(A Salomão Sáragga)
Onde te escondes? Eis que em vão clamamos,Suspirando e erguendo as mãos em vão!Já a voz enrouquece e o coraçãoEstá cançado—e já desesperamos…
Por céo, por mar e terras procuramosO Espirito que enche a solidão,E só a propria voz na immensidãoFatigada nos volve… e não te achamos!
Céos e terra, clamai, aonde? aonde?—Mas o Espirito antigo só responde,Em tom de grande tedio e de pezar:
—Não vos queixeis, ó filhos da anciedade,Que eu mesmo, desde toda a eternidade,Tambem me busco a mim… sem me encontrar!
(A João de Deus)
Muito longe d'aqui, nem eu sei quando,Nem onde era esse mundo, em que eu vivia…Mas tão longe… que até dizer podiaQue emquanto lá andei, andei sonhando…
Porque era tudo ali aereo e brando,E lucida a existencia amanhecia…E eu… leve como a luz… até que um diaUm vento me tomou, e vim rolando…
Cahi e achei-me, de repente, involtoEm lucta bestial, na arena fera,Onde um bruto furor bramia solto.
Senti um monstro em mim nascer n'essa hora,E achei-me de improviso feito fera…—É assim que rujo entre leões agora!
(A Guerra Junqueiro)
Para além do Universo luminoso,Cheio de fórmas, de rumor, de lida,De forças, de desejos e de vida,Abre-se como um vacuo tenebroso.
A onda d'esse mar tumultuosoVem ali expirar, esmaecida…N'uma immobilidade indefinidaTermina ali o ser, inerte, ocioso…
E quando o pensamento, assim absorto,Emerge a custo d'esse mundo mortoE torna a olhar as cousas naturaes,
Á bella luz da vida, ampla, infinita,Só vê com tedio, em tudo quanto fita,A illusão e o vasio universaes.
(A Alberto Sampaio)
Chamei em volta do meu frio leitoAs memorias melhores de outra edade,Fórmas vagas, que ás noites, com piedade,Se inclinam, a espreitar, sobre o meu peito…
E disse-lhes:—No mundo immenso e estreitoValia a pena, acaso, em anciedadeTer nascido? dizei-mo com verdade,Pobres memorias que eu ao seio estreito…
Mas ellas perturbaram-se—coitadas!E empallideceram, contristadas,Ainda a mais feliz, a mais serena…
E cada uma d'ellas, lentamente,Com um sorriso morbido, pungente,Me respondeu:—Não, não valia a pena!
Divina comedia
(Ao Dr. José Falcão)
Erguendo os braços para o céo distanteE apostrophando os deuses invisiveis,Os homens clamam:—«Deuses impassiveis,A quem serve o destino triumphante,
Porque é que nos criastes?! IncessanteCorre o tempo e só gera, inestinguiveis,Dor, peccado, illusão, luctas horriveis,N'um turbilhão cruel e delirante…
Pois não era melhor na paz clementeDo nada e do que ainda não existe,Ter ficado a dormir eternamente?
Porque é que para a dor nos evocastes?»Mas os deuses, com voz inda mais triste,Dizem:—«Homens! porque é que nos criastes?»
(A J. M. Eça de Queiroz)
Eu vi o Amor—mas nos seus olhos baçosNada sorria já: só fixo e lentoMorava agora ali um pensamentoDe dor sem tregoa e de intimos cançaços.
Pairava, como espectro, nos espaços,Todo envolto n'um nimbo pardacento…Na attitude convulsa do tormento,Torcia e retorcia os magros braços…
E arrancava das aras destroçadasA uma e uma as pennas maculadas,Soltando a espaços um soluço fundo,
Soluço de odio e raiva impenitentes…E do phantasma as lagrimas ardentesCahiam lentamente sobre o mundo!
1880—1884
Transcendentalismo
(A J. P. Oliveira Martins)
Já socega, depois de tanta lucta,Já me descança em paz o coração.Cahi na conta, emfim, de quanto é vãoO bem que ao Mundo e á Sorte se disputa.
