CAPITULO V.

Aid ôs te kalle ka aretês polis,Prôtoê sgathis hamartia deuteron de ais chunêDa belleza e virtude é a cidadellaA innocencia primeiro—e depois ella.Mas a auctoridade responde-se com auctoridade, e a texto com texto. E eu trago aqui na algibeira o meu Addison—um dos poucos livros que não largo nunca—e atiro com o philosopho inglez ao philosopho grego e fico triumphante: porque Addison não põe nada acima damodestia; e Addison, apezar da sua casaca de penneiros, é muito maior philosopho do que foi Démades com a sua tunica e o seu palio atheniense.O erudito e amavel leitor escapará d'ésta vez a mais citações: compre umSpectator, que é livro sem que se não póde estar, e vejapassim.Eu gósto, bem se ve, de ir ao incôntro das objecções que me podem fazer; lembro-as eu mesmo paraque depois me não digam:—'Ah, ah! vinha a ver se pegava!'—Não senhor, não é o meu genero esse.Francamente pois... eis-ahi o que poderão dizer:—'Addison foi secretario d'Estado, e então...'—Então o quê? Não concebem um secretario d'Estado philosopho, um ministro poeta, escriptor elegante, cheio de graça e de talento? Não, bem vejo que não: teem a idea fixa de que um ministro d'Estado hade ser por fôrça algum semsaborão, malcriado e petulante. Mas isto é nos paizes adiantados em que ja é indifferente para a coisa-pública, em que povo nem principe lhes não importa ja, em que mãos se intregam,a que cabeças se confiam. Em Inglaterra não é assim, nem era assim no tempo de Addison.Fossem lá á rainha Anna que deixasse entrar no seu gabinete quatro calças de coiro sem criação nem instrucção, e não mais senão so porque este sabía jogar nos fundos, aquelle tinha boas tretas para ocanvassingde umas eleições, o outro era figura importante noFreemasson's-hall!Ja se ve que em nada d'isto ha a minima allusão ao feliz systema que nos rege: estou fallando de modestia, e nós vivemos em Portugal.A modestia comtudo quando é excessiva e se aproxima do acanhamento, do que no mundo se chamafalta de uso—póde ser n'um homem quasi defeito inteiro. Na mulher é sempre virtude, realce de belleza ás formosas, disfarce de fealdade ás que o não são.Por mim, não conheço objecto mais lindo em toda a natureza, mais feiticeiro, mais capaz de arrebatar o espirito e inflammar o coração do que é uma joven donzella quando a modestia lhe faz subir o rubor ás faces, e o pejo lhe carrega brandamentenas palpebras... Pouco lume que tenha nos olhos, pouco regular que seja o semblante, menos airosa que seja a figura, parecer-vos-ha n'esse momento um anjo. E anjo é a virgem modesta, que traz no rosto debuxado sempre um ceo de virtudes...—De alguma belleza sei eu cujos olhoscôr da noiteou desaphyra(dialec. poet. vet.), cujas faces deleite e rosas, dentes depérolas, collo demarfim, transas deebano(a allusão é surtida, ha onde escolher) davam larga materia a boas grozas de sonetos—no antigo regimen dos sonetos, e hoje inspirariam myriadas de canções descabelladas e vaporosas, choradas na harpa ou gemidas no alahude. Comtanto que não seja lyra, que é classico, todo o instrumento, inclusivamente a bandurra, é egual deante da lei romantica.Ora pois, mas a tal belleza, por certo ar ala-moda, certo não-sei-quê de atrevido nos olhos, de deslavado na cara, e de descomposto nos ademanes, perde toda a graça e quasi a propria formosura de que a dotára a natureza...Vêde-me aquelles labios de carmim. Ha maio florido que tam lindo botão de rosa apresente aoalvorecer da madrugada?... Mas olhae agora como o riso da malicia lh'o desfolha tam feiamente n'uma desconcertada risada...Desvaneceu-se o prestigio.Não havia moço nem velho, homem do mundo ou sabio de gabinete que não désse metade dos seus