Chapter 6

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Ha cousas que melhor se dizem calando; tal é a materia do capitulo anterior. Podem entendel-o os ambiciosos mallogrados. Se a paixão do poder é a mais forte de todas, como alguns inculcam, imaginem o desespero, a dôr, o abatimento do dia em que perdi a cadeira da camara dos deputados. Iam-se-me as esperanças todas; terminava a carreira politica. E notem que o Quincas Borba, por inducções philosophicas que fez, achou que a minha ambição não era a paixão verdadeira do poder, mas um capricho, um desejo de folgar. Na opinião delle, este sentimento, não sendo mais profundo que o outro, amofina muito mais, porque orça pelo amor que as mulheres tem ás rendas e toucados. Um Cromwell ou um Bonaparte, acrescentava elle, por isso mesmo que os queima a paixão do poder, lá chegam á fina força, ou pela escada da direita, ou pela da esquerda. Não era assim o meu sentimento; este, não tendo em si a mesma força, não tem a mesma certeza do resultado; e dahi a maior afflicção, o maior desencanto, a maior tristeza. O meu sentimento, segundo o Humanitismo...

—Vae para o diabo com o teu Humanitismo, interrompi-o; estou farto de philosophias que me não levam a cousa nenhuma.

A dureza da interrupção, tratando-se de tamanho philosopho, equivalia a um desacato; mas elle proprio desculpou a irritação com que lhe falei. Trouxeram-nos café; era uma hora da tarde, estavamos na minha sala de estudo, uma bella sala, que dava para o fundo da chacara, bons livros, objectos d'arte, um Voltaire entre elles, um Voltaire de bronze, que nessa occasião parecia accentuar o risinho de sarcasmo, com que me olhava, o ladrão; cadeiras excellentes; fóra, o sol, um grande sol, que o Quincas Borba, não sei se por chalaça ou poesia, chamou um dos ministros da natureza; corria um vento fresco, o ceu estava nitidamente azul. De cada janella,—eram trez—pendia uma gaiola com passaros, que chilreavam as suas operas rusticas. Tudo tinha a apparencia de uma conspiração das cousas contra o homem: e, comquanto eu estivesse naminhasala, olhando para aminhachacara, sentado naminhacadeira, ouvindo osmeuspassaros, ao pé dosmeuslivros, allumiado pelomeusol, não chegava a curar-me das saudades daquella outra cadeira, que não era minha.

—Mas, emfim, que pretendes fazer agora? perguntou-me o Quincas Borbas, indo pôr a chicara vazia no parapeito de uma das janellas.

Não sei; vou metter-me na Tijuca; fugir aos homens. Estou envergonhado, aborrecido. Tantos sonhos, meu caro Borba, tantos sonhos, e não sou nada.

—Nada! interrompeu-me o Quincas Borba com um gesto de indignação.

Para distrair-me, convidou-me a sair; saimos para os lados do Engenho Velho. Iamos a pé, philosophando as cousas. Nunca me hade esquecer o beneficio desse passeio, que me restituiu o socego e a força. A palavra daquelle grande homem era o cordial da sabedoria. Disse-me elle que eu não podia fugir ao combate; se me fechavam a tribuna, cumpria-me abrir um jornal. Chegou a usar uma expressão menos elevada, mostrando assim que a lingua philosophica podia, uma ou outra vez, retemperar-se no calão do povo. Funda um jornal, disse-me elle, e «desmancha toda esta egrejinha.»

—Magnifica idéa! Vou fundar um jornal, vou escachal-os, vou...

—Lutar. Pódes escachal-os ou não; o essencial é que lutes. Vida é luta. Vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal.

Dahi a pouco demos com uma briga de cães; facto que aos olhos de um homem vulgar não teria valor. O Quincas Borba fez-me parar e observar os cães. Eram dous. Notou que ao pé delles estava um osso, motivo da guerra, e não deixou de chamar a minha attenção para a circumstancia de que o osso não tinha carne. Um simples osso nú. Os cães mordiam-se, rosnavam, com o furor nos olhos... O Quincas Borba metteu a bengala debaixo do braço, encostou o queixo no castão, e parecia em extasis.

—Que bello que isto é! dizia elle de quando em quando.

Quiz arrancar-me dalli, mas não pude; elle estava arraigado ao chão, e só continuou a andar, quando a briga cessou inteiramente, e um dos cães, mordido e vencido, foi levar a sua fome a outra parte. Notei que ficára sinceramente alegre, posto contivesse a alegria, segundo convinha a um grande philosopho. Fez-me observar a belleza do espectaculo, relembrou o objecto da luta, concluiu que os cães tinham fome; mas a privação do alimento era nada para os effeitos geraes da philosophia. Nem deixou de recordar que em algumas partes do globo o espectaculo é mais grandioso: as creaturas humanas é que disputam aos cães os ossos e outros manjares menos appeteciveis; luta que se complica muito, porque entra em acção a intelligencia do homem, com todo o accumulo de sagacidade que lhe deram os seculos, etc.

