vicente de Fóra de Lisboa, que sendo da regra e Ordem de Santo Agostinho, por promoção e auctoridade apostolica era já d'antes intitulado Bispo d'ella, na qual esteve El-Rei XVII dias não se fartando de a vêr, dentro dos quaes proveo as cousas que para boa governança d'ella cumpriam. E fez e leixou por capitão e governador d'ella a Ruy de Mello seu Guarda Mór, que depois foi conde d'Olivença, pessoa no reino tão principal que o tal carrego, e outro de mais honra e mór perigo e peso, por muitas causas e razões mui bem merecia.E assi ennovou e accrescentou El-Rei o titulo que tinha, e se intitulou nova e primeiramente por esta maneira: D. Affonso por graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves, d'aquem e d'além mar em Africa. E depois de fazer muitas terras chãs dos mouros suas subjeitas e tributarias, e notificar ao Papa e a todolos Reis e Principes christãos esta sua excellente victoria, partiu-se com o Principe para Portugal aos XVII dias do mez de Setembro, e logo ao outro dia seguinte foi no porto da cidade de Silves. De maneira que El-Rei em XXXIII dias contados do dia que partiu de Lisboa até este, começou e acabou prosperamente estes tamanhos feitos, de que Deus foi muito servido, e seu estado e nome por todo o mundo mui accrescentado e louvado.E os christãos d'Andaluzia não receberam por isso menos prazer que segurança, de que com festas parao mundo, e devotas procissões para Deos deram claros signaes.E de Silves se foi logo El-Rei e o Principe por mar á cidade de Lisboa, onde foram com grande triunfo, e muitas festas e alegrias recebidos, o que todo tambem por todo o reino com a notificação e certeza da victoria por muitos dias se continuou.CAPITULO CLXVIIIDe como a Infante D. Joana filha d'El-Rei foi metida no mosteiro de Odivellas, e de hi ao mosteiro d' Aveiro, e de outras cousas que El-Rei fezA Infante D. Joanna filha d'El-Rei estava a este tempo em Lisboa, com tão grande casa de donas e donzellas e officiaes como se fôra Rainha; e porque fazia sem necessidade grandes despezas, e assi por se evitarem alguns escandalos e perjuizos que em sua casa por não ser casada se podiam seguir, El-Rei por conselho que sobr'isso teve, logo no mez d'Outubro d'este anno a apartou, e em habito secular e com poucos servidores a poz no mosteiro d'Odivellas em poder da Senhora D. Filipa sua tia, em edade de XVIII annos. D'onde foi depois mudada para o mosteiro de Jesus de Aveiro. Onde sem casar com nome de honesta e mui virtuosa, acabou depois sua vida em idade de trinta e seis annos.E n'este anno falleceu o Papa Paulo, e sobcedeu em Roma a cadeira de S. Pedro o Papa Sixto quarto, a que El-Rei mandou com sua obediencia Lopo d'Almeida.CAPITULO CLXIXFoi feito primeiro conde de Penella D. Affonso de VasconcellosN'esteanno em chegando El-Rei d'armada, fez em Lisboa novamente conde de Penella D. Affonso de Vasconcellos seu sobrinho, o qual por sua nobre linhagem e singulares serviços e grandes merecimentos, aquella e outra maior dinidade, tinha já a El-Rei e ao reino bem merecida.CAPITULO CLXXTomou o Principe D. João sua casaE no anno seguinte de mil e quatrocentos e setenta e dois, tomou o Principe D. João sua mulher e casa na villa de Beja, onde era a Senhora Infante D. Briatiz, e d'alli se veio á cidade d'Evora.CAPITULO CLXXIDe como houve embaixadas e vistas entre El-Rei de Castella e de Portugal, e sobre queNoqual anno, e assi no passado entre os Reis de Castella e de Portugal houve de uma parte e da outra muitas embaixadas, ainda sobre lianças e mudança de casamento d'El-Rei D. Affonso com a Princeza D. Joanna sua sobrinha; porque comoEl-Rei D. Anrique de Castella soube que o Principe D. João de Portugal era casado com a Princesa D. Lianor, e não podia já casar com a Princesa sua filha, e viu que a Infante D. Isabel sua irmã fôra contra seu prazer e auctoridade casada com El-Rei de Cecilia filho d'El-Rei D. João d'Aragão, mandou fazer d'isso autos solenes, em que com quanto pôde, por sua desobediencia a desherdou da herança de Castella. E procurou de casar a dita Princesa D. Joana sua filha com El-Rei D. Affonso, sobre o qual como disse, se passaram mui continuas embaixadas, e por meio de D. João Pacheco, Mestre de Santiago, se concertaram