prazeres, dos seus livros, da sua vida por um so beijo d'aquella bôcca... Agora talvez nem repetidosavanceslhe façam obter um namorante de profissão e officio... E hade pagá-lo adeantado, e porque preço!...Mas o que terá tudo isto com a jornada da Azambuja ao Cartaxo? A mais íntima e verdadeira relação que é possivel. É que a pensar ou a sonhar n'estas coisas fui eu todo o caminho, até me achar no meio do pinhal da Azambuja.Ahi parámos, e acordei eu.Sou sujeito a éstas distracções, a este sonharacordado. Que lhe heide eu fazer? Andando, escrevendo, sonho e ando, sonho e fallo, sonho e escrevo. Francamente me confesso de somnambulo, de somniloquo, de... Não, fica melhor com seu ar de grego (tenho hoje a bossa hellenica n'um estado de tumescencia pasmosa!); digamos somnilogo, somnigrapho...A minha opinião sincera econscienciosaé que o leitor deve saltar éstas folhas, e passar ao capitulo seguinte, que é outra casta de capitulo.CAPITULO V.Chega o A. ao pinhal da Azambuja, e não o acha. Trabalha-se por explicar este phenomeno pasmoso. Bello rasgo de stylo romantico.—Receita para fazer litteratura original com pouco trabalho.—Transição classica: Orpheu e o bosque do Ménalo.—Desce o A. d'estas grandes e sublimes considerações para as realidades materiaes da vida: é desamparado pela hospitaleira traquitana e tem de cavalgar na triste mula de arrieiro.—Admiravel choito do animal. Memorias do marquez do F. que adorava o choito.Este é que é o pinhal da Azambuja?Não póde ser.Ésta, aquella antiga selva, temida quasi religiosamente como um bosque druidico! E euque, em pequeno, nunca ouvia contar historia de Pedro de Mallas-artes, que logo, em imaginação, lhe não pozesse a scena aqui perto!... Eu queesperavatopar a cada passo com a cova do capitão Roldão e da dama Leonarda!... Oh! que ainda me faltava perder mais ésta illusão...Por quantas maldicções e infernos adornam o stylo d'um verdadeiro escriptor romantico, digam-me, digam-me: onde estão os arvoredos fechados, os sitios medonhos d'esta espessura. Pois isto é possivel, pois o pinhal da Azambuja é isto?... Eu que os traziapromptos e recortadospara os collocar aqui todos os amaveis salteadores de Schiller, e os elegantes facinorosos doAuberge-des-Adrets, eu heide perder os meus chefes-d'obra! Que é perdê-los isto—não ter onde os pôr!..Sim, leitor benevolo, e por ésta occasião te vou explicar como nós hoje em dia fazemos a nossa litteratura. Ja me não importa guardar segredo, depois d'esta desgraça não me importa ja nada. Saberás pois, ó leitor, como nós outros fazemos o que te fazemos ler.Tracta-se de um romance, de um drama—cuidasque vamos estudar a historia, a natureza, os monumentos, as pinturas, os sepulchros, os edificios, as memorias da epocha? Não seja pateta, senhor leitor, nem cuide que nós o somos. Desenhar characteres e situações dovivoda natureza, collori-los das côres verdadeiras da historia... isso é trabalho difficil, longo, delicado, exige um estudo, um talento, e sôbretudo um tacto!... Não senhor: a coisa faz-se muito mais facilmente. Eu lhe explico.Todo o drama e todo o romance precisa de:Uma ou duas damas,Um pae,Dois ou tres filhos, de dezanove a trinta annos,Um criado velho,Um monstro, incarregado de fazer asmaldades,Varios tractantes, e algumas pessoas capazes para intermedios.Ora bem; vai-se aos figurinos francezes de Dumas, de Eug. Sue, de Victor-Hugo, erecortaa gente, de cadaum d'elles, as figuras que precisa, gruda-as sôbre uma folha de papel da côr da moda, verde, pardo, azul—como fazem as raparigas inglezas aos seus albums e scrapbooks; fórma com ellas os grupos e situações que lhe parece; não importa que sejam mais ou menos disparatados. Depois vai-se ás chronicas, tiram-se uns poucos de nomes e de palavrões velhos; com os nomes chrismam-se os figurões, com os palavrõesilluminam-se... (stylo de pintor pinta-monos).