Quanta cousa n'um minuete! como dizia o outro. Quanta cousa n'uma briga de cães! Mas eu não era um discipulo servil ou medroso, que deixasse de fazer uma ou outra objecção adequada. Andando, disse-lhe que tinha uma duvida; não estava bem certo da vantagem de disputar a comida aos cães. Elle respondeu-me com excepcional brandura:

—Disputai-a aos outros homens é mais logico, porque a condição dos contendores é a mesma, e leva o osso o que fôr mais forte. Mas porque não será um espectaculo grandioso disputal-o aos cães? Voluntariamente, comem-se gafanhotos, como o Precursor, ou cousa peor, como Ezequiel; logo, o ruim é comivel; resta saber se é mais digno do homem disputal-o, por virtude de uma necessidade natural, ou preferil-o, para obedecer a uma exaltação religiosa, isto é, modificavel, ao passo que a fome é eterna, como a vida e como a morte.

Estavamos á porta de casa; deram-me uma carta, dizendo que vinha de uma senhora. Entramos; e o Quincas Borba, com a discrição propria de um philosopho, foi ler a lombada dos livros de uma estante, emquanto eu lia a carta, que era de Virgilia:

«Meu bom amigo,«D. Placida está muito mal. Peço-lhe o favor de fazer alguma cousa por ella; mora no becco das Escadinhas; veja se alcança metei-a na Misericordia.Sua amiga sincera,[signature]

«Meu bom amigo,

«D. Placida está muito mal. Peço-lhe o favor de fazer alguma cousa por ella; mora no becco das Escadinhas; veja se alcança metei-a na Misericordia.

Sua amiga sincera,

[signature]

Não era a letra fina e correcta de Virgilia, mas grossa e desegual; o V da assignatura não passava de um rabisco sem intenção alphabetica; de maneira que, se a carta apparecesse, era mui difficil attribuir-lhe a autoria. Virei e revirei o papel. Pobre D. Placida! Mas eu tinha-lhe deixado os cinco contos da praia da Gamboa, e não podia comprehender que...

—Vaes comprehender, disse o Quincas Borba, tirando um livro da estante.

—O que? perguntei espantado.

—Vaes comprehender que eu só te disse a verdade. Pascal é um dos meus avós espirituaes; e, comquanto a minha philosophia valha mais que a delle, não posso negar que era um grande homem. Ora, que diz elle nesta pagina?—E, chapéu na cabeça, bengala sobraçada, apontava o logar com o dedo.—Que diz elle? Diz que o homem tem «uma grande vantagem sobre o resto do universo: sabe que morre, ao passo que o universo ignora-o absolutamente.» Vês? Logo, o homem que disputa o osso a um cão tem sobre este a grande vantagem de saber que tem fome; e é isto que torna grandiosa a luta, como eu dizia. «Sabe que morre» é uma expressão profunda; creio todavia que é mais profunda a minha expressão: sabe que tem fome. Porquanto, o facto da morte limita, por assim dizer, o entendimento humano; a consciencia da extincção dura um breve instante e acaba para nunca mais, ao passo que a fome tem a vantagem de voltar, de prolongar o estado consciente. Parece-me (se não vae nisso alguma immodestia), que a fórmula de Pascal é inferior á minha, sem todavia deixar de ser um grande pensamento, e Pascal um grande homem.

Emquanto elle restituia o livro á estante, relia eu o bilhete. Ao jantar, vendo que eu falava pouco, mastigava sem acabar de engulir, fitava o canto da sala, a ponta da meza, um prato, uma cadeira, uma mosca invisivel, disse-me elle:—Tens alguma cousa; aposto que foi aquella carta?—Foi. Realmente, sentia-me aborrecido, incommodado, com o pedido de Virgilia. Tinha dado a D. Placida cinco contos de réis; duvido muito que ninguem fosse mais generoso do que eu, nem tanto. Cinco contos! E que fizera delles? Naturalmente botou-os fóra, comeu-os em grandes festas, e agora toca para a Misericordia, e eu que a leve! Morre-se em qualquer parte. Accresce que eu não sabia, ou não me lembrava do tal becco das Escadinhas; mas, pelo nome, parecia-me algum recanto estreito e escuro da cidade. Tinha de lá ir, chamar a attenção dos visinhos, bater á porta, etc. Que massada! Não vou.

Mas a noite, que é boa conselheira, ponderou que a cortezia mandava obedecer aos desejos da minha antiga dama.

—Letras vencidas, urge pagal-as, disse eu ao levantar-me.

