CAPITULO IX

CAPITULO IX

Argumento

Innocencio entedia-se de judeus e arvores. Partem os noivos para Monsão. Nicoláo d’Almeida em Caminha. Os tolos de 1845 menos damninhos que os de 1868. Ciumes de Innocencio e má creação. Recordações atacantes do administrador do concelho que apertou a mão de Thomazia. Aperta e estorcega o braço da mulher. Entram arrufados no Porto, depois de terem visto na «Ponte da Pedra» o Guimarães, que se porta como quem era. Innocencio e o macho. Thomazia desabafa com Custodia. Tempestade imminente formada em casa de Rosinha, que lia o «Homem dos trez calções». De como Leonardo queria matar Innocencio, e o que o pae lhe diz a este respeito.

Innocencio entedia-se de judeus e arvores. Partem os noivos para Monsão. Nicoláo d’Almeida em Caminha. Os tolos de 1845 menos damninhos que os de 1868. Ciumes de Innocencio e má creação. Recordações atacantes do administrador do concelho que apertou a mão de Thomazia. Aperta e estorcega o braço da mulher. Entram arrufados no Porto, depois de terem visto na «Ponte da Pedra» o Guimarães, que se porta como quem era. Innocencio e o macho. Thomazia desabafa com Custodia. Tempestade imminente formada em casa de Rosinha, que lia o «Homem dos trez calções». De como Leonardo queria matar Innocencio, e o que o pae lhe diz a este respeito.

Ao quarto dia da lua, Innocencio, sentado na «Fonte do Sátiro», por volta do meio dia, abriu a bocca, benzeu as fauses escancaradas com o dedo polegar—costume pio e cauto da sua familia—e disse á esposa:

—Vamos nós embora ámanhã, Thomazinha? Isto já me aborree... E a ti?

—Eu...—murmurou a senhora espriguiçando-se—tanto faz... Se queres, vamos.

—Estou farto de ver arvores e judeus... e tu, Thomazinha?

—Sim, eu, tambem... Mas queres tu, Innocencinho? Vamos nós a Monção ver as minhas tias, irmãs de meu pae? Prometti de lá ir visital-as... nunca as vi... A gente que vae fazer já para casa?!

—Pois vamos lá, se queres, menina.

E, torneando o braço pelo collo mal velado da esposa, desceu com ella por sob a abobada de folhagem onde os pintasilgos e os cerezinos os rivalisavam no mimo do dialogo.

Ao quebrar da calma, desceram para Braga, e na madrugada seguinte jornadearam para Monção.

Detiveram-se alguns dias em casa das irmãs do capitão Alves, e voltaram por Caminha.

Recorde-se o leitor de ter dito Nicoláo d’Almeida ao meu amigo Antonio Joaquim, no theatro de S. João em 1845, que, dois annos antes, vira em Caminha e nunca mais podéra esquecer a formosa mulher que outra vez topára agora no camarote da 3.ª ordem.

Foi então que elle a viu, e por tal maneira se lhe areou o juizo ao vêl-a que fez azoar Innocencio.

Era, n’aquelle tempo, Nicoláo orfão, gentil, rico, fidalgo de solar conhecido, estudante do segundo anno juridico. Tinha desoito annos. Estroinava sem peias nem contradicção de parentes. Sobravam-lhe usurarios valedores nas prodigalidades. Tinha tontices galantes, sendo a menos perigosa querer finar-se de amores por alguma linda mulher que não tinha ainda topado. Isto me contava elle em Coimbra como hoje em dia um academico de dezoito annos vos conta gravemente as suas meditaçõesácerca do influxo de Kant e Hegel na historia psicologica do espirito humano, ou os projectos com que giza salvar Portugal da divida externa, quando for chamado aos conselhos da corôa. Os tolos de 1845 eram menos damninhos.

