NOTAS

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E minha mãe sem chegarpag. 53.

E minha mãe sem chegarpag. 53.

E minha mãe sem chegar

E minha mãe sem chegar

pag. 53.

pag. 53.

O rigor do toante pedia aqui que se escrevessechegarecomeno fim, como pronuncia o povo de Lisboa e n’outras partes da Extremadura. Os antigos castelhanos tambem assim regularizavam os seus toantes.

E não va tampouco sem notar-se que assim fica demonstrado não ser affectação de latinismo o escrever e pronunciar pae em vez de pai, mãe em vez de mãi. Aquella é a verdadeira e popular orthographia d’estas palavras.

Na caça andava perdidopag. 217.

Na caça andava perdidopag. 217.

Na caça andava perdido

Na caça andava perdido

pag. 217.

pag. 217.

O principio ou introducção d’este romance é conforme a collecção de Oliveira. No folheto dos cegos começa elle logo com toda a fórma scenica; e todavia differe bem pouco. Aqui se transcreve.

DIZ O MARQUEZFingindo andar perdido na caçaFortunosa caça é éstaque a fortuna me ha mostrado,poisque, por ser manifestaminha pena e gran’ cuidado,me mostrou ésta floresta.Nunca vi tam forte brenha,desque me accórdo de mi;eu creio que Margasifez ésta serra d’Ardenha,estes campos de Methli.Quero tocar a bosinapor ver se algum me ouvirá;mas cuido, que não será,porque minha gran’ mofinacommigo começou ja.Todavia quero ver,se mora alguem n’esta serra,que me diga d’esta terracuja é, para saber;que quem pergunta não erra.Por demais é o tangerem logar deshabitado,onde não ha povoado,nem quem possa responderao que lhe for perguntado.Gran’ mal é o caminharpor tam fragosa montanha,cançado assim sem companha,nem tendo onde repousar,n’esta terra tam estranha.Vejo o matto tam cerrado,que fiz bem de me apear,e meu cavallo deixar,porque está tam cançadoque ja não podia andar.Agora vejo-me aquin’esta tam grande espessura,que nem eu me vejo a mi,nem sei de minha ventura;nem menos será cordura,repousar n’este logar,nem sei onde possa achardescanço á minha tristura[146].

DIZ O MARQUEZFingindo andar perdido na caçaFortunosa caça é éstaque a fortuna me ha mostrado,poisque, por ser manifestaminha pena e gran’ cuidado,me mostrou ésta floresta.Nunca vi tam forte brenha,desque me accórdo de mi;eu creio que Margasifez ésta serra d’Ardenha,estes campos de Methli.Quero tocar a bosinapor ver se algum me ouvirá;mas cuido, que não será,porque minha gran’ mofinacommigo começou ja.Todavia quero ver,se mora alguem n’esta serra,que me diga d’esta terracuja é, para saber;que quem pergunta não erra.Por demais é o tangerem logar deshabitado,onde não ha povoado,nem quem possa responderao que lhe for perguntado.Gran’ mal é o caminharpor tam fragosa montanha,cançado assim sem companha,nem tendo onde repousar,n’esta terra tam estranha.Vejo o matto tam cerrado,que fiz bem de me apear,e meu cavallo deixar,porque está tam cançadoque ja não podia andar.Agora vejo-me aquin’esta tam grande espessura,que nem eu me vejo a mi,nem sei de minha ventura;nem menos será cordura,repousar n’este logar,nem sei onde possa achardescanço á minha tristura[146].

DIZ O MARQUEZFingindo andar perdido na caçaFortunosa caça é éstaque a fortuna me ha mostrado,poisque, por ser manifestaminha pena e gran’ cuidado,me mostrou ésta floresta.Nunca vi tam forte brenha,desque me accórdo de mi;eu creio que Margasifez ésta serra d’Ardenha,estes campos de Methli.Quero tocar a bosinapor ver se algum me ouvirá;mas cuido, que não será,porque minha gran’ mofinacommigo começou ja.Todavia quero ver,se mora alguem n’esta serra,que me diga d’esta terracuja é, para saber;que quem pergunta não erra.Por demais é o tangerem logar deshabitado,onde não ha povoado,nem quem possa responderao que lhe for perguntado.Gran’ mal é o caminharpor tam fragosa montanha,cançado assim sem companha,nem tendo onde repousar,n’esta terra tam estranha.Vejo o matto tam cerrado,que fiz bem de me apear,e meu cavallo deixar,porque está tam cançadoque ja não podia andar.Agora vejo-me aquin’esta tam grande espessura,que nem eu me vejo a mi,nem sei de minha ventura;nem menos será cordura,repousar n’este logar,nem sei onde possa achardescanço á minha tristura[146].

DIZ O MARQUEZ

Fingindo andar perdido na caça

Fortunosa caça é ésta

que a fortuna me ha mostrado,

poisque, por ser manifesta

minha pena e gran’ cuidado,

me mostrou ésta floresta.

Nunca vi tam forte brenha,

desque me accórdo de mi;

eu creio que Margasi

fez ésta serra d’Ardenha,

estes campos de Methli.

Quero tocar a bosina

por ver se algum me ouvirá;

mas cuido, que não será,

porque minha gran’ mofina

commigo começou ja.

Todavia quero ver,

se mora alguem n’esta serra,

que me diga d’esta terra

cuja é, para saber;

que quem pergunta não erra.

Por demais é o tanger

em logar deshabitado,

onde não ha povoado,

nem quem possa responder

ao que lhe for perguntado.

Gran’ mal é o caminhar

por tam fragosa montanha,

cançado assim sem companha,

nem tendo onde repousar,

n’esta terra tam estranha.

Vejo o matto tam cerrado,

que fiz bem de me apear,

e meu cavallo deixar,

porque está tam cançado

que ja não podia andar.

Agora vejo-me aqui

n’esta tam grande espessura,

que nem eu me vejo a mi,

nem sei de minha ventura;

nem menos será cordura,

repousar n’este logar,

nem sei onde possa achar

descanço á minha tristura[146].

FIM DO VOLUME TERCEIRO


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