Penetrando, com fronte não enxuta,No sacrario do templo da Illusão,Só encontrei, com dor e confusão,Trevas e pó, uma materia bruta…
Não é no vasto mundo—por immensoQue elle pareça á nossa mocidade—Que a alma sacia o seu desejo intenso…
Na esphera do invisivel, do intangivel,Sobre desertos, vacuo, soledade,Vôa e paira o espirito impassivel!
(A Santos Valente)
Fui rocha, em tempo, e fui, no mundo antigo,Tronco ou ramo na incognita floresta…Onda, espumei, quebrando-me na arestaDo granito, antiquissimo inimigo…
Rugi, fera talvez, buscando abrigoNa caverna que ensombra urze e giesta;Ou, monstro primitivo, ergui a testaNo limoso paúl, glauco pacigo…
Hoje sou homem—e na sombra enormeVejo, a meus pés, a escada multiforme,Que desce, em espiraes, na immensidade…
Interrogo o infinito e ás vezes chóro…Mas, estendendo as mãos no vacuo, adoroE aspiro unicamente á liberdade.
Elogio da Morte
Morrer é ser iniciado.
Anthologia Grega.
Altas horas da noite, o InconscienteSacode-me com força, e accórdo em susto.Como se o esmagassem de repente,Assim me pára o coração robusto.
Não que de larvas me povôe a menteEsse vacuo nocturno, mudo e augusto,Ou forceje a razão por que afugenteAlgum remorso, com que encara a custo…
Nem phantasmas nocturnos visionarios,Nem desfilar de espectros mortuarios,Nem dentro de mim terror de Deus ou Sorte…
Nada! o fundo dum poço, humido e morno,Um muro de silencio e treva em torno,E ao longe os passos sepulcraes da Morte.
Na floresta dos sonhos, dia a dia,Se interna meu dorido pensamento.Nas regiões do vago esquecimentoMe conduz, passo a passo, a phantasia.
Atravesso, no escuro, a nevoa friaD'um mundo estranho, que povôa o vento,E meu queixoso e incerto sentimentoSó das visões da noite se confia.
Que mysticos desejos me enlouquecem?Do Nirvâna os abysmos apparecem,A meus olhos, na muda immensidade!
N'esta viagem pelo ermo espaço,Só busco o teu encontro e o teu abraço,Morte! irman do Amor e da Verdade!
Eu não sei quem tu és—mas não procuro(Tal é minha confiança) devassal-o.Basta sentir-te ao pé de mim, no escuro,Entre as fórmas da noite, com quem falo.
Atravez do silencio frio e obscuroTeus passos vou seguindo, e, sem abalo,No cairel dos abysmos do FuturoMe inclino á tua voz, para sondal-o.
Por ti me engolfo no nocturno mundoDas visões da região innominada,A ver se fixo o teu olhar profundo…
Fixal-o, comprehendel-o, basta uma hora,Funerea Beatriz de mão gelada…Mas unica Beatriz consoladora!
Longo tempo ignorei (mas que cegueiraMe trazia este espirito ennublado!)Quem fosses tu, que andavas a meu lado,Noite e dia, impassivel companheira…
Muitas vezes, é certo, na canceira,No tedio extremo d'um viver maguado,Para ti levantei o olhar turbado,Invocando-te, amiga derradeira…
Mas não te amava então nem conhecia:Meu pensamento inerte nada liaSobre essa muda fronte, austera e calma.
Luz intima, afinal, alumiou-me…Filha do mesmo pae, já sei teu nome,Morte, irman coeterna da minha alma!
Que nome te darei, austera imagem,Que avisto já n'um angulo da estrada,Quando me desmaiava a alma prostradaDo cançaço e do tedio da viagem?
