PERSONAGENS.

De v. exc.ao ultimo creado, e o primeiro dos seus admiradores,Camillo Castello Branco.PERSONAGENS.D. Leocadia18 annosD. Julia20     «A Viscondessa de Valbom45     «Jorge da Silveira30     «Alvaro de Castro32     «Eduardo Leite30     «O Visconde de Valbom50     «Damas, cavalheiros, e creados. (Podem ter a idade que quizerem).A scena dizem que se passou no Porto; mas o author não impõe, Mafoma dramatico, a crença a ninguem. Cada qual fique no que lhe parecer; mas, se, effectivamente, os personagens existem, tenham paciencia.PATHOLOGIA DO CASAMENTO.ACTO I.DECORAÇÃO.Uma saleta contigua a um salão de baile, separada por largas portadas de vidro, através das quaes se vêem perpassar, em passeio, damas e cavalheiros.SCENA I.Julia,eLeocadia,entrando, como fatigadas, sentam-se n'um sophá.Juliatira da cabeça uma grinalda de flôres brancas, que arremessa com desdem sobre o sophá.Julia.—Afflige-me tudo!... Tomára-me eu na minha liberdade, Leocadia! Não goso nada... Tanta luz parece um insulto á escuridão da minha alma... Queria-me sosinha...Leocadia.—Não tens paciencia nenhuma, Julia!... Que é o que te afflige assim?Julia.—Que é!... É aquelle homem... Sempre aquelle homem!... não ha nada que o desengane...Leocadia.—Nem as palavras?!Julia.—Eu sei!... nem as palavras, talvez...Leocadia.—Porque não és franca?! Eu, de mim, na tua posição, tinha-lhe dito: «não me persiga!» É o que eu já disse a Eduardo...Julia.—Eu não sei dizer isso... Acho que é aviltar demasiadamente um homem... Pois tão estupido é elle, que precisa uma franqueza tão impropria d'uma senhora? Tenho feito tudo que póde desenganar um homem... Teima, persegue-me, flagella-me... é insupportavel!... Ainda ha pouco, entre mim e Jorge...Leocadia(sobresaltada).—E Jorge!...Julia.—Que modo é esse!? Jorge interessa-te!?Leocadia.—E a ti?Julia.—A mim?... Pois não sabes...Leocadia.—O que?... não sabia... Elle ama-te?Julia.—Tem-m'o dito...Leocadia.—Elle!... tem t'o dito... Jorge!...Julia.—E tambem a ti?... Falla depressa...Leocadia(contrafeita).—Não... a mim... não... mas a ti... sim?Julia.—Penso que sim... mas esse descorar... Leocadia!...Leocadia.—Fui eu que me enganei... Pensava...Julia.—Talvez te não enganasses... Que te disse elle?Leocadia.—Nada... Vamos nós á sala?...Julia.—Já?!... Eu não vou já... Vai tu, se queres...Leocadia.—Que é o que me querias dizer?... Disseste que entre ti e Jorge...Julia.—Estava uma cadeira de vago... Alvaro vinhaoccupal-a, e eu ergui-me de repente, e occupei-a primeiro...Leocadia.—E Alvaro... nem assim...Julia.—Me comprehendeu... Sentou-se na immediata, e disse não sei que frioleira...Leocadia.—Se tu és tão amavel!...Julia.—Ai!... tu queres imital-o?! É o que elle me diz cem vezes em cada baile...Leocadia.—Uma verdade, por muito repetida, nunca perde o merecimento...Julia.—Que maneira de fallar!... Quem me dera adivinhar-te! Tu amas Jorge!...Leocadia.—Não, menina... Eu não amo ninguem...Julia.—Ninguem?! nem a tua Julia?Leocadia.—A minha Julia não póde repartir o seu coração... Não quero entrar em partilha com Jorge... O peor quinhão seria para mim, porque não ha nada superior a elle... Ficas?Julia.—Fico a scismar... Vem cá, Leocadia... sê franca, senão... não sou tua amiga... Jorge será um impostor?...Leocadia.—Perguntasm'o a mim!? Eu não sei...Julia.—Terá tido a mesma linguagem para ambas?Leocadia.—Disse que te amava?... A mim... não me disse nada...Julia.—Então és tu que o amas?Leocadia.