Depois do almoço fui á casa de D. Placida; achei um mólho de ossos, envolto em molambos, estendido sobre um catre velho e nauseabundo; dei-lhe algum dinheiro. No dia seguinte fil-a transportar para a Misericordia, onde ella morreu uma semana depois. Minto: amanheceu morta; saiu da vida ás escondidas, tal qual entrára. Outra vez perguntei, a mim mesmo, como no cap. LXXV, se era para isto que o sachristão da Sé e a doceira trouxeram D. Placida á luz, n'um momento de sympathia especifica. Mas adverti logo que, se não fosse D. Placida, talvez os meus amores com Virgilia tivessem sido interrompidos, ou immediatamente quebrados, em plena effervescencia; tal foi, portanto, a utilidade da vida de D. Placida. Utilidade relativa, convenho; mas que diacho ha absoluto nesse mundo?

Quanto aos cinco contos, não vale a pena dizer que um canteiro da visinhança fingiu-se enamorado de D. Placida, logrou espertar-lhe os sentidos, ou a vaidade, e casou com ella; no fim de alguns mezes inventou um negocio, vendeu as apolices e fugiu com o dinheiro. Não vale a pena. É o caso dos cães do Quincas Borba. Simples repetição de um capitulo.

Urgia fundar o jornal. Redigi o programma, que era uma applicação politica do Humanitismo; somente, como o Quincas Borba não houvesse ainda publicado o livro, (que aperfeiçoava de anno em anno) assentamos de lhe não fazer nenhuma referencia. O Quincas Borba exigiu apenas uma declaração, autographa e reservada, de que alguns principios novos applicados á politica eram tirados do livro delle, ainda inedito.

Era a fina flôr dos programmas; promettia curar a sociedade, destruir os abusos, defender os sãos principios de liberdade e conservação; fazia um appello ao commercio e á lavoura; citava Guizot e Ledru-Rollin e acabava com esta ameaça, que o Quincas Borba achou mesquinha e local: «A nova doutrina que professamos ha de inevitavelmente derribar o actual ministerio.» Confesso que, nas circumstancias politicas da occasião, o programma pareceu-me uma obra-prima. A ameaça do fim, que o Quincas Borba achou mesquinha, demonstrei-lhe que era saturada do mais puro Humanitismo, e elle mesmo o confessou depois. Porquanto, o Humanitismo não excluia nada; as guerras de Napoleão e uma contenda de cabras eram, segundo a nossa doutrina, a mesma sublimidade, com a differença que os soldados de Napoleão sabiam que morriam, cousa que apparentemente não acontece ás cabras. Ora, eu não fazia mais do que applicar ás circumstancias a nossa fórmula philosophica: Humanitas queria substituir Humanitas para consolação de Humanitas.

—Tu és o meu discipulo amado, o meu califa, bradou o Quincas Borba, com uma nota de ternura, que até então lhe não ouvira. Posso dizer como o grande Muhammed: nem que venham agora contra mim o sol e a lua, não recuarei das minhas idéas. Crê, meu caro Braz Cubas, que esta é a verdade eterna, anterior aos mundos, posterior aos seculos.

Mandei logo para a imprensa uma noticia discreta, dizendo que provavelmente começaria a publicação de um jornal opposicionista, dahi a algumas semanas, redigido pelo Dr. Braz Cubas. O Quincas Borba, a quem li a noticia, pegou da penna, e acrescentou ao meu nome, com uma fraternidade verdadeiramente humanistica, esta phrase: «um dos mais gloriosos membros da passada camara.»

No dia seguinte entra-me em casa o Cotrim. Vinha um pouco transtornado, mas dissimulava, affectando socego e até alegria. Vira a noticia do jornal, e achou que devia, como amigo e parente, dissuadir-me de semelhante idéa. Era um erro, um erro fatal. Mostrou que eu ia collocar-me n'uma situação difficil, e de certa maneira trancar as portas do parlamento. O ministerio, não só lhe parecia excellente, o que aliás podia não ser a minha opinião, mas com certeza viveria muito; e que podia eu ganhar com indispol-o contra mim? Sabia que alguns dos ministros me eram affeiçoados; não era impossivel uma vaga, e... Interrompi-o nesse ponto, para lhe dizer que meditára muito o passo que ia dar, e não podia recuar uma linha. Cheguei a propôr-lhe a leitura do programma, mas elle recusou energicamente, dizendo que não queria ter a minima parte no meu desatino.

—É um verdadeiro desatino, repetiu elle; pense ainda alguns dias, e verá que é um desatino.

A mesma cousa disse Sabina, á noite, no theatro. Deixou a filha no camarote, como Cotrim, e trouxe-me ao corredor.

—Mano Braz, que é que você vae fazer? perguntou-me afflicta. Que idéa é essa de provocar o governo, sem necessidade, quando podia....

Expliquei-lhe que não me convinha mendigar uma cadeira no parlamento; que a minha idéa era derrubar o ministerio, por não me parecer adequado á situação—e a certa fórmula philosophica; afiancei que empregaria sempre uma linguagem cortez, embora energica. A violencia não era especiaria do meu paladar. Sabina bateu com o leque na ponta dos dedos, abanou a cabeça, e tornou ao assumpto com um ar de supplica e ameaça, alternadamente; eu disse-lhe que não, que não, e que não. Desenganada, lançou-me em rosto preferir os conselhos de pessoas estranhas e invejosas aos della e do marido.—Pois siga o que, lhe parecer, concluiu; nós cumprimos a nossa obrigação. Deu-me as costas e voltou ao camarote.