Grávido d’este pensamento suicida, Nicoláo d’Almeida quando viu a loira Thomazia, nas praias de Caminha, ao entardecer, com os olhos enamorados do sol que se atufava nas aguas escamosas de revérberos argentinos, cuidou que era aquella a mulher predestinada. Visinhou-se d’ella com impeto de pessoa empurrada pelos fados, e remirou-a tão em cheio e de vagar como se o marido não representasse coisa nenhuma ao lado da creatura fatidica, enviada expressamente a Caminha para realisação do seu sonho.

Innocencio encarou n’elle avincando a testa ao mesmo passo que a esposa, perfilando o rosto, segredou ao marido:

—Que está a olhar p’ra mim o diabo do homem!...

Deu-lhe o braço o carrancudo esposo e foi para a estalagem, murmurando:

—Aquelle asno olhava-te como se te conhecesse ha muito.

—Eu nunca o vi...—disse ella.

—Não?...—perguntou Innocencio em tom de suspeita...

—Não.

—Quem sabe?! Tu...

—Eu... quê?

—Não te confessas...

—Ora vejam isto!—replicou entre agastada e dorida a senhora.—Sempre tens manias!... Já hontem quizeste pegar comigo, quando o administrador do concelho me apertou a mão...

—Pois elle!... Eu não gósto d’essas modernices...

—Toda a gente aperta a mão... Isso que faz?

—Não gosto: é mau costume.

—Pois tivesses-m’o dito. Para a outra vez, quando alguem me quizer apertar a mão, escondo a minha—tornou ella amuada.

—Ai! ai! ai!—replicou o marido.—Estás muito enjoada...

—Pois eu!... Tenho agora culpa de que o homem olhasse para mim...

—Não tens; mas... aquelle modo de olhar...

N’isto deu Innocencio tino de que o seguiam de perto. Olhou e viu o rapaz dos olhos espantadiços.

—Elle cá vem—disse o marido apertando o braço da mulher com convulsiva raiva.

—Olha que me magôas o braço...—gemeu ella.

—Vêl-o? ahi vem!...

—Deixa-lo vir... Olha o doido do homem que me havia de empécer agora!...

Tinham entrado na estalagem quando o secundanista retrocedeu a botar inculcas sobre a procedencia e destino da mulher que, a seu juizo, lhe era enviada como um acepipe dos festins de Lucrecia Borgia, um calix de aguatufana, uma coisa que lhe caíra do céo como a tartaruga que matou Eschilo. Os rapazes teem coisas!

Não esquadrinhou nada n’aquella noite desvelada a litografar na alma o retrato da peregrina incognita.

No dia seguinte quando voltou a bordejar os áditos da estalagem, soube que os passageiros, ao luzir da aurora, tinham saído em direcção ao Porto, d’onde eram. Nicoláo d’Almeida ainda mandou pôr a cella no cavallo e vestir o lacaio no proposito de os seguir; mas quebrantado pela sobreexcitação cerebral da noite, sentiu-se desmaiar de forças, e quedou-se marasmado em casa a cogitar e a remergulhar o espirito na visão resplendente d’aquelle rosto com que Deus quizera experimentar a continencia dos seus santos.

Se os destinos humanos não estivessem prescriptos lá em cima, ou lá em baixo, ou onde quer que seja, a intervenção do fidalgo de Caminha n’esta moralissima historia acabaria aqui, ou nunca deveria ter principiado, á vista de tão chôcho e trivial remate.

Ora hão de ver que relampago fulgurava das nubelosidades do porvir e alumiava confusamente os presagios da desconcertada fantasia de Nicoláo d’Almeida!

Os esposos chegaram ao Porto arrufados, doze dias depois que tinham saído a chotarem jubilosamente pela rua de Santa Catharina acima.

Os agastamentos principiados em Caminha aggravaram-se na «Ponte da Pedra», onde Innocencio viu o João José da Costa Guimarães esturdiando com outrosrapazes da sua laía debaixo dos sobreiros, não já com a innocencia arcadica dos que comiam a fructa d’aquellas arvores, mas antes com o desplante de moços que tinham vindo ali arejar as cabeças aquecidas na taverna fronteira.