—Não... Olha, minha amiga, faz de conta que eu ouvi com perfeita indifferença a tua revelação... Até logo... Ai!... diz-me cá... O teu namoro é antigo... ou começou aqui?Julia.—Com Jorge? É muito moderno... Tem um mez... É uma creança, mas já foi baptisado com lagrimas...Leocadia.—Já? Pois afaga-o muito na alma... Sêmuito feliz.... que eu, se te não felicitei mais cedo, é porque o não sabia... Vou lá dentro... Minha mãi deve reparar n'esta ausencia...Julia.—Não me deixes agora que ahi vem Alvaro... É insupportavel!Leocadia.—Ora!... que mal te faz o homem?!... Eu volto já... Olha... diz-lhe que amas Jorge... é impossivel que elle queira sustentar a competencia... (Sahe).SCENA II.JuliaeAlvaro.Alvaro.—Está incommodada, snr.aD. Julia?Julia.—Não, senhor.Alvaro.—Então está aborrecida...Julia.—De certo...Alvaro.—Menos, quando ao seu lado um certo cavalheiro de luneta...Julia.—Ah! o senhor vem pedir-me satisfações? É engraçada a liberdade!...Alvaro.—Não lhe peço satisfações... Se as minhas palavras foram indiscretas, seja generosa, perdoando-m'as.Julia.—Muitos perdões me tem pedido, snr. Alvaro!... A minha generosidade com v. s.achega já a parecer-se...Alvaro.—Com a virtude d'uma santa?Julia.—Não queria dizer isso...Alvaro.—Queria dizer que chega a parecer-se...Julia.—Com um excesso de imbecil paciencia.Alvaro.—Isso é muito forte!... Eu não lhe mereço tanto! Nunca lhe disse affrontas...Julia.—Com que direito ha-de dizerm'as?Alvaro.—Não tenho nenhum? absolutamente nenhum?Julia.—De certo, nenhum...Alvaro.—A paixão cega o entendimento...Julia.—Não é minha a culpa...Alvaro.—É toda...Julia.—Toda?... pois eu authorisei-o? Disse-lhe alguma vez que o amava?Alvaro.—Nunca m'o disse... porque...Julia.—Porque o não sentia... Que mais lhe posso dizer agora?Alvaro.—Depois d'isso, mais nada. (Retira-se).Julia.—Foi preciso isto... Ainda bem!... (Ouve-se a musica d'uma polka.Julia enfeita-se ao espelho com a grinalda, e sahe).SCENA III.JorgeeEduardo.Jorge.—Tu vaes ser verdadeiro, Eduardo?Eduardo.—Como Epaminondas Thebano, que nem zombando mentia. Não me lembra d'outro estafermo antigo que fallasse verdade...Jorge.—Tu tens algumas intelligencias com Leocadia?Eduardo.—Diz-me cá, Jorge, póde fumar-se aqui?Jorge.—Não... se queres vamos á sala debaixo...Eduardo.—Não posso, que tenho a sexta quadrilha com Leocadia... Diz lá o que queres...Jorge.—Perguntei-te se amavas Leocadia.Eduardo.—Gosto muito d'ella... Depois d'um bom charuto, é o meu sonho dourado.Jorge.—E ella...Eduardo.—Gosta de mim? não sei bem ainda... Perguntei-lh'o ainda agora pela vigesima vez... Disse-me que sim, e é a primeira vez que m'o diz... Se mente, lá se avenha com a sua consciencia...Jorge.—E é a primeira vez que te disse que sim?Eduardo.—A primeira, palavra d'honra, Jorge!Jorge.—E que conclues d'ahi?Eduardo.—Concluo que não gostou até hoje.Jorge.—E não conclues mais nada?Eduardo.—Nem quero.Jorge.—Não suppões que ella amasse, até este momento, outro homem?Eduardo.—Não só supponho; mas até acredito... Nada de emboscadas... Essa diplomacia parece-me uma velhacaria rançosa... Sei que amas Leocadia, ou, se a não amas, que a amaste já... Eu não tenho nada com o passado, nem com o futuro... A minha grande questão é a actualidade. São arrufos? Deixal-os ser: aqui estou eu para encher as lacunas, e tenho n'isso muita honra... Nunca me importou saber que tentos lavravas no coração da pequena. Vi-te fazer de Cesar, e eu fiz de Fabio. Agora, cada um de nós segue o seu systema... E até logo... Acho que não te queres bater...Jorge.