vistas, em que os Reis acompanhados de mui nobre gente se viram entre Elvas e Badalhoce. Ás quaes vieram outrosi embaixadores do dito D. Fernando Rei de Cecilia, e da Rainha D. Isabel sua mulher, para com evidentes causas impedir o effeito do dito casamento. E finalmente no caso e negocio intrevieram tantas duvidas, e com esperança de tantos males e divisões de reino a reino, que El-Rei de Portugal tendo sobr'isso muitas vezes conselho, nunca em vida d'El-Rei D. Anrique se acharam taes meios, com que parecesse razão elle aceitar e concordar o dito casamento. E tudo principalmente causava, ser a Rainha de Cecilia intitulada por Princesa de Castella, de que tinha a mór parte dos grandes e Senhores d'ella, em que o mal da guerra era tão certo como o bem da victoria duvidoso. E porém depois da morte d'El-Rei D. Anrique, El-Rei D. Affonso consentio no dito casamento, e entrou em Castella intitulado Rei d'ella, como ao diante se dirá.CAPITULO CLXXIIDe como os ossos do Infante D. Fernando foram a estes reinos trazidos de FezN'esteanno sendo ainda em Fez os ossos do Infante D. Fernando, que lá falleceu em um santo captiveiro como atrás fica, como quer que a El-Rei D. Affonso por resgate e redenção das mulheres e filho de Mollexeque, que foram captivas em Arzilla lhe fosse prometida uma grande somma d'ouro, elle como Rei bom e piedoso denegou sempre todo outro partido e interesse, salvo que por ellas lhe dessem os ossos do dito Infante, que a este tempo eram em poder de Molley Belfagege.E leixando muitas embaixadas e recados que sobre este concerto de uma parte e da outra se passaram. Finalmente o dito Molley Belfagege enviou a El-Rei a propria ossada do dito Infante, bem reconhecida por tal por Molley Belfaca seu filho moço, e por Diogo de Bairros Adail Mór, que a elle por este caso fôra algumas vezes embaixador. Os quaes por mar chegaram com ella a Restello, e do navio foi tirada e trazida com grande manificencia á cidade de Lisboa, e entrou pela porta de Santa Catherina, onde com solemne procissão foi recebida, e alli pelo priol de S. Domingos Mestre Affonso se fez um sermão para o caso mui conveniente e devoto, em que houve palavras de tanta piedade e compaixão, que commoveram as gentes a muitas lagrimas como se foram Endoenças.E d'alli foram os ossos postos no mosteiro do Salvador, e de hi levados ao mosteiro da Batalha, e postos com devidas exequias em sua ordenada sepultura,na capella d'El-Rei D. João seu padre, onde segundo alguma clara evidencia, Deos por merecimentos do dito Infante, e em signal de sua bemaventurança fez alguns milagres. E certamente com a restituição da ossada d'este bemaventurado Infante, por justas causas e mui claras razões recebeu todo o reino prazer e alegria sem conto, e El-Rei dos seus naturaes e estranhos não menos honra, gloria e louvor que das prosperas expunações de Arzila e Tangere.CAPITULO CLXXIIIDo fundamento que El-Rei D. Affonso teve para entrar em Castella por morte d' El-Rei D. AnriqueE no fim do anno de mil e quatrocentos setenta e quatro, El-Rei D. Anrique de Castella falleceu na villa de Madrid; foi seu corpo levado ao mosteiro de Santa Maria de Guadalupe, onde na capella maior á mão direita jaz em sua real sepultura como parece, e da outra parte jaz a Rainha D. Maria sua madre.Fez El-Rei D. Anrique seu solemne e acordado testamento, em que declarou a Princeza D. Joana por sua filha, e por Rainha herdeira dos reinos de Castella. E a El-Rei D. Affonso por governador d'elles, pedindo lhe finalmente que aceitasse a dita governança, e casasse com ella, o qual testamento foi logo trazido a El-Rei D. Affonso, que estava em Extremoz, no mez de Dezembro do dito anno de mil e quatrocentos e setenta e quatro, sobre o qual El-Rei logo teve grande e geral conselho, para que foramalli juntos com El-Rei e com o Principe todolos grandes e principaes do reino.E o Principe desejando que El-Rei seu padre com esperança de acrecentar seus reinos de Portugal, aceitasse, e não se escusasse do casamento e empresa de Castela, tinha suas fallas e maneiras com esses principaes, a que revellava seu desejo, com que os commovia para que conselhassem El-Rei seu padre e o esforçassem para isso. Porque depois de sua morte, muitas vezes o