The Project Gutenberg eBook ofElegia

The Project Gutenberg eBook ofElegiaThis ebook is for the use of anyone anywhere in the United States and most other parts of the world at no cost and with almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included with this ebook or online atwww.gutenberg.org. If you are not located in the United States, you will have to check the laws of the country where you are located before using this eBook.Title: ElegiaAuthor: Manuel Maria Barbosa du BocageRelease date: October 5, 2007 [eBook #22898]Language: PortugueseOriginal publication: Lisboa: Offic. De Lino Da Silva Godinho, 1790Credits: Produced by Tiago Tejo*** START OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK ELEGIA ***

This ebook is for the use of anyone anywhere in the United States and most other parts of the world at no cost and with almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included with this ebook or online atwww.gutenberg.org. If you are not located in the United States, you will have to check the laws of the country where you are located before using this eBook.

Title: ElegiaAuthor: Manuel Maria Barbosa du BocageRelease date: October 5, 2007 [eBook #22898]Language: PortugueseOriginal publication: Lisboa: Offic. De Lino Da Silva Godinho, 1790Credits: Produced by Tiago Tejo

Title: Elegia

Author: Manuel Maria Barbosa du Bocage

Author: Manuel Maria Barbosa du Bocage

Release date: October 5, 2007 [eBook #22898]

Language: Portuguese

Original publication: Lisboa: Offic. De Lino Da Silva Godinho, 1790

Credits: Produced by Tiago Tejo

*** START OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK ELEGIA ***

Produced by Tiago Tejo

* * * * *

LISBOANa Offic. de LINO DA SILVA GODINHO.

Com licença da Real Meza da Commissão Geral sobre o Exame, e Censura dos livros.

Horridas sombras, horridos vapores,Que enlutais estes ares carregadosPor onde vão fogindo os meus clamores;

Sinistras Aves, que funestos bradosEspalhais de Cyprestes luctuosos,Pela negra Tristeza bafejados;

A vós consagro os prantos dolorosos,Que meus olhos derramão contra a dura,Antiga ley dos Fados poderosos;

Antiga ley, que á feia sepulturaArroja sem respeito, e sem piedadeA Virtude, a Grandeza, a Formosura!

Aspera ley, que a pobre HumanidadeN'um momento, n'um átomo arremessaAo centro da medonha Eternidade!

Tremendissima ley, que tão depressaTroca em ais, e desgostos a alegria;Troca a Purpura em luto, o solio em Eça.

Ah! Nunca amanhecera o cruel dia,Esse dia fatal, que tu seguiste,Noite de espanto, noite de agonia.

Téjo, que foste da Tragédia tristeO Theatro infeliz, que he do Thesoiro,Que a meus olhos saudosos encobriste?

Ah! Não blazones das arêas de oiro,Se em ti contens o Heróe, que ao proprio MarteEsperava ganhar a palma, o loiro.

Jozé, que, reunindo a força, e a Arte,Feros Brutos indómitos domava,Sendo assombro de tudo em toda a parte;

Jozé, que os luzos Póvos alegrava,E que, sem recordar-se da grandeza,A todos brandamente agazalhava;

Jozé, com quem a sorte, e a naturezaForão tão liberaes, e em quem luziaResto feliz da gloria Portugueza.

Oh lugubre Destino! Oh Morte impia!Illustre, e velho Pai! Tua amarguraQuão rigorosa, quão cruel seria!

A macilenta clotho, a Parca duraTe roubou para sempre o Filho amado,O doce objecto da maior ternura.

Queixa-te, he justo, queixa-te do Fado,O negro caso deploravel chora,Em nossas faces pela Dor gravado;

Pragueja aquelle Monstro, que devoraOs miseros mortaes, dize-lhe… ah! antesAntes a summa Providencia adora.

Adora a quem nos Astros scintilantesErigio, colocou seu Throno eterno,O supremo Senhor dos Ceos brilhantes,

O Justo Deos, que com poder supernoEscondeo, ferrolhou perpetuamenteOs rebeldes espiritos no Inferno.

Elle, movendo o braço Omnipotente,O filho te chamou, que mereciaGloria immortal no Empireo reluzente.

Basta, excelso Marquez. Tua agoniaPela Fé seja em fim modificada,E por huma Christãa Filosofia.

Que tambem na minha alma atribuladaOiço o rizo da candida Esperança,Sinto a terrivel Dor mais aplacada.

E tu, Alma gentil, que na lembrançaTão presente me estás, Alma ditosa,Entre os Córos Angelicos descança.

Não precisa de lagrimas quem gozaDe eterna, de immortal Felicidade,Por isso he nossa dor infrutuosa;

Porém, com tudo, lá da Eternidade,Do centro da Ventura mais perfeita,Se te he possivel, feliz Alma, aceitaPróvas de Amor, effeitos da saudade.

Tudo acaba. Esse Monstro carrancudo,Próle do Avérno, effeito do Peccado,Tudo a cinza reduz, brandindo, irado,Com sanguinosas mãos o ferro agudo.

Oh fatal Desengano, horrendo, e mudo,Em pavorosos marmores gravado!Oh letreiros da Morte! Oh ley do Fado!He verdade, he verdade: acaba tudo.

Eis o nosso miserrimo Destino:Assim o ordena quem nos Ceos impéra;Basta, adoremos o Poder Divino.

Reprime os passos, caminhante, espera,E no Epitafio do infeliz JozinoLê o teu nada, o que tu és pondéra.

End of Project Gutenberg's Elegia, by Manuel Maria Barbosa du Bocage


Back to IndexNext