—Eu não me bato por estimulos tão pouco despertadores do brio...Eduardo.—Fazes tu muito bem... Eu tambem zango de duellos, principalmente por causa de mulheres... que comemsandwichs, e bebem limonadas... Falla-me logo... (Sahe).SCENA IV.Jorgee depoisJulia.Jorge.—Eu tinha previsto tudo... Era necessario renunciar uma das duas...Julia.—Procurava-o...Jorge.—Sim?... que é, Julia?Julia.—Diga-me: poderei confiar a Leocadia o segredo do nosso amor?... Vacilla?... responda!...Jorge.—Tem precisão de confidentes?Julia(sorrindo).—Tenho, porque me não cabe a felicidade no coração... Posso?...Jorge.—E é forçoso que seja Leocadia?!Julia.—É... preferi-a entre todas as minhas amigas... Que embaraços são esses?!Jorge.—Entendo que não deve revelar a ninguem o nosso amor.Julia.—Sim?... porque m'o não disse?... Já agora, perdeu-se a sua discrição... Eu disse tudo...Jorge.—A quem?Julia.—A Leocadia...Jorge(á parte).—Está explicado o enigma!...Julia.—Nada de monologos... falle comigo... Ora, snr. Jorge... que necessidade tinhamos nós de corarmos um na presença do outro!?Jorge.—Eu não córo... A côr d'este rosto só póde alteral-a uma infamia.Julia.—Dê o nome que lhe aprouver ao seu acto, que eu não lhe conheço outro... V. s.aferiu-me, e cicatrizou-me a ferida... São boas todas as affrontas que nos despertam a sensibilidade da honra... A lembrança do ultraje ha-de fazer que eu esqueça a causa depressa... Fez bem... Deixou cahir a mascara muito a tempo... (Retira-se).Jorge.—Escute-me, Julia... (Vai sentar-se no sophá).SCENA V.Jorge,eEduardo,dando o braço aLeocadia.Eduardo.—Será isto um sonho?... Se o é, deixe-me sonhar uma hora, sim?Leocadia(sorrindo).—Tambem ha sonhos de que se acorda com a face cheia de lagrimas...Eduardo(para Jorge).—Ainda aqui!... (Leocadia estremece).Jorge.—Ainda aqui... não estou mal... Tem dançado muito, minha senhora?Leocadia.—Principiei agora...Jorge.—Pois ainda tem muito tempo de gosar... São tres horas... Nunca lhe esqueça que foi ás tres horas...Leocadia.—Não o comprehendo, snr. Jorge... Que tenho eu com as tres horas do seu relogio?Jorge.—Não se finja simples como donzellinha que sahiu hontem do collegio...Leocadia.—Antes uma fingida innocencia que uma descarada impostura.Jorge.—Não entendo.Eduardo.—Os senhores dizem que não se entendem, e eu de certo não os entendo melhor. Não façam ceremonia de mim. Queiram explicar-se de modo que eu possa reconcilial-os.Jorge.—Reconciliar-nos!... Não estamos divorciados... O que me prende a esta senhora são os respeitos e considerações que se lhe devem. Em quanto ella se não desviar da carreira d'um nobre procedimento, as nossas relações não soffrem quebra...Eduardo.—Pois n'esse caso, meu caro Jorge, serás sempre o respeitador d'esta senhora, porque os anjos não se precipitam desde que um, ha muitos annos, teve o mau gosto de se precipitar do céo.Jorge(sorrindo).—snr.aD. Leocadia...... snr.aD. Leocadia!... (Retira-se).SCENA VI.EduardoeLeocadia.Eduardo.—Fallemos seriamente, minha senhora. V. exc.an'um momento de ciume, dignou-se empregar-me no seu serviço como instrumento de barro, que se quebra, feito o serviço, não é verdade?Ora ande lá... não perca o animo, supposto que o escarlate do pejo não lhe fica mal... acho-a muito mais bella... Parece-me que adivinho o segredo... V. exc.aencontrou em flagrante delicto de ternura o sensivel Jorge com a sensivel Julia... Ferida na sua vaidade, quer vingar-se, e eu represento n'este negocio otertiussem ogaudet. Perdoará o latim... quiz dizer que represento n'este negocio uma triste figura... Já não é a primeira vez... Não se inquiete, que eu tambem me não incommodo... Tire de mim o partido que quizer...Leocadia.