João José, quando divisou Thomazia, fez da cara uma comprida careta, esbugalhou os olhos, torceu o pescoço e disse aos parceiros:

—Olha! olha!

Olharam todos. Innocencio fumegante de indiscreta raiva dava de esporas no macho, que reagia a coices, por estar vesado a desougar-se n’aquella estação.

—Deixe dar duas palhas ao macho que está aqui affeito!—bradava o arrieiro.

Innocencio teimava a esporeal-o com furia, e elle a escoucear, até que de repellão se remessou a galope pela ladeira acima, cedendo a victoria ao rei da creação. Thomazia deteve-se á espera que a mula, mais ditosa, mastigasse a palha. Lá no topo da encosta fez Innocencio parar o macho, voltou-se sobre a anca e bradou:

—Então? vens ou ficas?

A senhora, para requintar em belleza, purperejára-se de pejo, por que os rapazes, até certo ponto desculpaveis, riam sem disfarce das cargas de espora que o das Cangostas barbaramente inflingira á victima indirecta do seu ciume. Além d’estes incentivos, um ou dois do grupo conheciam Thomazia e lembravam-se da carta lida na Praça-nova. Dado que a gentileza da dama sefizesse respeitar e até perdoar os desatinos da grammatica, nem assim vingou abafar os frouxos de riso exemplificados pelas chalaças de Costa Guimarães que passava de estupido a torpe, quando a violencia lhe aperfeiçoava a indole.

Estão bem entendidos os amúos dos conjuges, e mal justificados os assomos do agastadiço Innocencio.

Os velhos sentiram logo a desavença das duas almas que tão amorosas tinham saído. Entrou em averiguações Gervasio. O filho nada esclareceu, porque reconhecia que não tinha bem ajuizados motivos de queixa. Mas a esposa, assim que poude estar sósinha com Custodia, prorompeu em soluçantes vozes:

—Este homem não se póde aturar! Fez-me de fel e vinagre desde Caminha até ao largo da Agua-Ardente, porque viu um homem a olhar para mim, e encontrou o tal maroto do Guimarães na «Ponte da Pedra...»

—Má raios o partam!—atalhou a benigna Custodia da Porciuncula.

—Ora vê tu que culpa tenho eu de lá estar o homem em Caminha!... Pois fez-me desesperar e arrepender mais de cem vezes de ter casado com elle!...

—Ora menina, ora menina!—acudiu-a velha—Não diga isso, que me parece doidinha! Seu homem zela-a, porque o amor é assim. E a minha linda não fazia o mesmo, se visse as outras mulheres a olhar p’ra elle?

—Que me importa?!—refutou ella.—Estou bem aviada se não hei de ir onde me vejam! Então p’raque me casei? que me faz ser rica? Por ahi as meninas pobres, quando casam com os brasileiros, apparecem logo no theatro, nos bailes da assembléa, no jardim de S. Lazaro, e em toda a parte.

—Deixe estar, que ainda não é tarde, filha! Pois ainda casou outro dia, e já se queixa?...

—Não, que elle já me disse que não queria saber de partidas nem de theatros... Pois tu não sabes? Zangou-se todo por que o administrador do concelho me apertou a mão!

—Pois esse homem apertou a mão da menina?—perguntou Custodia sobre modo espantada.

—Apertou, que é moda agora.

—Que leve o demo essa moda e mais quem a cá trouxe! Lá n’isso teve o seu homem juizo, e a menina não fez bem em consentir que lhe apertasse a mão homem nenhum.

—Ai! que me pareces tonta de velhice!—redarguiu a senhora abespinhando-se, e voltando-lhe as costas.

Custodia ficou-se a vel-a ir com tão desusada descortezia; reflectiu alguns segundos; levantou a mão direita á altura da cabeça, com o dedo indicador deu trez toques na testa, e espectorou um fundo suspiro murmurando:

—Não regula bem...