Em teus olhos vê a turba uma voragem,Cobre o rosto e recúa apavorada…Mas eu confio em ti, sombra velada,E cuido perceber tua linguagem…
Mais claros vejo, a cada passo, escritos,Filha da noite, os lemmas do Ideal,Nos teus olhos profundos sempre fitos…
Dormirei no teu seio inalteravel,Na communhão da paz universal,Morte libertadora e inviolavel!
Só quem teme o Não-ser é que se assustaCom teu vasto silencio mortuario,Noite sem fim, espaço solitario,Noite da Morte, tenebrosa e augusta…
Eu não: minh'alma humilde mas robustaEntra crente em teu atrio funerario:Para os mais és um vacuo cinerario,A mim sorri-me a tua face adusta.
A mim seduz-me a paz santa e ineffavelE o silencio sem par do Inalteravel,Que envolve o eterno amor no eterno luto.
Talvez seja peccado procurar-te,Mas não sonhar comtigo e adorar-te,Não-ser, que és o Ser unico absoluto.
Contemplação
(A Francisco Machado de Faria e Maia)
Sonho de olhos abertos, caminhandoNão entre as formas já e as apparencias,Mas vendo a face immovel das essencias,Entre ideas e espiritos pairando…
Que é o mundo ante mim? fumo ondeando,Visões sem ser, fragmentos de existencias…Uma nevoa de enganos e impotenciasSobre vacuo insondavel rastejando…
E d'entre a nevoa e a sombra universaesSó me chega um murmurio, feito de ais…É a queixa, o profundissimo gemido
Das cousas, que procuram cegamenteNa sua noite e dolorosamenteOutra luz, outro fim só presentido…
Lacrimae rerum
(A Tommaso Cannizzaro)
Noite, irmã da Razão e irmã da Morte,Quantas vezes tenho eu interrogadoTeu verbo, teu oraculo sagrado,Confidente e interprete da Sorte!
Aonde vão teus soes, como cohorteDe almas inquietas, que conduz o Fado?E o homem porque vaga desoladoE em vão busca a certeza que o conforte?
Mas, na pompa de immenso funeral,Muda, a noite, sinistra e triumphal,Passa volvendo as horas vagarosas…
É tudo, em torno de mim, duvida e luto:E, perdido n'um sonho immenso, escutoO suspiro das cousas tenebrosas…
(Á Ex.^{ma} Snr.^a D. Celeste C. B. R.)
Vozes do mar, das arvores, do vento!Quando ás vezes, n'um sonho doloroso,Me embala o vosso canto poderoso,Eu julgo igual ao meu vosso tormento…
Verbo crepuscular e intimo alentoDas cousas mudas; psalmo mysterioso;Não serás tu, queixume vaporoso,O suspiro do mundo e o seu lamento?
Um espirito habita a immensidade:Uma ancia cruel de liberdadeAgita e abala as formas fugitivas.
E eu comprehendo a vossa lingua estranha,Vozes do mar, da selva, da montanha…Almas irmans da minha, almas captivas!
Não choreis, ventos, arvores e mares,Côro antigo de vozes rumorosas,Das vozes primitivas, dolorosasComo um pranto de larvas tumulares…
Da sombra das visões crepuscularesRompendo, um dia, surgireis radiosasD'esse sonho e essas ancias affrontosas,Que exprimem vossas queixas singulares…
Almas no limbo ainda da existencia,Accordareis um dia na Consciencia,E pairando, já puro pensamento,
Vereis as Formas, filhas da Illusão,Cahir desfeitas, como um sonho vão…E acabará por fim vosso tormento.
Voz interior
(A João de Deus)
Embebido n'um sonho doloroso,Que atravessam phantasticos clarões,Tropeçando n'um povo de visões,Se agita meu pensar tumultuoso…
Com um bramir de mar tempestuosoQue até aos céos arroja os seus cachões,Atravez d'uma luz de exhalações,Rodeia-me o Universo monstruoso…
Um ai sem termo, um tragico gemidoEchoa sem cessar ao meu ouvido,Com horrivel, monotono vaivem…
Só no meu coração, que sondo e meço,Não sei que voz, que eu mesmo desconheço,Em segredo protesta e affirma o Bem!