—Snr. Eduardo... não devia fallar-me assim... Essas palavras são tão repassadas de ironia...Eduardo.—É o meu genio... Sou um Democrito pequenino, porque tambem são ridiculamente pequenas as cousas que me fazem rir... Ahi vem uma que me arranca do profundo da consciencia uma legitima gargalhada.Leocadia.—Que é?Eduardo.—É a sua amiga Julia pelo braço de Alvaro, em intima conversação... Não acha tudo isto tão comico?SCENA VII.Leocadia, Eduardo, JuliaeAlvaro.Eduardo(para Alvaro, sorrindo).—Os reis da noite somos nós, snr. Alvaro... Logo despimos a purpura dereis de comedia, e fumamos um pessimo cigarro do contracto...Alvaro.—Não entendo a finura do epigramma.Eduardo.—Então, é mais feliz do que eu suppunha... Póde contar com o reino do céo... Deveras não entende?Alvaro.—Não, e dispenso as explicações officiosas do meu amigo...Eduardo(rindo).—Espero que á solemnidade do estilo, se não siga um cartel de desafio...Leocadia.—Que linguagem!... É bem galhofeiro o seu caracter, snr. Eduardo!Eduardo.—Muito galhofeiro, minha rica senhora... E alli o do meu amigo é sombrio como o d'um encapotado de drama em cinco actos.Alvaro.—A verdade é que nos não parecemos...Eduardo.—Felizmente para o senhor ou para mim... Mas na singelesa do coração, na temperatura do amor, ha-de permittir que sejamos parecidos como Pylades com Orestes...Alvaro.—Não temos semelhança nenhuma... Eu não posso brincar com as paixões...Eduardo(áparte, a Leocadia).—É da força de trinta Paulos; mas a Virginia que o escuta, só com os olhos, d'aqui a pouco remette-o ao catalogo dos Othellos em quarta mão. (Alvaro e Julia retiram-se). Espero que não se baterá comigo, snr. Alvaro... Não respondeu!... Aquelle silencio não quer dizer nada; mas, quem não conhecer o homem, ha-de suppor que a cratera vai rebentar... Quer sentar-se, minha senhora?...Leocadia.—Sim... um momento... Ahi vem Jorge.Eduardo.—Ah!... V. exc.aestremece!... Muito me ama! (rindo). É d'uma ingenuidade mythologica!SCENA VIII.Leocadia,EduardoeJorge.Jorge.—Eduardo, preciso roubar-te um instante a essa senhora... tens a bondade!Eduardo.—Ah! sim... esta senhora não vai de certo queixar-se á policia pelo roubo...Jorge(a sós).—Fazes um sacrificio deixando-me cinco minutos com ella?Eduardo.—Sacrificio... nenhum; mas a decencia pede que eu não esteja aqui servindo de sentinella á vista a um teu namoro... Ai!... espera... eu dirijo-me a estas duas almas penadas, que ahi vem... Vou comprimental-as, e tu, como penetrante abutre, desce o vôo sobre a presa... (Comprimenta duas damas, vestidas de branco, em quanto Jorge vai sentar-se ao lado de Leocadia). Parecem-me dous anjos, minhas senhoras. São duas virgens de Taurida, que fazem lembrar as alvissimas virtudes de Ephigenia... (As damas, que elle acompanha, com gaifonas cortezãs, retiram-se sorrindo).SCENA IX.JorgeeLeocadia.Jorge.—Que caprichos são estes, Leocadia?Leocadia.—Caprichos!... O sentimento d'uma offensa é um capricho?!Jorge.—Qual é a offensa? Uma leviandade de Julia?Leocadia.