—E aqui está como nós fazemos a nossa litteratura original.E aqui está o precioso trabalho que eu agora perdi!Isto não póde ser! Uns poucos de pinheiros raros e infezados atravez dos quaes se estão quasi vendo as vinhas e olivedos circumstantes!.. É o desapontamento mais chapado e solemne que nunca tive na minha vida—uma verdadeira logração em boa e antiga phrase portugueza.E comtudo aqui é que devia ser, aqui é queé, geographica e topographicamente fallando, o bem conhecido e confrontado sitio do pinhal da Azambuja...Passaria por aqui algum Orpheu que, pelos magicos podêres da sua lyra, levasse atraz de si as árvores d'este antigo e classico Menalo dos salteadores lusitanos?Eu não sou muito difficil em admittir prodigios quando não sei explicar os phenomenos por outro modo. O pinhal da Azambuja mudou-se. Qual, de entre tantos Orpheus que a gente por ahi ve e ouve, foi o que obrou a maravilha, isso é mais difficil de dizer. Elles são tantos, e cantam todos tão bem! Quem sabe? Juntar-se-hiam, fariam uma companhia por acções, e negociariam um emprestimo harmonico com que facilmente se obraria então o milagre. É como hoje se faz tudo; é como se passou o thesoiro para o banco, o banco para as companhias de confiança... porque se não faria o mesmo com o pinhal da Azambuja?Mas aonde está elle então? faz favor de me dizer...Sim senhor, digo:está consolidado. E se não sabe o que isto quer dizer, leia os orçamentos, veja a lista dos tributos, passe pelos olhos os votos de confiança; e se depois d'isto, não souber aonde e comose consolidouo pinhal d'Azambuja, abandone a geographia que visivelmente não é a sua especialidade, e deite-se a finança, que tembossa;—fazemo-lo eleger ahi por Arcozello ou pela cidade eterna—é o mesmo—vai para a commissão de fazenda—depois lord do thesoiro, ministro: éescalla, não offendia nem a rabujenta constituição de 38, quanto mais a carta.O peior é que no meio d'estes campos onde Troia fôra, no meio d'estas areias onde se acoitavam d'antes os pallidos medos do pinhal da Azambuja, a minha querida e bemfazeja traquitana abandonou-me; fiquei como o bomXavier de Maistrequando, a meia jornada do seu quarto, lhe perdeu a cadeira o equilibrio, e elle cahiu—ou ia caindo, ja me não lembro bem—estatellado no chão.Ao chão estive eu para me atirar, como criançaamuada, quando vi voltar para a Azambuja o nosso commodo vehiculo, e deante de mim a infezada mulinha asneira que—ai triste!—tinha de ser o meu transporte d'alli até Santarem.Emfim o que hade ser, hade ser, e tem muita fôrça. Consolado com este tam verdadeiro quantoeleganteproverbio, levantei o ânimo á altura da situação e resolvi fazer próva de homem forte e supportador de trabalhos. Bifurquei-me resignadamente sôbre o cilicio do esfarrapado albardão, tomei na esquerda as impermeaveis redeas de coiro cru, e lancei o animalejo ao seu mais largo trote, que era um confortavel e amenissimo choito, digno de fazer as delicias do meu respeitavel e excentrico amigo, o marquez do F.Tinha a bossa, a paixão, a mania, a furia de choitar aquelle notavel fidalgo—o último fidalgo homem de lettras que deu ésta terra. Mas adorava o choito o nobre marquez. Conheci-o em París nos ultimos tempos da sua vida, ja octogenario ou perto d'isso: deixava a sua carruagem ingleza toda mollas e confortos para ir passear n'um certo cabriolet de praça que elle tinha marcadopelo sêcco e duro movimento vertical com que sacudia a gente. Obrigou-me um dia a experimenta-lo: era admiravel. Communicava-se