Publiquei o jornal. Vinte e quatro horas depois, apparecia em outros uma declaração do Cotrim, dizendo, era substancia, que «posto não militasse em nenhum dos partidos em que se dividia a patria, achava conveniente deixar bem claro que não tinha influencia nem parte directa ou indirecta na folha de seu cunhado, o Dr. Braz Cubas, cujas idéas e procedimento politico inteiramente reprovava. O actual ministerio (como aliás qualquer outro composto de eguaes capacidades) parecia-lhe destinado a promover a felicidade publica.»

Não podia acabar de crer nos meus olhos. Esfreguei-os uma e duas vezes, e reli a declaração inopportuna, insolita e enigmatica. Se elle nada tinha com os partidos, que lhe importava um incidente tão vulgar como a publicação de uma folha? Nem todos os cidadãos que acham bom ou mau um ministerio fazem declarações taes pela imprensa, nem são obrigados a fazel-as. Realmente, era um mysterio a intrusão do Cotrim neste negocio, não menos que a sua aggressão pessoal. Nossas relações até então tinham sido lhanas e benevolas; não me lembrava nenhum dissentimento, nenhuma sombra, nada, depois da reconciliação. Ao contrario, as recordações eram de verdadeiros obsequios; assim, por exemplo, sendo eu deputado, pude obter-lhe uns fornecimentos para o arsenal de marinha, fornecimentos que elle continuava a fazer com a maior pontualidade, e dos quaes me dizia algumas semanas antes, que no fim de mais trez annos, podiam dar-lhe uns duzentos contos. Pois a lembrança de tamanho obsequio não teve força para obstar que elle viesse a publico enxovalhar o cunhado? Devia ser mui poderoso o motivo da declaração, que o fazia commetter ao mesmo tempo um destempero e uma ingratidão; confesso que era um problema insoluvel...

... Tão insoluvel que o Quincas Borba não pôde dar com elle, apezar de estudal-o longamente e com boa vontade.—Ora adeus! concluiu; nem todos os problemas valem cinco minutos de attenção.

Quanto á censura de ingratidão, o Quincas Borba rejeitou-a inteiramente, não como improvavel, mas como absurda, por não obedecer ás conclusões de uma boa philosophia humanistica:

—Não me pódes negar um facto, disse elle; é que o prazer do beneficiador é sempre maior que o do beneficiado. Que é o beneficio? é um acto que faz cessar certa privação do beneficiado. Uma vez produzido o effeito essencial, isto é, uma vez cessada a privação, torna o organismo ao estado anterior, ao estado indifferente. Suppõe que tens apertado em demasia o cós das calças; para fazer cessar o incommodo, desabotôas o cós, respiras, saboreas um instante de gozo, o organismo torna á indifferença, e não te lembras dos teus dedos que praticaram o acto. Não havendo nada que perdure, é natural que a memoria se esvaeça, porque ella não é uma planta aerea, precisa de chão. A esperança de outros favores, é certo, conserva sempre no beneficiado a lembrança do primeiro; mas este facto, aliás um dos mais sublimes que a philosophia póde achar em seu caminho, explica-se pela memoria da privação, ou, usando de outra fórmula, pela privação continuada na memoria, que repercute a dor passada e aconselha a precaução do remedio opportuno. Não digo que, ainda sem esta circumstancia, não aconteça, algumas vezes, persistir a memoria do obsequio, acompanhada de certa affeição mais ou menos intensa; mas são verdadeiras aberrações, sem nenhum valor aos olhos de um philosopho.

—Mas, repliquei eu, se nenhuma razão ha para que perdure a memoria do obsequio no obsequiado, menos ha de haver em relação ao obsequiador. Quizera que me explicasses este ponto.

—Não se explica o que é de sua natureza evidente, retorquiu o Quincas Borba; mas eu direi alguma cousa mais. A persistencia do beneficio na memoria de quem o exerce explica-se pela natureza mesma do beneficio e seus effeitos. Primeiramente, ha o sentimento de uma boa acção, e deductivamente a consciencia de que somos capazes de boas acções; em segundo logar, recebe-se uma convicção de superioridade sobre outra creatura, superioridade no estado e nos meios; e esta é uma das cousas mais legitimamente agradaveis, segundo as melhores opiniões, ao organismo humano. Erasmo, que no seuElogio da Sandiceescreveu algumas cousas boas, chamou a attenção para a complacencia com que dois burros se coçam um ao outro. Estou longe de rejeitar essa observação de Erasmo; mas direi o que elle não disse, a saber, que se um dos burros coçar melhor o outro, esse ha de ter nos olhos algum indicio especial de satisfação. Porque é que uma mulher bonita olha muitas vezes para o espelho, senão porque se acha bonita, e porque isso lhe dá certa superioridade sobre uma multidão de outras mulheres menos bonitas ou absolutamente feias? A consciencia é a mesma cousa; remira-se a miudo, quando se acha bella. Nem o remorso é outra cousa mais do que o trejeito de uma consciencia que se vê hedionda. Não esqueças que, sendo tudo uma simples irradiação de Humanitas, o beneficio e seus effeitos, são phenomenos perfeitamente admiraveis.