Volvidos alguns minutos, Thomazia voltou a ameigar Custodia que estava chorando a magua da desfeita. Pagou-se jovialmente a velha dos affagos da suamenina, e deu-lhe bons conselhos, tendentes a revestil-a de paciencia para soffrer os ciumes do esposo.

Cabe aqui dar conta de uma tempestade que se está conglobando sobre a mal-estreada ventura d’estes esposos. Muita gente cuida que as grandes desgraças procedem de profundas causas, e não attentam que basta um sopro de odio para accender infernos. Ha infortunios surdidos de repente, como as viboras que sob-rojam por entre flores: e para maior assombro é isso quando a vida é de rosas; que, nos casamentos mal sorteados, havemos de suppor que a serpente já vem escondida na estola do sacerdote, cujas palavras soam o terrivelunidos para sempre.

A Rosinha da Praça-Nova, convicta de ser amada, porque as cartas de Innocencio lh’o asseguravam, andou muito lampeira a dizer ás suas amigas que o Barros das Cangostas casava com ella.

A noticia vulgarisou-se levada pela inveja, parelha inseparavel da fama. O pae de Rosa já recebia os emboras dos seus amigos, e esquadinhava noticias para formar um calculo aproximado da «fortuna» de Gervasio. Sessenta contos era o computo mais seguido na praça; outros faziam-lhe cem, calculando que elle tinha uma reserva de quarenta em sonante. Alguns, inventariando os haveres de Luiz de Pinhel, tio materno de Innocencio, avultavam a «fortuna» a seiscentos contos. Desfaziam outros n’este calculo, affirmando que Luiz de Pinhel tinha filhos illegitimos de differentes negrassuas escravas. Sem embargo, e independente de heranças, o dote do promettido noivo de Rosinha era um dos mais abalisados no Porto d’aquelle tempo.

O filho de Gervasio não se despedira de Rosa, quando saiu para o Douro. Foi caso discutido na familia da Praça-Nova, sem comtudo insinuar receios na menina. Mostrava ella a seu pae a ultima carta do namoro. O pae lia solemnemente á mulher os periodos da missiva; a mulher com visos de entendida no valor das palavras, esclarecia as passagens obscuras; e harmonicamente decidiam que o casamento era negocio feito.Negocioera a palavra chã e ajustada a todas as situações graves da vida.

Sem impedimento d’este accordo, Rosa, ao fim de trez dias, escreveu a Innocencio uma carta de queixumes, notada pelo irmão, que teimava em que a palavraapaixonadase escrevia comche não comx. A menina, irritada pela obstinação do mano, foi ao seu quarto, e trouxe triumphalmente uma brochura em punho, e mostrou a pag. 7 doHomem dos trez calções, de Paulo de Kock a victoria da sua orthografia.

A carta adressada a Provesende foi recambiada para o Porto, e entregue a Innocencio, quando elle se recolheu do Minho.

Emquanto Thomazia expandia a sua tristeza no confidente seio de Custodia, lia o marido a carta de Rosa.

Nunca tão amoravel e terna lhe tinha escripto a saudosa menina. As frases queixosas reviam meiguice etristesa condescendente. «Diverte-te, meu bem, mas não te esqueças da tua Rosa»—escrevia ella e proseguia: «Espero ainda ir ao sitio onde estás, meu amor encantador; e lembrar-te o tempo em que eu por ti suspirava, de ti ausente, e tão apaixonada» (Esta palavra foi a da questão, decidida pelo traductor doHomem dos trez calções).

Periodos sentimentaes, á proporção d’aquelle, pesaram por tal sorte no coração de Innocencio, que as lagrimas lhe envidraçaram a vista. Atirou-se para uma cadeira, fechou os punhos, e tapou os olhos. Sacudiu a dor, levantando-se de salto, amarfanhou a carta, e metteu-a no bolso da judia, por que ouvira o ranger das botinhas da esposa.