da velha horsa normanda aos varaes, e dos varaes á concha do carro, tam inteiro e tam sem diminuição, o choito do execravel Babiéca! Nunca vi coisa assim. O marquez achava-lhe propriedades toni-purgativos, eu classifiquei-o de violentissimo drastico.Foi um dos homens mais extraordinarios e o portuguez mais notavel que tenho conhecido, aquelle fidalgo.Era feio como o peccado, elegante como um bugio, e as mulheres adoravam-n'o. Filho segundo, vivia de seus ordenados nas missões por que sempre andou, tractava-se grandiosamente, e legou valores consideraveis por sua morte. Imprimia uma obra sua, mandava tirar um unico exemplar, guardava-o e desmanchava as fòrmas....—Não acabo se coméço a contar historias do marquez do F.Piquemos para o Cartaxo, que são horas.CAPITULO VI.Próva-se como o velho Camões não teve outro remedio senão misturar o maravilhoso da mythologia com o do christianismo.—Da-se razão, e tira-se depois, ao padre José Agostinho.—No meio d'estas disceptações academico-litterarias vem o A. a descobrir que para tudo é preciso ter fé n'este mundo. Diz-sen'este mundo, porque, quanto ao outro ja era sabido.—Os Lusíadas, Fausto e a Divina-Comedia.—Desgraça do Camões em ter nascido antes do romantismo.—Mostra-se como a Styge e o Cocyto sempre são melhores sitios que o Inferno e o Purgatorio.—Vai o A. em procura do marquez de Pombal, e dá com elle nas ilhas Beatas do poeta Alceu.—Partida de Whist entre os illustres finados.—Compaixão do marquez pelos pobres homens de Ricardo Smith e J. B. Say.—Resposta d'elle e da sua luneta ás perguntas peralvilhas do A.—Chegada a este mundo e ao Cartaxo.O mais notavel, e não sei se diga, se continuarei aomenos a dizer, o mais indesculpavel defeito que até aqui esgravataram criticos e zoilos na Iliada dos povos modernos, osimmortaesLusiadas, é sem-dúvida a heterogenea e heterodoxa mistura da theologia com a mythologia, do maravilhoso allegorico do paganismo, com os graves symbolos do christianismo. A fallar a verdade, e por mais figas que a gente queira fazer ao padre José Agustinho—ainda assim! ver o padre Baccho revestidoin pontificalibusdeante de um retabulo, não me lembra de que sancto, dizendo o seudominus vobiscumprovavelmente a algum acholyto bacchante ou corybante, que lhe responde oet cum spiritu tuo!.. não se póde; é uma que realmente... E então aquelle famoso conceito com que elle acaba, digno da Phenix-Renascida:O falso deus adora o verdadeiro!Desde que me intendo, que leio, que admiro os Lusiadas; interneço-me, chóro, insuberbeço-me com a maior obra de ingenho que ainda appareceu no mundo, desde aDivina-Comediaaté aoFausto...O italiano tinha fé em Deus, o allemão no scepticismo, o portuguez na sua patria. É preciso crer em alguma coisa para ser grande—não so poeta—grande seja no que for. Uma Brizidavelha que eu tive, quando era pequeno, era famosa chronista de historias da carochinha, porque sinceramente cria em bruxas. Napoleão cria na sua estrella, Lafayette creu na republica-rei de Luiz-Philippe; e, para que ousemos tambemcelebrare domestica facta, todos os nossos grandes homens ainda hoje creem, um na juncta do crédito, outro nas classes inactivas, outro no mestre Adonirão, outro finalmente na belleza e realidade do systema constitucional que felizmente nos rege.Mas essas crenças são para os que se fizeram grandes com ellas. A um pobre homem o que lhe fica para crer? Eu, apezar dos criticos, ainda creio no nosso Camões: sempre cri.E comtudo, desde a edade da innocencia em que tanto me divertiam aquellas batalhas, aquellas aventuras, aquellas historias d'amores, aquellas scenas todas, tam naturaes, tam bem pintadas—até ésta fatal edade da