The Project Gutenberg eBook ofSalve, Rei!

The Project Gutenberg eBook ofSalve, Rei!This ebook is for the use of anyone anywhere in the United States and most other parts of the world at no cost and with almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included with this ebook or online atwww.gutenberg.org. If you are not located in the United States, you will have to check the laws of the country where you are located before using this eBook.Title: Salve, Rei!Author: Camilo Castelo BrancoUnknown role: Frazão de VasconcellosRelease date: September 16, 2007 [eBook #22616]Most recently updated: November 16, 2007Language: PortugueseOriginal publication: Lisboa: Typographia A. J. Ferros & Ferros F.^os Rua dos Retrozeiros, 41 e 43, 1915Credits: Produced by Vasco Salgado*** START OF THE PROJECT GUTENBERG EBOOK SALVE, REI! ***

This ebook is for the use of anyone anywhere in the United States and most other parts of the world at no cost and with almost no restrictions whatsoever. You may copy it, give it away or re-use it under the terms of the Project Gutenberg License included with this ebook or online atwww.gutenberg.org. If you are not located in the United States, you will have to check the laws of the country where you are located before using this eBook.

Title: Salve, Rei!Author: Camilo Castelo BrancoUnknown role: Frazão de VasconcellosRelease date: September 16, 2007 [eBook #22616]Most recently updated: November 16, 2007Language: PortugueseOriginal publication: Lisboa: Typographia A. J. Ferros & Ferros F.^os Rua dos Retrozeiros, 41 e 43, 1915Credits: Produced by Vasco Salgado

Title: Salve, Rei!

Author: Camilo Castelo BrancoUnknown role: Frazão de Vasconcellos

Author: Camilo Castelo Branco

Unknown role: Frazão de Vasconcellos

Release date: September 16, 2007 [eBook #22616]Most recently updated: November 16, 2007

Language: Portuguese

Original publication: Lisboa: Typographia A. J. Ferros & Ferros F.^os Rua dos Retrozeiros, 41 e 43, 1915

Credits: Produced by Vasco Salgado

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Produced by Vasco Salgado

Camillo Castello Branco

LISBOATypographia A. J. Ferros & Ferros F.^osRua dos Retrozeiros, 41 e 43

Publicações de Frazão de Vasconcellos

1—No Centenario da Guerra Peninsular—Dr. Jacintho Luiz do Amaral Frazão e Vasconcellos. Folha solta, 1910.

2—Auto-biographia de Herculano—No 1.^o centenario do seu nascimento—Com uma nota—Folheto, 1910.

3—Diccionario nobiliarchico portuguez—Incompleto.

4—Cousas de Camillo—PoesiaSalve, Rei!, com uma nótula. Folheto, 1911.

5—Crês tu? Sim ou não?—Poesia. Folheto, 1912.

6—Elementos de heraldica—Com gravuras, no «Jornal da Mulher».

7—Justiça do Marquez de Pombal—Folheto, 1915.

8—Ascendencia materna do Desembargador João de Barros, auctor do «Espelho de Casados». Folheto, 1915.

Linhagistas e heraldistas portuguezes.

Um revolta no Rio de Janeiro em 1660—Nota á margem d'uma biographia de Salvador Corrêa de Sá.

Centúria de curiosidades historicas.

A heraldica nas vinhetas ornamentaes dos livros portuguezes.

Tiragem deste opusculo: 50 exemplares

Em 1911, quando faziamos ainda parte da redacção daNação, reproduzimos naquelle periodico, n.^o 15.255, de 13 de Outubro, a poesia +Salve, Rei!+, de Camillo Castello Branco, de que mandámos tirar umaseparata, de 32 exemplares numerados, sendo 3 em papel Whatman e os restantes em papel de linho nacional.

Estando todos aquelles exemplares distribuidos, e sendo muitos os camillianistas que desejam possuir a poesia +Salve, Rei!+, resolvemos, sem nenhuns intuitos mercantís, que tambem da primeira vez não tivemos, pois que a edição foi destinada unicamente a offertas, fazer a presente reedição daquella pouco conhecida producção doMaior de Todos, como justificadamente os seus mais enthusiastas admiradores cognominaram o auctor doAmor de Perdiçãoe de tantissimas obras que honram a litteratura portugueza.

Eis a razão desta novaespecieda extensissima bibliographia camilliana.

Novembro de 1915.

Frazão de Vasconcellos

Nótula da nossa 1.^a edição

A poesia que se segue, dedicada a El-Rei Dom Miguel I, por occasião do seu casamento, foi impressa originalmente, em janeiro de 1852, em uma folha solta, e reproduzida no diario legitimistaA Nação, n.^o 1834, de 22 de novembro de 1853, em parallelo com uma outra poesia do mesmo Camillo, transcripta do jornalO Portuense, de 17 de novembro de 1853, em honra de Dona Maria II, a quando do seu fallecimento.