Ha em cada empreza, affeição ou edade um cyclo inteiro da vida humana. O primeiro numero do meu jornal encheu-me a alma de uma vasta aurora, coroou-me de verduras, restituiu-me a lepidez da mocidade. Seis mezes depois batia a hora da velhice, e dahi a duas semanas a da morte, que foi clandestina, como a de D. Placida. No dia em que o jornal amanheceu morto, respirei como um homem que vem de longo caminho. De modo que, se eu disser que a vida humana nutre de si mesma outras vidas, mais ou menos ephemeras, como o corpo alimenta os seus parasitas, creio não dizer uma cousa inteiramente absurda. Mas, para não arriscar essa figura menos nitida e adequada, prefiro uma imagem astronomica: o homem executa á roda do grande mysterio um movimento duplo de rotação e translação; tem os seus dias, deseguaes como os de Jupiter, e delles compõe o seu anno mais ou menos longo.

No momento em que eu terminava o meu movimento de rotação, concluia o Lobo Neves o seu movimento de translação. Morria com o pé na escada ministerial. Correu ao menos, durante algumas semanas, que elle ia ser ministro; e pois que o boato me encheu de muita irritação e inveja, não é impossivel que a noticia da morte me deixasse alguma tranquillidade, allivio, e um ou dous minutos de prazer. Prazer é muito, mas é verdade; juro aos seculos que é a pura verdade.

Fui ao enterro. Na sala mortuaria achei Virgilia, ao pé do feretro, a soluçar. Quando levantou a cabeça, vi que chorava deveras. Ao sair o enterro, abraçou-se ao caixão, afflicta; vieram tiral-a e leval-a para dentro. Digo-vos que as lagrimas eram verdadeiras. Eu fui ao cemiterio; e, para dizer tudo, não tinha muita vontade de falar; levava uma pedra na garganta ou na consciencia. No cemiterio, principalmente quando deixei cair a pá de cal sobre o caixão, no fundo da cova, o baque surdo da cal deu-me um estremecimento passageiro, é certo, mas desagradavel; e depois a tarde tinha o peso e a côr do chumbo; o cemiterio, as roupas pretas...

Saí, afastando-me dos grupos, e fingindo ler os epitaphios. E, aliás, gosto dos epitaphios; elles são, entre a gente civilisada, uma expressão daquelle pio e secreto egoismo que induz o homem a arrancar á morte um farrapo ao menos da sombra que passou. Dahi vem, talvez, a tristeza inconsolavel dos que levam os seus mortos á valla commum; parece-lhes que a podridão anonyma os alcança a elles mesmos.

Tinham ido todos; só o meu carro esperava pelo dono. Accendi um charuto; afastei-me do cemiterio. Não podia sacudir dos olhos a ceremonia do enterro, nem dos ouvidos os soluços de Virgilia. Os soluços, principalmente, tinham o som vago e mysterioso de um problema. Virgilia trahira o marido, com sinceridade; e agora chorava-o com sinceridade. Eis uma combinação difficil que não pude fazer em todo o trajecto; em casa, porém, apeando-me do carro, suspeitei que a combinação era possivel, e até facil. Meiga Natura! A taxa da dor é como a moeda de Vespasiano; não cheira á origem, e tanto se colhe do mal como do bem. A moral reprehenderá, porventura, a minha complice; é o que te não importa, implacavel amiga, uma vez que lhe recebeste pontualmente as lagrimas. Meiga, tres vezes meiga Natura!

Começo a ficar pathetico; e prefiro dormir. Dormi, sonhei que era nababo, e acordei com a idéa de ser nababo. Eu gostava, ás vezes, de imaginar esses contrastes de região, estado e credo. Alguns dias antes tinha pensado na hypothese de uma revolução social, religiosa e politica, que transferisse o arcebispo de Cantuaria a simples collector de Petropolis, e fiz longos calculos para saber se o collector eliminaria o arcebispo, ou se o arcebispo rejeitaria o collector, ou que porção de arcebispo póde jazer n'um collector, ou que somma de collector póde combinar com um arcebispo, etc. Questões insoluveis, apparentemente, mas na realidade perfeitamente soluveis, desde que se attenda que póde haver n'um arcebispo dous arcebispos,—o da bulla e o outro. Está dito, vou ser nababo.