experiencia, edade prosaica em que as mais bellas creações do espirito parecem macaquices deante das realidades do mundo, e os nobres movimentos do coração chymeras deenthusiastas—até ésta edade de saudades do passado e esperanças no futuro, mas sem gosos no presente—em que o amor da patria (tambem isto será phantasmagoria?), e o sentimento intimo dobellome dão na leitura dos Lusiadas outro deleite diverso, mas não inferior ao que n'outro tempo me deram—eu senti sempre aquelle grande defeito do nosso grande poema: e nunca pude, por mais que buscasse, achar-lhe, justificação não digo—nem siquer desculpa.Mas até morrer aprender, diz o adagio: e assim é. E tambem é aphorismo de moral, applicavel outrosim a coisas litterarias: que para a gente achar a desculpa aos defeitos alheios, é considerar—é pôr-se uma pessoa nas mesmas circumstancias, ver-se involvido nas mesmas difficuldades.Aqui estou eu agora dando toda a desculpa ao pobre Camões, com vontade de o justificar, e prompto (assim são as charidades d'este mundo) a sahir a campo de lança em reste e a quebrá-la com todo o antagonista que por aquelle fraco o atacar.—E porque será isto? Porque chegou a minha hora; e—si parva licet componnere magnis(a bossa proeminente hoje é a latina), aqui me acho eu com este meu capitulo nas mesmas difficuldades em que o nosso bardo se viu com o seu poema.Ja preveni as observações com o texto acima: bem sei quem era Camões, e quem sou eu; mas tracta-se daintalação, que é a mesma apezar da differença dos intalados. O auctor dos Lusiadas viu-se intalado entre a crença do seu paiz e as brilhantes tradições da poesia classica que tinha por mestra e modêlo.Não havia ainda então romanticos nem romantismo, o seculo estava muito atrazado. As odes de Victor-Hugo não tinham ainda desbancado as de Horacio; achavam-se mais lyricos e mais poeticos os esconjurios de Canidia, do que os pesadelos de um inforcado no oratorio; chorava-se com osTristesde Ovidio, porque se não lagrimejava com as meditações de Lamartine. Andromacha despedindo-se de Heitor ás portas de Troia, Priamo supplicante aos pés do matador do seu filho, Helena luctando entre o remorso do seu crime e o amor de Páris, não tinham ainda sido eclipsados pelas declamações damãe Eva ás grades do paraizo terreal. O combate de Achilles e Heitor, das hostes argivas com as troianas, não tinha sido mettido n'um chinello pelas batalhas campaes dos anjos bons e dos anjos maus á metralhada por essas nuvens. Dido chorando por Eneas não tinha sido reduzida a donzella choramigas d'Alfama carpindo pelo seuManelque vae para a India...Realmente o seculo estava muito atrazado: Milton não se tinha ainda sentado no logar de Homero, Shakspeare no de Euripedes, e lord Byron acima de todos: emfim não estava ainda anglizado o mundo, portantoa marcha do intellectono mesmo terreno, é tudo uma miseria.Ora pois, o nosso Camões, creador da epopea, e—depois do Dante—da poesia moderna, viu-se atrapalhado; misturou a sua crença religiosa com o seu credo poetico e fez,tranchons le mot, uma semsaboria.E aqui direi eu com o vate Elmano:Camões, grande Camões, quam similhanteAcho teu fado ao meu quando os cotejo!Vou fazer outra semsaboria eu, n'este bellocapitulo da minha obra-prima. Que remedio! Preciso fallar com um illustre finado, preciso de evocar a sombra de um grande genio que hoje habita com os mortos. E onde irei eu? Ao inferno? Espero que a divina justiça se apiedasse d'elle na hora dos ultimos arrependimentos. Ao purgatorio, ao empyreo? Apezar do exemplo daDivina Comedia, não me atrevo a fazer comedias com taes logares de scena,—e não sei, não gósto de brincar com essas coisas.Não lhe vejo remedio senão recorrer