Na sua preciosaBibliographia Camilliana, refere-se o nosso presado amigo Sr. Henrique Marques a esta pouco conhecida producção do notabilissimo e fecundissimo espirito que foi Camillo Castello Branco, dizendo que viu um exemplar da folha solta, na Bibliotheca Publíca do Porto, e informando mais que oJornal da Manhã, daquella cidade, a reproduziu no seu n.^o 137, de 19 de maio de 1890.

Frazão de Vasconcellos

Cantor d'outr'ora, quando vi sem floresOs magicos jardins da phantasia,Minha lyra depuz.Não mais pedi inspirações terrenas.Curvei-me ante o altar, sagrei meu estroAos canticos da cruz.

E, sem magoa, quebrei prisões da terra,Mas uma, se então quiz tambem quebral-a,Não pude… em vão tentei…Eram saudades a viver d'esp'ranças,Saudades, que nem Deus manda esquecel-as,Saudades do meu Rei!

Ficava-me no mundo um nome grande,Um symbolo d'amor, de luz radiante,Sob um manto real…Imagem do que vi na minha infancia,Sentado no docel, herança augustaDos Reis de Portugal

Christão, pedi com fé—senti que a tinhaProstrado ante o altar, quando eu pediRecursos ao meu Deus…Recursos, não pr'a mim que nasci servo,Recursos para Vós, Rei desterradoSob inhospitos céus!—

Pulsou-me o coração, senti no labio,Em vez da oração, soltar-se o hymnoD'um peito portuguez!Ás lagrimas succede essa alegriaDos extasis que á mente imprimem vôosD'energica altivez!

Rei! no dia em que descestesDo Vosso throno realApagou-se a luz da gloria,Cerrou-se o livro da historiaDo Reino de Portugal.Surge o anjo do exterminioSobre as trevas infernaes!Traz de fogo a fera espada,E com mão ensanguentadaRasgas as purpuras reaes.

Sobre o solio dos AffonsosFerreo sceptro esmaga a lei:Ruge alli o despotismoSe não verga ao servilismoQuem lhe diz «Tu não és Rei!»Não és Rei! és uma affrontaFeita ao povo portuguez!Não és Rei que não herdasteEste chão que escravisasteA quem falso Rei te fez!

Vaga o anjo do exterminioComo inspiração do algoz!Corações com Vossa imagem,Oh meu Rei! são a carnagemDo punhal que fere atroz!Foram dias de martyrio,De terror e maldição!Mas o martyr, expirando,Esquecia-Vos só quandoLhe morria o coração!

Vaga o anjo do exterminioDo mosteiro sobre a cruz,E roçando a negra azaPela cruz o templo arrazaE do altar extingue a luz.Cospe injurias e sarcasmoSobre a face do ancião,Porque orava, é réo, e expulsoFoge á morte, e cede ao impulsoDe penuria, e pede pão.

Pede o pão que amassa em prantoDe saudades que crê vemD'uma cella que compráraQuando o mundo cá deixáraCom as pompas que elle tem!Pede o pão que lhe usurparamCom tamanho desamor…Fraco, ao vêr que chega a morte,Morre… e então mostra que é fortePerdoando ao matador!

Lá, no campo da carnagem,Mutilado um corpo jaz…Ficaram-lhe alli seus ossos…Pois que foi um d'entre os VossosReal Senhor! não terá paz.Nem a paz dos que morreramSem a nodoa da traiçãoNem a paz da sepulturaAo fiel que honrado juraMorrer sob o seu pendão

Lá se abraça ao corpo exangueNo abandono da viuvezA que alli vive arrastadaMendigando, envergonhada,Improperios… talvez!Pobre, e só, mãe de tres filhosQuando a fome a constrangeu,Inda assim, um pensamento,Uma esperança, um grato alentoFoi por Vós que o concebeu…

Vaga o anjo do exterminioEnverga o manto real;D'um diadema a fronte cinge,Mas o sangue que lh'o tingeBrada vingança fatal!N'essa fronte ensanguentadaEscreveu a mão de Deus!…Mas tambem homens puzeramInscripções onde se leramInfamias como tropheus!

Oh Rei de Portugal! Quando a amarguraD'este povo infeliz, é sem conforto,Valemo-nos do céu!Pedimos-lhe por Vós, anjo proscripto,Pedimos-lhe vigor á doce espr'ançaQue em vós o céu nos deu!

Vireis, Senhor vireis, que Deus é justo!Vireis enxugar lagrimas amargasQue se choram por Vós!Sereis de todos Pae, não vingativo,E nós todos irmãos, e Vós de todos…O Rei de todos nós!

Fatidica aureola circumdaNas plagas do desterro dolorosasVossa fronte real.Sentado sobre as rochas da montanhaLá mesmo na solidão d'amargo exilioSois Rei de Portugal!

Deu-vos um anjo a Providencia augustaEm galardão á dôr que amargurastesCom Santa intrepidez.Um dia curvaremos o joelhoPerante Essa que o ceu fadou RainhaDo povo portuguez.

Camillo Castello Branco


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