Era um simples gracejo; disse-o, todavia, ao Quincas Borba, que olhou para mim com certa cautella e pena, levando a sua bondade a communicar-me que eu estava doudo. Ri-me a principio; mas a nobre convicção do philosopho incutiu-me certo medo. A unica objecção contra a palavra do Quincas Borba é que não me sentia doudo, mas não tendo geralmente os doudos outro conceito de si mesmos, tal objecção ficava sem valor. E vêde se ha algum fundamento na crença popular de que os philosophos são homens alheios ás cousas minimas. No dia seguinte mandou-me o Quincas Borba um alienista. Conhecia-o, fiquei aterrado. Elle porém houve-se com a maior delicadeza e habilidade, despedindo-se tão alegremente que me animou a perguntar-lhe se deveras me não achava doudo.

—Não, disse elle sorrindo; raros homens terão tanto juizo como o senhor.

—Então o Quincas Borba enganou-se?

—Redondamente. E depois:—Ao contrario, se é amigo delle... peço-lhe que o distraia... que...

—Justos ceus! Parece-lhe?... Um homem de tamanho espirito! um philosopho!

Não importa; a loucura entra em todas as casas. Imaginem a minha afflicção. O alienista, vendo o effeito de suas palavras, reconheceu que eu era amigo do Quincas Borba, e tratou de diminuir a gravidade da advertencia. Observou que podia não ser nada, e accrescentou até que um grãosinho de sandice, longe de fazer mal, dava certo pico á vida. Como eu rejeitasse com horror esta opinião, o alienista sorriu e disse-me uma cousa tão extraordinaria, tão extraordinaria, que não merece menos de um capitulo.

—Ha de lembrar-se, disse-me o alienista, daquelle famoso maniaco atheniense, que suppunha que todos os navios entrados no Pireu eram de sua propriedade. Não passava de um pobretão, que talvez não tivesse, para dormir, a cuba de Diogenes; mas a posse imaginaria dos navios valia por todas as drachmas da Hellade. Ora bem, ha em todos nós um maniaco de Athenas; e quem jurar que não possuiu alguma vez, mentalmente, dous ou tres patachos, pelo menos, póde crer que jura falso.

—Tambem o senhor? perguntei-lhe.

—Tambem eu.

—Tambem eu?

—Tambem o senhor; e o seu criado, não menos, se é seu criado esse homem que alli está sacudindo os tapetes á janella.

De facto, era um dos meus criados que batia os tapetes, emquanto nós falavamos no jardim, ao lado. O alienista notou então que elle escancarára as janellas todas, desde longo tempo, que alçára as cortinas, que devassára o mais possivel a sala, ricamente alfaiada, para que a vissem de fóra, e concluiu:—Este seu criado tem a mania do atheniense: crê que os navios são delle; uma hora de illusão que lhe dá a maior felicidade da terra.

—Se o alienista tem razão, disse eu commigo, não haverá muito que lastimar o Quincas Borba; e uma questão de mais ou de menos. Comtudo, é justo cuidar delle, e evitar que lhe entrem no cerebro maniacos de outras paragens.

Orgulho tem servilidade

O Quincas Borba divergiu do alienista em relação ao meu criado.—Póde-se, por imagem, disse elle, attribuir ao teu criado a mania de atheniense; mas imagens não são idéas nem observações tomadas á natureza. O que o teu criado tem é um sentimento nobre e perfeitamente regido pelas leis do Humanitismo: é o orgulho da servilidade. A intenção delle é mostrar que não é criado dequalquer.—Depois chamou a minha attenção para os cocheiros de casa grande, mais impertigados que o amo, para os criados de hotel, cuja solicitude obedece ás variações sociaes da freguezia, etc. E concluiu que era tudo a expressão daquelle sentimento delicado e nobre,—prova cabal de que muitas vezes o homem, ainda a engraxar botas, é sublime.

—Sublime és tu, bradei eu, lançando-lhe os braços ao pescoço.

Com effeito, era impossivel crer que um homem tão profundo pudesse chegar á demencia; e foi o que lhe disse após o meu abraço, denunciando-lhe a suspeita do alienista. Não posso descrever a impressão que lhe fez a denuncia; lembra-me que elle estremeceu e ficou muito pallido.

Foi por esse tempo que eu me reconciliei outra vez com o Cotrim, sem chegar a saber a causa do dissentimento. Reconciliação opportuna, porque a solidão pesava-me, como um remorso, e a vida era para mim a peor das fadigas, que é a fadiga sem trabalho. Pouco depois fui convidado por elle a filiar-me n'uma Ordem Terceira; o que eu não fiz sem consultar o Quincas Borba:

—Vae se queres, disse-me este, mas temporariamente. Eu trato de annexar á minha philosophia uma parte dogmatica e liturgica. O Humanitismo ha de ser tambem uma religião, a do futuro, a unica verdadeira. O christianismo é bom para as mulheres e os mendigos, e as outras religiões não valem mais do que essa: orçam todas pela mesma vulgaridade ou fraqueza. O paraiso christão é um digno emulo do paraiso mussulmano; e quanto ao nirvana de Buddha não passa de uma concepção de paralyticos. Verás o que é a religião humanistica. A absorpção final, a phasecontractiva, é a reconstituição da substancia, não o seu anniquilamento, etc. Vae aonde te chamam; não esqueças, porém, que és o meu califa.