Principe D. João seu filho sendo Rei, com aquella onestidade e reverença que devia, acusava a negligencia ou não bom conselho d'El-Rei seu padre; porque não censentira e aceitara os primeiros cometimentos dos casamentos de Castella, El-Rei D. Affonso com a Infante D. Isabel, e elle com a Princesa D. Joana, com que de uma maneira ou d'outra foram d'Espanha pacificos Reis e Senhores.E porém o conselho do Arcebispo de Lisboa, que depois foi Cardeal, e do duque marquez de Villa Viçosa por causas muitas que allegaram, foi que El-Rei em tempos de tanta devisão, e com tamanho pendor contrairo como tinha, não devia entrar em Castella nem aceitar a empresa d'ella, e leixala aos naturaes que a quizessem favorecer e soster. Pelo qual ante de se tomar final assento, acordou El-Rei de enviar primeiro como enviou a Castella Lopo d'Albuquerque, Camareiro-Mór, que depois foi conde de Penamacor, a saber quantos e quaes eram os cavalleiros da valia da Rainha D. Joana, e concertar-se com elles, e tomar d'elles certidão d'obediencia para em sua segurança, se parecesse razão, El-Rei entrar em Castella. E o dito Lopo d'Albuquerque, foi principalmente aderençado a D. Affonso Carrilho, Arcebispo de Toledo, e ao marquez de Vilhena, e ao duque do Infantado, que então era marquez de Santilhana,e ao duque e duquesa d'Arevallo, e a outros muitos de sua parentella e valia. Os quaes a este tempo eram todos declarados por a dita Rainha D. Joana, de que trouxe a El-Rei autenticas certidões, e promessas de casando com ella o servirem e obedecerem como a proprio Rei de Castella.CAPITULO CLXXIVComo El-Rei determinou todavia entrar em Castella, e dos requerimentos que logo enviou a El-Rei D. Fernando e á Rainha D. IsabelE com esta certidão com que o dito Lopo d'Albuquerque chegou a Évora, no Janeiro de mil e quatrocentos setenta e cinco, determinou El-Rei, pospostos outros muitos inconvenientes que com tudo se apontaram e se offereceram, todavia aceitar como aceitou a empreza, e sem escusa entrar em Castella, pelo qual mandou logo perceber os grandes e senhores, prelados, fidalgos, e cavalleiros, e gente outra de seus reinos, para na entrada do Maio logo seguinte serem em Arronches, por onde acordou d'entrar.E d'alli El-Rei por conselho que para isso teve, ante d'outro proseguimento enviou Ruy de Sousa a El-Rei D. Fernando, e á Rainha D. Isabel, que em Valhadolid estavam em festas e justas reaes, notificando-lhe como por ser casado com a Rainha D. Joana filha legitima d'El-Rei D. Anrique, os reinos de Castella lhe pertenciam, requerendo-os e amoestando-os com as razões e protestações que n'isso cabiam, que se fossem dos ditos reinos e lh'os leixassemlivres. A que os ditos Rei e Rainha, com outras razões que pareciam ser conformes a justiça e honestidade, responderam e outrosi requereram que elle não entrasse nos ditos reinos, que sómente a elles diziam que pertenciam. E em fim a determinação do feito ficou entre os Reis não a boas razões, nem justificação de Leis que apontassem, mas sómente a disposição e força das armas como se fez, e ao diante se dirá.CAPITULO CLXXVDe como El-Rei se foi a Arronches, por onde acordou d'entrar em CastellaEl-Reise foi na entrada do mez de Maio a Arronches, e com elle o Principe seu filho, a que deu as provisões que cumpriam para inteira governança e regimento do reino de Portugal em que ficava, e assi outras declarações secretas como por via de testamento, em que quiz e declarou que todalas graças e doações, que durando esta empresa e necessidade de Castella a quaesquer pessoas fizesse, que passassem de dez mil réis de renda, não sendo aprovadas, consentidas, e assinadas juntamente pelo dito Principe seu filho, fossem de nenhum valor, como cousas por constrangimento e sem vontade outorgadas.CAPITULO CLXXVIDe como a este tempo naceu o Principe D. Affonso neto d'El-ReiEstandoEl-Rei já prestes para d'Arronches mover com todo seu arraial, veio a elle e ao Principe certidão, que a Princesa D. Lianor pario o Infante D. Affonso em Lisboa, a XVIII dias de Maio de mil e quatrocentos setenta e cinco. Com que todo o Reino mostrou geralmente muita gloria e alegria. E por seu nacimento declarou logo El-Rei, sendo caso que o Principe D. João seu filho em sua vida