Chapter 2

Mar alto! Ondas quebradas e vencidasNum soluçar aflito e murmurado...Vôo de gaivotas, leve, imaculado,Como neves nos píncaros nascidas!Sol! Ave a tombar, azas já feridas,Batendo ainda num arfar pausado...Ó meu dôce poente torturadoRezo-te em mim, chorando, mãos erguidas!Meu verso de Samain cheio de graça,'Inda não és clarão já és luarComo um branco lilaz que se desfaça!Amôr! Teu coração trago-o no peito...Pulsa dentro de mim como este marNum beijo eterno, assim, nunca desfeito!...

Mar alto! Ondas quebradas e vencidasNum soluçar aflito e murmurado...Vôo de gaivotas, leve, imaculado,Como neves nos píncaros nascidas!Sol! Ave a tombar, azas já feridas,Batendo ainda num arfar pausado...Ó meu dôce poente torturadoRezo-te em mim, chorando, mãos erguidas!Meu verso de Samain cheio de graça,'Inda não és clarão já és luarComo um branco lilaz que se desfaça!Amôr! Teu coração trago-o no peito...Pulsa dentro de mim como este marNum beijo eterno, assim, nunca desfeito!...

Mar alto! Ondas quebradas e vencidasNum soluçar aflito e murmurado...Vôo de gaivotas, leve, imaculado,Como neves nos píncaros nascidas!

Sol! Ave a tombar, azas já feridas,Batendo ainda num arfar pausado...Ó meu dôce poente torturadoRezo-te em mim, chorando, mãos erguidas!

Meu verso de Samain cheio de graça,'Inda não és clarão já és luarComo um branco lilaz que se desfaça!

Amôr! Teu coração trago-o no peito...Pulsa dentro de mim como este marNum beijo eterno, assim, nunca desfeito!...

Tardinha... «Avè Maria, Mãe de Deus...»E reza a voz dos sinos e das noras...O sol que morre tem clarões d'auroras,Águia que bate as azas pelos ceus!Horas que tem a côr dos olhos teus...Horas evocadoras d'outras horas...Lembranças de fantásticos outroras,De sonhos que não tenho e que eram meus!Horas em que as saudades, p'las estradas,Inclinam as cabeças mart'risadasE ficam pensativas... meditando...Morrem verbenas silenciosamente...E o rubro sol da tua bôca ardenteVai-me a pálida bôca desfolhando...

Tardinha... «Avè Maria, Mãe de Deus...»E reza a voz dos sinos e das noras...O sol que morre tem clarões d'auroras,Águia que bate as azas pelos ceus!Horas que tem a côr dos olhos teus...Horas evocadoras d'outras horas...Lembranças de fantásticos outroras,De sonhos que não tenho e que eram meus!Horas em que as saudades, p'las estradas,Inclinam as cabeças mart'risadasE ficam pensativas... meditando...Morrem verbenas silenciosamente...E o rubro sol da tua bôca ardenteVai-me a pálida bôca desfolhando...

Tardinha... «Avè Maria, Mãe de Deus...»E reza a voz dos sinos e das noras...O sol que morre tem clarões d'auroras,Águia que bate as azas pelos ceus!

Horas que tem a côr dos olhos teus...Horas evocadoras d'outras horas...Lembranças de fantásticos outroras,De sonhos que não tenho e que eram meus!

Horas em que as saudades, p'las estradas,Inclinam as cabeças mart'risadasE ficam pensativas... meditando...

Morrem verbenas silenciosamente...E o rubro sol da tua bôca ardenteVai-me a pálida bôca desfolhando...

Viver!... Beber o vento e o sol!... ErguerAo ceu os corações a palpitar!Deus fez os nossos braços p'ra prender,E a bôca fez-se sangue p'ra beijar!A chama, sempre rubra, ao alto, a arder!...Azas sempre perdidas a pairar,Mais alto para as estrelas desprender!...A glória!... A fama!... O orgulho de crear!...Da vida tenho o mel e tenho os travosNo lago dos meus olhos de violetas,Nos meus beijos extáticos, pagãos!...Trago na bôca o coração dos cravos!Boémios, vagabundos, e poetas:—Como eu sou vossa Irmã, ó meus Irmãos!...

Viver!... Beber o vento e o sol!... ErguerAo ceu os corações a palpitar!Deus fez os nossos braços p'ra prender,E a bôca fez-se sangue p'ra beijar!A chama, sempre rubra, ao alto, a arder!...Azas sempre perdidas a pairar,Mais alto para as estrelas desprender!...A glória!... A fama!... O orgulho de crear!...Da vida tenho o mel e tenho os travosNo lago dos meus olhos de violetas,Nos meus beijos extáticos, pagãos!...Trago na bôca o coração dos cravos!Boémios, vagabundos, e poetas:—Como eu sou vossa Irmã, ó meus Irmãos!...

Viver!... Beber o vento e o sol!... ErguerAo ceu os corações a palpitar!Deus fez os nossos braços p'ra prender,E a bôca fez-se sangue p'ra beijar!

A chama, sempre rubra, ao alto, a arder!...Azas sempre perdidas a pairar,Mais alto para as estrelas desprender!...A glória!... A fama!... O orgulho de crear!...

Da vida tenho o mel e tenho os travosNo lago dos meus olhos de violetas,Nos meus beijos extáticos, pagãos!...

Trago na bôca o coração dos cravos!Boémios, vagabundos, e poetas:—Como eu sou vossa Irmã, ó meus Irmãos!...


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