E vede agora a minha, modestia; filiei-me na Ordem Terceira de ***, exerci alli alguns cargos, foi essa a phase mais brilhante da minha vida. Não obstante, calo-me, não digo nada, não conto os meus serviços, o que fiz aos pobres e aos enfermos, nem as recompensas que recebi, nada, não digo absolutamente nada.

Talvez a economia social pudesse ganhar alguma cousa, si eu mostrasse como todo e qualquer premio estranho vale pouco ao lado do premio subjectivo e immediato; mas seria romper o silencio que jurei guardar neste ponto. Demais, os phenomenos da consciencia são de difficil analyse; por outro lado, se contasse um, teria de contar todos os que a elle se prendessem, e acabava fazendo um capitulo de psychologia. Affirmo sómente que foi a phase mais brilhante da minha vida. Os quadros eram tristes; tinham a monotonia da desgraça, que é tão aborrecida como a do gozo, e talvez peor. Mas a alegria que se dá á alma dos doentes e dos pobres, é recompensa de algum valor; e não me digam que é negativa, por só recebel-a o obsequiado. Não; eu recebia-a de um modo reflexo, e ainda assim grande, tão grande que me dava excellente idéa de mim mesmo.

No fim de alguns annos, tres ou quatro, estava enfarado do officio, e deixei-o, não sem um donativo importante, que me deu direito ao retrato na sacristia. Não acabarei, porém, o capitulo sem dizer que vi morrer no hospital da Ordem, adivinhem quem?... a linda Marcella; e vi-a morrer no mesmo dia em que, visitando um cortiço, para distribuir esmolas, achei... Agora é que não são capazes de adivinhar... achei a flôr da moita, Eugenia, a filha de D. Eusebia e do Villaça, tão coxa como a deixara, e ainda mais triste.

Esta, ao reconhecer-me, ficou pallida, e baixou os olhos; mas foi obra de um instante. Ergueu logo a cabeça, e fitou-me com muita dignidade. Comprehendi que não receberia esmolas da minha algibeira, e estendi-lhe a mão, como faria á esposa de um capitalista. Cortejou-me e fechou-se no cubiculo. Nunca mais a vi; não soube nada da vida della, nem se a mãe era morta, nem que desastre a trouxera a tamanha miseria. Sei que continuava coxa e triste. Foi com esta impressão profunda que cheguei ao hospital, onde Marcella entrara na vespera, e onde a vi expirar meia hora depois, feia, magra, decrepita...

Comprehendi que estava velho, e precisava de uma força; mas o Quincas Borba partira seis mezes antes para Minas Geraes, e levou comsigo a melhor das philosophias. Voltou quatro mezes depois, e entrou-me em casa, certa manhã, quasi no estado em que eu o vira no Passeio Publico. A differença é que o olhar era outro. Vinha demente. Contou-me que, para o fim de aperfeiçoar o Humanitismo, queimára o manuscripto todo e ia recomeçal-o. A parte dogmatica ficava completa, embora não escripta; era a verdadeira religião do futuro.

—Juras por Humanitas? perguntou-me.

—Sabes que sim.

A voz mal podia sair-me do peito; e aliás não tinha descoberto toda a cruel verdade. O Quincas Borba não só estava louco, mas sabia que estava louco, e esse resto de consciencia, como uma frouxa lamparina no meio das trevas, complicava muito o horror da situação. Sabia-o, e não se irritava contra o mal; ao contrario, dizia-me que era ainda uma prova de Humanitas, que assim brincava comsigo mesmo. Recitava-me longos capitulos do livro, e antiphonas, e litanias espirituaes; chegou até a reproduzir uma dansa sacra que inventara para as ceremonias do Humanitismo. A graça lugubre com que elle levantava e sacudia as pernas era singularmente fantastica. Outras vezes amuava-se a um canto, com os olhos fitos no ar, uns olhos em que, de longe em longe, fulgurava um raio persistente da razão, triste como uma lagrima...

Morreu pouco tempo depois, em minha casa, jurando e repetindo sempre que a dor era uma illusão, e que Pangloss, o calumniado Pangloss, não era tão tolo como o suppoz Voltaire.

Entre a morte do Quincas Borba e a minha, mediaram os successos narrados na primeira parte do livro. O principal delles foi a invenção doemplasto Braz Cubas, que morreu commigo, por causa da molestia que apanhei. Divino emplasto, tu me darias o primeiro logar entre os homens, acima da sciencia e da riqueza, porque eras a genuina e directa inspiração do ceu. O acaso determinou o contrario; e ahi vos ficaes eternamente hypocondriacos.

Este ultimo capitulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais: não padeci a morte de D. Placida, nem a semi-demencia do Quincas Borba. Sommadas umas cousas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve mingua nem sobra, e conseguintemente que sai quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mysterio, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capitulo de negativas:—Não tive filhos, não transmitti a nenhuma creatura o legado da nossa miseria.