—A leviandade foi minha, que não quiz imital-a a ella e a muitas, que sabem pisar os homens aos pés antes de lhes darem a mão para que se levantem. Eu dei-lhe a minha alma sem reserva... Fiz domeu amor um sagrado mysterio com medo que m'o profanassem. Violentei-me a olhal-o, em publico, com indifferença, para que ninguem me invejasse. Eram estes os seus conselhos, Jorge... Hoje é que eu comprehendo a horrivel significação d'este plano. O senhor precisava do segredo para agradar a muitas victimas illudidas com um só lance de olhos... Creia que tenho tanta pena de mim como de Julia...Jorge.—Olha, Leocadia... se o meu crime foi grande, a tua vingança excede-o... Não me pareces o anjo resignado que eu imaginei... O que eu acabo de fazer foi uma experiencia na tua alma... O resultado foi infeliz! Nunca previ que consentirias ao teu coração um arrojo vingativo, indigno de ti...Leocadia.—Que fiz eu?Jorge.—Que fizestes tu?... É boa a pergunta!... Procuraste n'esse salão o homem mais desacreditado, o espirito mais corrompido, o cynico mais orgulhoso de o ser, e disseste-lhe que o amavas, sorriste angelicamente ás suas phrases ironicas, e nivelaste-me com elle, apresentando-m'o como rival!... Eu... rival de Eduardo!...Leocadia(com vivacidade).—Como rival... nunca! Elle não podia ser seu rival... porque eu não tenho dous corações.... Fui imprudente... confesso que fui; mas não pude mais... a punhalada feriu-me de repente, não me deu tempo de pensar... disse-lhe não sei quê dos labios, mas o coração aborrece-o, porque eu não posso amar alguem com mais virtudes do que tu... pouco me importa que tu sejas tão cynico, tão desmoralisado como Eduardo... Oh! Deus queira que me não ouvissem... Ahi vem Julia... Eu retiro-me... A mãi está com os olhos fixos em mim... (Menção de sahir).SCENA X.Alvaro , JuliaeJorge.Julia(passando por Leocadia).—Muitos parabens, minha amiga...Leocadia.—De que?Julia.—Transigiste amigavelmente?...Leocadia.—Não sei que dizes...Julia(ironica).—Innocentinha... (Leocadia sahe.Passam alguns grupos de homens e senhoras).Alvaro(que não vê Jorge).—Jorge não é homem talhado para o seu coração...Julia.—Falle baixo, que elle está muito perto... Mas não se cale... diga alguma cousa.Alvaro.—É necessario ter o coração puro de amores viciosos para conceber a sublime candura do seu...Julia.—Hei-de morrer sem ser comprehendida...Alvaro.—Não nasceria eu para comprehendêl-a?Julia.—Ai! não... a minha alma é um abysmo, onde se esconde o anjo do bem, e a serpente do mal... Tenho na mesma intensidade transportes d'amor e odio...Alvaro.—Qual lhe mereço?...Julia.—Quer-me sincera? uma verdadeira estima de irmã...Alvaro.—Só?Jorge(sem erguer-se do sophá).—Ó snr. Alvaro!... Que tal acha a eloquencia d'esta senhora?Alvaro.—A pergunta é celebre; todavia, responderei: a eloquencia d'esta senhora é excellente...Jorge.—E v. exc.a, snr.aD. Julia, que tal acha a eloquencia d'aquelle senhor?Julia.—Eu sou menos generosa que este cavalheiro: não lhe respondo.Jorge.—Responda, responda, que v. exc.anão é responsavel pelo que diz...Alvaro.—Eu não posso consentir que se affronte assim uma senhora!...SCENA XI.

De v. exc.a

Camillo Castello Branco.

Uma saleta contigua a um salão de baile, separada por largas portadas de vidro, através das quaes se vêem perpassar, em passeio, damas e cavalheiros.

Julia,eLeocadia,entrando, como fatigadas, sentam-se n'um sophá.Juliatira da cabeça uma grinalda de flôres brancas, que arremessa com desdem sobre o sophá.

JuliaeAlvaro.

JorgeeEduardo.

Jorgee depoisJulia.

Jorge,eEduardo,dando o braço aLeocadia.

EduardoeLeocadia.

Leocadia, Eduardo, JuliaeAlvaro.

Leocadia,EduardoeJorge.

JorgeeLeocadia.

Alvaro , JuliaeJorge.


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