Thomazia não reparou n’elle. Entrou ao quarto, calçou os seus confortaveis sapatos de tapete, e saiu para ir desabafar com a velha.

Retrocedamos. Na Praça-Nova é que se acastellam as nuvens borrascosas; que as scenas das Cangostas de vulgares que são, mal quadram n’este livro em que o sublime roça pelo sobrenatural.

Quem primeiro levou a casa do senhor Joaquim José de Barcellos, pae de Rosa, a noticia do casamento de Innocencio com a orfã Thomazia, foi o sacristão de S. Nicoláo. A authoridade era indeclinavel; ainda assim, Joaquim José bufava com os dois punhos sobre o balcão, e bramia:

—Você que diz?! você que diz?!

O sacristão dizia que tinha alumiado com uma tochaa cerimonia do casamento, e recebera trez pintos da mão de Gervasio.

Rosa descia á loja, n’este acto, perguntando ao pae se o correio já tinha vindo. O indiscreto progenitor encarou na filha com um surriso empeçonhado de injusta cólera, e regougou:

—Já veio. Aqui está...

E apontou para o sacristão, continuando:

—Diga você a esta menina o que me disse a mim.

O funccionario do templo encolheu-se e tergiversou compreendendo a agudeza do ferro que ia remessar ao peito da menina. Rosa estava literalmente ás aranhas, sem perceber o silencio do desconhecido sacristão nem o surriso ferocissimo do pae.

—Então que é, papá?!—perguntou ella.

—Que é? que é?—ullulou Joaquim de Barcellos.—É que o teu noivo... esse patife... esse ladrão... casou hoje com a rapariga que lá foi creada em casa.

Á palavracasou, Rosa não exalou oai!do costume, nem ooh!menos vulgar. Primeiro estremeceu, depois abriu a boca, porque ninguem se exime da acção que exerce o espanto sobre o queixo inferior; em seguida, rodou sobre os calcanhares vagarosamente; e por fim, foi-se embora.

Os irmãos tinham assistido a esta calamidade de familia, ora lividos de espanto, ora afogueados de ira.

—E agora?—exclamou Joaquim José.—Esta vergonha!... O descredito da minha filha!...

Leonardo, o filho mais velho, o secretario da irmã, oinventor dochempaixão, tôrvo, sinistro, a passo mesurado acercou-se do pae e disse-lhe com voz de tirano rouco:

—Se o pae quizer... mata-se!

—Vae-te p’ro diabo!—respondeu o velho.—Hasde sempre ser uma cavalgadura!

—Os creditos de minha irmã...—redarguiu respeitosamente Leonardo.

—Não fosse ella tola...—retorquiu o velho.—Obrigasse-o a casar ha mais tempo! Agora é pegar-lhe com um trapo! Ora vejam vocês que risadas não darão os nossos visinhos! Aqui o Magalhães, quando souber isto, vae com uma campainha por toda a parte...

—Se fôr... quebro-lhe a cara—atalhou Leonardo, enfuriando o olhar suino e grifando as unhas.

—Cala-te ahi, lorpa!—bradou Joaquim José.—Olha que eu prendo-te nas aguas furtadas se me dás um pio a este respeito! O que se ha de fazer é mostrar-se a gente muito satisfeita; e, se eu vejo Rosa a chorar, dou-lhe duas bofetadas na cara.

—Ella não chora...—interveio o filho Roque, varão prudentissimo que estivera a malucar taciturno.

—Não? como sabes tu isso?

—Sei, porque ella não gostava d’elle nada. Se casava, era para ser rica... as outras fazem o mesmo...

—Pois sim; mas agora? Vocês verão que homem rico não n’a quer nenhum dos que souberem da tratantice do outro!... Raça de judeu, e basta!

N’este ponto, começaram a entrar dois amigos do logista,com as caras de lucto. Joaquim José recebeu-os com alegre sombra, fingiu ignorar a novidade, e dissimulou indifferença tão habilmente, que vingou mallograr a secreta satisfação com que os «amigos» lhe davam o golpe.


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