Fluxo e refluxo eterno…
João de Deus.
Dorme a noite encostada nas colinas.Como um sonho de paz e esquecimentoDesponta a lua. Adormeceu o vento,Adormeceram valles e campinas…
Mas a mim, cheia de attracções divinas,Dá-me a noite rebate ao pensamento.Sinto em volta de mim, tropel nevoento,Os Destinos e as Almas peregrinas!
Insondavel problema!… ApavoradoRecúa o pensamento!… E já prostradoE estupido á força de fadiga,
Fito inconsciente as sombras visionarias,Emquanto pelas praias solitariasEchoa, ó mar, a tua voz antiga.
(Ao snr. D. Nicolau Salmeron)
Tu, que eu não vejo, e estás ao pé de mimE, o que é mais, dentro de mim—que me rodeiasCom um nimbo de affectos e de ideas,Que são o meu principio, meio e fim…
Que estranho ser és tu (se és ser) que assimMe arrebatas comtigo e me passeiasEm regiões innominadas, cheiasDe encanto e de pavor… de não e sim…
És um reflexo apenas da minha alma,E em vez de te encarar com fronte calma,Sobresalto-me ao ver-te, e tremo e exoro-te…
Falo-te, calas… calo, e vens attento…És um pae, um irmão, e é um tormentoTer-te a meu lado… és um tyranno, e adoro-te!
Com os mortos
Os que amei, onde estão? idos, dispersos,Arrastados no gyro dos tufões,Levados, como em sonho, entre visões,Na fuga, no ruir dos universos…
E eu mesmo, com os pés tambem immersosNa corrente e á mercê dos turbilhões,Só vejo espuma livida, em cachões,E entre ella, aqui e ali, vultos submersos…
Mas se paro um momento, se consigoFechar os olhos, sinto-os a meu ladoDe novo, esses que amei: vivem commigo.
Vejo-os, ouço-os e ouvem-me tambem,Juntos no antigo amor, no amor sagrado,Na communhão ideal do eterno Bem.
Oceano Nox
(A A. de Azevedo Castello Branco)
Junto do mar, que erguia gravementeA tragica voz rouca, em quanto o ventoPassava como o vôo d'um pensamentoQue busca e hesita, inquieto e intermittente,
Junto do mar sentei-me tristemente,Olhando o céo pesado e nevoento,E interroguei, scismando, esse lamentoQue sahia das cousas, vagamente…
Que inquieto desejo vos tortura,Seres elementares, força obscura?Em volta de que idea gravitaes?—
Mas na immensa extensão, onde se escondeO Inconsciente immortal, só me respondeUm bramido, um queixume, e nada mais…
Communhão
(Ao snr. João Lobo de Moura)
Reprimirei meu pranto!… ConsideraQuantos, minh'alma, antes de nós vagaram,Quantos as mãos incertas levantaramSob este mesmo céo de luz austera!…
—Luz morta! amarga a propria primavera!—Mas seus pacientes corações luctaram,Crentes só por instincto, e se apoiaramNa obscura e heroica fé, que os retempera…
E sou eu mais do que elles? igual fadoMe prende á lei de ignotas multidões.—Seguirei meu caminho confiado,
Entre esses vultos mudos, mas amigos,Na humilde fé de obscuras gerações,Na communhão dos nossos paes antigos.
Solemnia Verba
Disse ao meu coração: Olha por quantosCaminhos vãos andámos! ConsideraAgora, d'esta altura fria e austera,Os ermos que regaram nossos prantos…
Pó e cinzas, onde houve flor e encantos!E noite, onde foi luz de primavera!Olha a teus pés o mundo e desesperaSemeador de sombras e quebrantos!—
Porém o coração, feito valenteNa escola da tortura repetida,E no uso do penar tornado crente,
Respondeu: D'esta altura vejo o Amor!Viver não foi em vão, se é isto a vida,Nem foi de mais o desengano e a dor.