Ao leitor

Dedicatória

I—Obito do autoII—O emplastoIII—GenealogiaIV—A idéa fixaV—Em que apparece a orelha de uma senhoraVI—Chimène, qui l'eut dit? Rodrigue, qui l'eut cru?VII—O delirioVIII—Razão contra SandiceIX—TransiçãoX—Naquelle diaXI—O menino é pae do homemXII—Um episodio de 1814XIII—Um saltoXIV—O primeiro beijoXV—MarcellaXVI—Uma reflexão immoralXVII—Do trapezio o outras cousasXVIII—Visão do corredorXIX—A bordoXX—Bacharelo-meXXI—O almocreveXXII—Volta ao RioXXIII—Triste, mas curtoXXIV—Curto, era alegreXXV—Na TijucaXXVI—O autor hesitaXXVII—Virgilia?XXVIII—Contanto queXXIX—A visitaXXX—A flor da moitaXXXI—A borboleta pretaXXXII—Côxa de nascençaXXXIII—Bem aventurados os que não descemXXXIV—A uma alma sensivelXXXV—O caminho de DamascoXXXVI—A proposito de botasXXXVII—Emfim!XXXVIII—A quarta ediçãoXXXIX—O visinhoXL—Na segeXLI—A allucinaçãoXLII—Que escapou a AristotelesXLIII—Marqueza, porque eu serei marquezXLIV—Um Cubas!XLV—NotasXLVI—A herançaXLVII—O reclusoXLVIII—Um primo de VirgiliaXLIX—A ponta do narizL—Virgilia casadaLI—É minha!LII—O embrulho mysteriosoLIII—. . . . . .LIV—A pendulaLV—O velho dialogo de Adão e EvaLVI—O momento opportunoLVII—DestinoLVIII—ConfidenciaLIX—Um encontroLX—O abraçoLXI—Um projectoLXII—O travesseiroLXIII—Fujamos!LXIV—A transacçãoLXV—Olheiros e escutasLXVI—As pernasLXVII—A casinhaLXVIII—O vergalhoLXIX—Um grão de sandiceLXX—D. PlacidaLXXI—O senão do livroLXXII—O bibliomanoLXXIII—OlunchLXXIV—Historia de D. PlacidaLXXV—CommigoLXXVI—O estrumeLXXVII—EntrevistaLXXVIII—A presidenciaLXXIX—Compromisso de gatoLXXX—De secretarioLXXXI—A reconciliaçãoLXXXII—Questão de botanicaLXXXIII—13LXXXIV—O conflictoLXXXV—O cimo da montanhaLXXXVI—O mysterioLXXXVII—GeologiaLXXXVIII—O enfermoLXXXIX—In extremisXC—O velho colloquio do Adão e CaimXCI—Uma carta extraordinariaXCII—Um homem extraordinarioXCIII—O jantarXCIV—A causa secretaXCV—Flores de antanhoXCVI—A carta anonymaXCVII—Entre a boca e a testaXCVIII—SupprimidoXCIX—Na plateiaC—O caso provavelCI—A revolução dalmataCII—De repousoCIII—DistracçãoCIV—Era elle!CV—Equivalencia das janellasCVI—Jogo perigosoCVII—BilheteCVIII—Que se não entendeCIX—O philosophoCX—31CXI—O muroCXII—A opiniãoCXIII—A soldaCXIV—Fim do um dialogoCXV—O almoçoCXVI—Philosophia das folhas velhasCXVII—O HumanitismoCXVIII—A terceira forçaCXIX—ParenthesisCXX—Compelle intrareCXXI—Morro abaixoCXXII—Uma intenção mui finaCXXIII—O verdadeiro CotrimCXXIV—Vá de intermedioCXXV—EpitaphioCXXVI—DesconsolaçãoCXXVII—FormalidadeCXXVIII—Na camaraCXXIX—Sem remorsosCXXX—Por intercallar no cap. CXXIXCXXXI—De uma calumniaCXXXII—Que não é serioCXXXIII—O principio de HelvetiusCXXXIV—Cincoenta annosCXXXV—OblivionCXXXVI—InutilidadeCXXXVII—A barretinaCXXXVIII—A um criticoCXXXIX—De como não fui ministro d'EstadoCXL—Que explica o anteriorCXLI—Os cãesCXLII—O pedido secretoCXLIII—Não vouCXLIV—Utilidade relativaCXLV—Simples repetiçãoCXLVI—O programmaCXLVII—O desatinoCXLVIII—O problema insoluvelCXLIX—Theoria do beneficioCL—Rotação e translaçãoCLI—Philosophia dos epitaphiosCLII—A moeda de VespasianoCLIII—O alienistaCLIV—Os navios do PireuCLV—Reflexão cordialCLVI—Orgulho da servilidadeCLVII—Phase brilhanteCLVIII—Dous encontrosCLIX—A semi-demenciaCLX—Das negativas


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