Mar alto! Ondas quebradas e vencidasNum soluçar aflito e murmurado...Vôo de gaivotas, leve, imaculado,Como neves nos píncaros nascidas!Sol! Ave a tombar, azas já feridas,Batendo ainda num arfar pausado...Ó meu dôce poente torturadoRezo-te em mim, chorando, mãos erguidas!Meu verso de Samain cheio de graça,'Inda não és clarão já és luarComo um branco lilaz que se desfaça!Amôr! Teu coração trago-o no peito...Pulsa dentro de mim como este marNum beijo eterno, assim, nunca desfeito!...
Mar alto! Ondas quebradas e vencidasNum soluçar aflito e murmurado...Vôo de gaivotas, leve, imaculado,Como neves nos píncaros nascidas!Sol! Ave a tombar, azas já feridas,Batendo ainda num arfar pausado...Ó meu dôce poente torturadoRezo-te em mim, chorando, mãos erguidas!Meu verso de Samain cheio de graça,'Inda não és clarão já és luarComo um branco lilaz que se desfaça!Amôr! Teu coração trago-o no peito...Pulsa dentro de mim como este marNum beijo eterno, assim, nunca desfeito!...
Mar alto! Ondas quebradas e vencidasNum soluçar aflito e murmurado...Vôo de gaivotas, leve, imaculado,Como neves nos píncaros nascidas!
Sol! Ave a tombar, azas já feridas,Batendo ainda num arfar pausado...Ó meu dôce poente torturadoRezo-te em mim, chorando, mãos erguidas!
Meu verso de Samain cheio de graça,'Inda não és clarão já és luarComo um branco lilaz que se desfaça!
Amôr! Teu coração trago-o no peito...Pulsa dentro de mim como este marNum beijo eterno, assim, nunca desfeito!...
Tardinha... «Avè Maria, Mãe de Deus...»E reza a voz dos sinos e das noras...O sol que morre tem clarões d'auroras,Águia que bate as azas pelos ceus!Horas que tem a côr dos olhos teus...Horas evocadoras d'outras horas...Lembranças de fantásticos outroras,De sonhos que não tenho e que eram meus!Horas em que as saudades, p'las estradas,Inclinam as cabeças mart'risadasE ficam pensativas... meditando...Morrem verbenas silenciosamente...E o rubro sol da tua bôca ardenteVai-me a pálida bôca desfolhando...
Tardinha... «Avè Maria, Mãe de Deus...»E reza a voz dos sinos e das noras...O sol que morre tem clarões d'auroras,Águia que bate as azas pelos ceus!Horas que tem a côr dos olhos teus...Horas evocadoras d'outras horas...Lembranças de fantásticos outroras,De sonhos que não tenho e que eram meus!Horas em que as saudades, p'las estradas,Inclinam as cabeças mart'risadasE ficam pensativas... meditando...Morrem verbenas silenciosamente...E o rubro sol da tua bôca ardenteVai-me a pálida bôca desfolhando...
Tardinha... «Avè Maria, Mãe de Deus...»E reza a voz dos sinos e das noras...O sol que morre tem clarões d'auroras,Águia que bate as azas pelos ceus!
Horas que tem a côr dos olhos teus...Horas evocadoras d'outras horas...Lembranças de fantásticos outroras,De sonhos que não tenho e que eram meus!
Horas em que as saudades, p'las estradas,Inclinam as cabeças mart'risadasE ficam pensativas... meditando...
Morrem verbenas silenciosamente...E o rubro sol da tua bôca ardenteVai-me a pálida bôca desfolhando...
Viver!... Beber o vento e o sol!... ErguerAo ceu os corações a palpitar!Deus fez os nossos braços p'ra prender,E a bôca fez-se sangue p'ra beijar!A chama, sempre rubra, ao alto, a arder!...Azas sempre perdidas a pairar,Mais alto para as estrelas desprender!...A glória!... A fama!... O orgulho de crear!...Da vida tenho o mel e tenho os travosNo lago dos meus olhos de violetas,Nos meus beijos extáticos, pagãos!...Trago na bôca o coração dos cravos!Boémios, vagabundos, e poetas:—Como eu sou vossa Irmã, ó meus Irmãos!...
Viver!... Beber o vento e o sol!... ErguerAo ceu os corações a palpitar!Deus fez os nossos braços p'ra prender,E a bôca fez-se sangue p'ra beijar!A chama, sempre rubra, ao alto, a arder!...Azas sempre perdidas a pairar,Mais alto para as estrelas desprender!...A glória!... A fama!... O orgulho de crear!...Da vida tenho o mel e tenho os travosNo lago dos meus olhos de violetas,Nos meus beijos extáticos, pagãos!...Trago na bôca o coração dos cravos!Boémios, vagabundos, e poetas:—Como eu sou vossa Irmã, ó meus Irmãos!...
Viver!... Beber o vento e o sol!... ErguerAo ceu os corações a palpitar!Deus fez os nossos braços p'ra prender,E a bôca fez-se sangue p'ra beijar!
A chama, sempre rubra, ao alto, a arder!...Azas sempre perdidas a pairar,Mais alto para as estrelas desprender!...A glória!... A fama!... O orgulho de crear!...
Da vida tenho o mel e tenho os travosNo lago dos meus olhos de violetas,Nos meus beijos extáticos, pagãos!...
Trago na bôca o coração dos cravos!Boémios, vagabundos, e poetas:—Como eu sou vossa Irmã, ó meus Irmãos!...