O que diz a Morte
Deixai-os vir a mim, os que lidaram;Deixai-os vir a mim, os que padecem;E os que cheios de magua e tedio encaramAs proprias obras vans, de que escarnecem…
Em mim, os Soffrimentos que não saram,Paixão, Duvida e Mal, se desvanecem.As torrentes da Dor, que nunca param,Como n'um mar, em mim desapparecem.—
Assim a Morte diz. Verbo velado,Silencioso interprete sagradoDas cousas invisiveis, muda e fria,
É, na sua mudez, mais retumbanteQue o clamoroso mar; mais rutilante,Na sua noite, do que a luz do dia.
Na mão de Deus
(Á Ex.^{ma} Snr.^a Victoria de O. M.)
Na mão de Deus, na sua mão direita,Descançou a final meu coração.Do palacio encantado da IllusãoDesci a passo e passo a escada estreita.
Como as flores mortaes, com que se enfeitaA ignorancia infantil, despojo vão,Depuz do Ideal e da PaixãoA forma transitoria e imperfeita.
Como criança, em lobrega jornada,Que a mãe leva ao collo agasalhadaE atravessa, sorrindo vagamente,
Selvas, mares, areias do deserto…Dorme o teu somno, coração liberto,Dorme na não de Deus eternamente!
A cruz dizia á terra, onde assentava [pag. 64]Adornou o meu quarto a flor do cardo [pag. 26]Ali, onde o mar quebra, n'um cachão [pag. 52]Altas horas da noite, o Inconsciente [pag. 103]Amar! mas d'um amor que tenha vida [pag. 25]Amem a noite os magros crapulosos [pag. 65]Aquella, que eu adoro, não é feita [pag. 44]Aquelles, que eu amei, não sei que vento [pag. 49]Ardentes filhas do prazer, dizei-me [pag. 48]Chamei em volta do meu frio leito [pag. 96]Chovam lyrios e rosas no teu collo [pag. 35]Como um vento de morte e de ruina [pag. 84]Conheci a belleza que não morre [pag. 7]Conquista pois sósinho o teu futuro [pag. 58]Deixae-os vir a mim, os que lidaram [pag. 120]Deixal-a ir, a ave, a quem roubaram [pag. 46]Depois que dia a dia, aos poucos desmaiando [pag. 22]Disse ao meu coração: Olha por quantos [pag. 119]Dorme a noite encostada nas colinas [pag. 114]Dorme entre os gelos, flor immaculada [pag. 85]Embebido n'um sonho doloroso [pag. 113]Empunhasse eu a espada dos valentes! [pag. 45]Em sonho, ás vezes, se o sonhar quebranta [pag. 37]Em vão luctamos! Como nevoa baça [pag. 19]Entre os filhos d'um seculo maldito [pag. 86]Erguendo os braços para o céo distante [pag. 83]Espectros que velaes, em quanto a custo [pag. 87]Esperemos em Deus! Elle ha tornado [pag. 10]Espirito que passas, quando o vento [pag. 32]Esse negro corcel, cujas passadas [pag. 80]Estava a morte ali, em pé, deante [pag. 82]Estreita é do prazer na vida a taça [pag. 6]Eu amo a vasta sombra das montanhas [pag. 30]Eu bem sei que te chamam pequenina [pag. 27]Eu não sei quem tu és mas não procuro [pag. 103]Eu vi o Amor—mas nos seus olhos baços [pag. 97]Força é pois ir buscar outro caminho! [pag. 57]Fui rocha, em tempos, e fui, no mundo antigo [pag. 102]Fumo e scismo. Os castellos do horizonte [pag. 40]Ha mil annos, bom Christo, ergueste os magros braços [pag. 20]Ha mil annos, e mais, que aqui estou morto [pag. 69]Já não sei o que vale a nova idea [pag. 66]Já socega, depois de tanta lucta [pag. 101]Junto do mar, que erguia gravemente [pag. 117]Lá! mas aonde élá? aonde? Espera [pag. 62]Longo tempo ignorei—mas que cegueira [pag. 106]Mãe, que adormente este viver dorido [pag. 38]Mas a Idea quem é? quem foi que a vio [pag. 59]Mas o velho tyranno solitario [pag. 77]Meus dias vão correndo vagarosos [pag. 8]Muito longe d'aqui, nem eu sei quando [pag. 94]Na capella, perdida entre a folhagem [pag. 34]Na floresta dos sonhos, dia a dia [pag. 104]Na mão de Deus, na sua mão direita [pag. 121]Na tua mão, sombrio cavalleiro [pag. 78]Nas florestas solemnes ha o culto [pag. 68]Não busco n'esta vida gloria ou fama [pag. 18]Não duvido que o mundo no seu eixo [pag. 41]Não choreis, ventos, arvores e mares [pag. 112]Não morreste, por mais que o brade á gente [pag. 91]Não se perdeu teu sangue generoso [pag. 63]Não me fales de gloria: é outro o altar [pag. 16]No céo, se existe um céo para quem chora [pag. 11]Nenhum de vós ao certo me conhece [pag. 75]Noite, irmã da Razão e irmã da Morte [pag. 110]Noite, vão para ti meus pensamento [pag. 89]No meu sonho desfilam as visões [pag. 92]N'um céo intemerato e crystalino [pag. 67]N'um sonho todo feito de incerteza [pag. 88]O espectro familiar, que anda commigo [pag. 79]Oh chimera, que passas embalada [pag. 47]Oh! o noivado barbaro! o noivado [pag. 61]Onde te escondes? eis que em vão clamamos [pag. 93]Os que amei, onde estão? idos, dispersos [pag. 116]Outra amante não ha! não ha na vida [pag. 60]Ouve tu, meu cançado coração [pag. 31]Pallido Christo, oh conductor divino! [pag. 56]Para além do Universo luminoso [pag. 93]Para tristezas, para dar nasceste [pag. 50]Pelas rugas da fronte que medita [pag. 43]Pelo caminho estreito, aonde a custo [pag. 90]Pois que os deuses antigos e os antigos [pag. 55]Porque descrês, mulher, do amor, da vida? [pag. 15]Poz-te Deus sobre a fronte a mão piedosa [pag. 5]Quando nós vamos ambos, de mãos dadas [pag. 31]Que belleza mortal se te assemelha [pag. 3]Que nome te darei, austera imagem [pag. 107]Quem anda lá por fora, pela vinha [pag. 28]Razão, irmã do Amor e da Justiça [pag. 71]Reprimirei meu pranto!… Considera [pag. 118]Sáe das nuvens, levanta a fronte e escuta [pag. 76]Se comparo poder, ou ouro, ou fama [pag. 9]Se é lei, que rege o escuro pensamento [pag. 12]Sempre o futuro, sempre! e o presente [pag. 14]Só! Ao ermita sósinho na montanha [pag. 13]Só males são reaes, só dor existe [pag. 17]Só quem teme o Não-Ser é que se assusta [pag. 108]Só por ti, astro ainda e sempre occulto [pag. 34]Sonho-me ás vezes rei, n'alguma ilha [pag. 29]Sonhei—nem sempre o sonho é cousa vã [pag. 33]Sonho de olhos abertos, caminhando [pag. 109]Sonho que sou um cavalleiro andante [pag. 42]Tu, que eu não vejo e estás ao pé de mim [pag. 115]Tu, que dormes, espirito sereno [pag. 70]Tu, que não crês, nem amas, nem esperas [pag. 81]Um dia, meu amor, e talvez cedo [pag. 36]Um diluvio de luz cáe da montanha [pag. 4]Vae-te na aza negra da desgraça [pag. 21]Vozes do mar, das arvores, do vento [pag. 111]
Porto Typographia Occidental. Fabrica 66