fallecesse, a tempo que elle mesmo Rei tivesse outro filho lidimo da Rainha D. Joana sua esposa com que havia de casar, que ao dito Infante D. Affonso sempre pertencesse e viesse a sobcesão dos reinos de Portugal, e que para isso fosse logo jurado e obedecido, como depois o foi com a devida cerimonia e solemnidade, de que para uma cousa e para a outra se outorgaram e fizeram provisões e escripturas autenticas.CAPITULO CLXXVIIDa gente com que El-Rei entrou em Castella, e em que ordenança iaE com a gente que a El-Rei veiu e com elle se ajuntou em Arronches, e com a do duque de Guimarães e do conde de Marialva, e de Ruy Pereira e d'outros fidalgos, que atalhando pela comarca da Beira se foram ajuntar com El-Rei já emCastella, se fez de gente numero certo, ao todo de cinco mil e seiscentos de cavallo, e quatorze mil homens de pé, todos bem armados e encavalgados, e providos d'artilharias, armas e tendas, e de todo o mais que para guerra pertencia, e tudo em gram perfeição. E com os que eram em Arronches partiu, e foi ter o primeiro arraial em campo á fortaleza da Codiceira já em Castella, e de hi a Pedra Boa, d'onde o Principe se despedio d'El-Rei seu padre, e se veiu a Portugal; porque até alli sempre foi despachando o que lhe cumpria.E a ordenança da hoste e batalhas d'El-Rei iam n'esta maneira: diante ia logo Diogo de Bairros, Adail Mór com certos ginetes por descobridores. E após elle o marechal D. Fernando Coutinho, com guias e outra gente ordenada, por apousentador e assentador do arraial. E logo Vasco Martins de Sousa Chichorro, capitão dos ginetes d'El-Rei em sua batalha. A quem logo seguia o conde de Penamacôr, capitão da avanguarda d'El-Rei, após o qual seguia logo a carreagem.E a batalha real com suas reaes bandeiras tendidas iam no meio, na qual El-Rei o mais do tempo ia. E porém ás vezes com certos ginetes andava provendo de batalha em batalha, trazendo sempre de trás de si nas mãos de um page um guião de sua divisa, que foi um rodizio de moinho com gotas d'agoa derrador espargidas, que tomara pela Rainha D. Isabel sua mulher. E na reguarda ia o duque por Condestabre; porque em caso que D. João seu irmão tivesse o nome e servisse o officio nas villas e causas judiciaes, porém sempre no campo a priminencia do officio ficou ao duque.E além d'estas batalhas eram outras ordenadas ás allas da batalha d'El-Rei, em que iam de cada parte,D. Affonso conde de Faram, e D. Anrique de Menezes conde de Loulé, e D. Affonso de Vasconcellos conde de Penella, e o conde de Monsanto, e outros.CAPITULO CLXXVIII
De como o Infante D. Fernando passou por si em Africa, e tomou a cidade de Anafee
Do fallecimento do Infante D. Fernando, e dos filhos que d'elle ficaram
De como tendo El-Rei determinado passar em Africa, convertia a armada contra os inglezes pela tomada, das náos de Portugal, e desistiu d'isso pela morte do conde Baroique, e se ordenou a ida sobre Arzilla
De como El-Rei levou comsigo o Principe seu filho, e como embarcaram, e com que gente e frota
De como El-Rei tomou terra em Arzilla
De como a villa foi entrada, e o Principe foi armado cavalleiro, e morreram o conde de Marialva, e o conde de Monsanto e outros
De como Mollexeque vinha socorrer Arzila, e fez pazes com El-Rei D. Affonso
De como El-Rei foi certificado que os mouros de Tangere tinham leixado a cidade, e do que sobr'isso logo proveu, e de como se foi a ella, e de hi para o reino
De como a Infante D. Joana filha d'El-Rei foi metida no mosteiro de Odivellas, e de hi ao mosteiro d' Aveiro, e de outras cousas que El-Rei fez
Foi feito primeiro conde de Penella D. Affonso de Vasconcellos
Tomou o Principe D. João sua casa
De como houve embaixadas e vistas entre El-Rei de Castella e de Portugal, e sobre que
De como os ossos do Infante D. Fernando foram a estes reinos trazidos de Fez
Do fundamento que El-Rei D. Affonso teve para entrar em Castella por morte d' El-Rei D. Anrique
Como El-Rei determinou todavia entrar em Castella, e dos requerimentos que logo enviou a El-Rei D. Fernando e á Rainha D. Isabel
De como El-Rei se foi a Arronches, por onde acordou d'entrar em Castella
De como a este tempo naceu o Principe D. Affonso neto d'El-Rei
Da gente com que El-Rei entrou em Castella, e em que ordenança ia