ao bem parado dos Elysios, da Styge, do Cocyto e seu termo: são terrenos neutros em que se póde parlamentar com os mortos sem compromettimento serio, e....Eis-me ahi no êrro de Camões—e nas unhas dos criticos; e as zagunchadas a ferver em cima de mim, que fiz, que aconteci....Mas, senhores, ponderem, venham ca: o que hade um homem fazer? O Dante não sei que gyria teve que baptisou Publio Virgilio Marão para lhe servir de cicerone nas regiões do inferno, do paraizo e do purgatorio christão, e tevetam boa fortuna que nem o queimou a Inquisição nem o descompoz a Crusca, nem siquer o mutilaram os censores, nem o perseguiram delegados por abuso de liberdade de imprensa, nem o mandaram para os dignos pares... Não se tinham ainda descoberto as mangações liberaes que se usam hoje: e as cartas que o povo tinha era a liberdade ganha e sustentada á ponta da espada, com muito coração e poucas palavras, muito patriotismo, poucas leis... e menos relatorios. Não havia em Florença nem gazeta para louvar as tolices dos ministros, nem ministros para pagar as tolices da gazeta.O Dante foi proscripto e exilado, mas não se ficou a escrever, deu catanada que se regallou nos inimigos da liberdade da sua patria.Quem dera ca um batalhão de poetas como aquelle!Que fosse porêm um triste vate de hoje escrever no seculo das luzes o que escrevia o Dante no seculo das trevas! Os proprios philosophos gritavam: Que escandalo! Atheus professos clamavam contra a irreverencia; gentes que nãoteem religião, nem a de Mafoma, bradavam pela religião: entravam a pôr carapuças nas cabeças uns dos outros, cahiam depois todos sôbre o poeta, e—se o não podessem inforcar, pelo menos declaravam-n'o republicano, que dizem elles que é uma injúria muito grande.Nada! viva o nosso Camões e o seu maravilhoso mistiforio; é a mais commoda invenção d'este mundo: vou-me com ella, e ralhe a crítica quanto quizer.Quero procurar no reino das sombras não menor pessoa que o marquez de Pombal: tenho que lhe fazer uma pergunta séria antes de chegar ao Cartaxo. E nós ja vamos por entre as riccas vinhas que o circundam com uma zona de verdura e alegria. Depressa o ramo de oiro que me abra ao pensamento as portas fataes—depressa a unctuosa sopetarra com que heide atirar ás tres gargantas do canzarrão. Vamos...Mas em que districto d'aquellas regiões acharei eu o primeiro ministro d'elrei D. José? Por onde está Ixion e Tantalo, por onde demora Sysipho e outros maganões que taes? Não; esse é umbairro muito triste, e arrisca-se a ter por administrador algum escandecido que me atice as orelhas.Nos Elysios com o pae Anchises e outros barbaças classicos do mesmo jaez? Eu sei? tambem isso não. Hade ser n'aquellas ilhas bemaventuradas de que falla o poeta Alceu e onde elle poz a passear, por eternas verduras, as almas tyrannicidas de Harmódio e Aristógiton...Oh! ésta agora!... Sebastião José de Carvalho e Mello, conde de Oeiras, marquez de Pombal, de companhia com os seus inimigos politicos!... Ahi é que se ingánam; não ha amigos nem inimigos politicos em se largando o mando e as pretenções a elle. Ora, passados os umbraes da eternidade, é de fé que se não pensa mais n'isso. C. J. X., que morreu a assignar uma portaria, ja tinha largado a pennaquando chegou alli pelosPrazeres; quanto mais!...O homem hade estar nas ilhasbeatas. Vamos lá...E ei-lo alli: lá está o bom do marquez a jogaro whist com o barão de Bidefeld, com o imperador Leopoldo e com o poeta Diniz. A partida deve de ser interessante, talvez aposta essa gente toda—esses manes todos que estão á roda. Que cara que fez o marquez a um finadinho que lhe foi metter o nariz nas cartas! Quem havia de ser! O intromettido de M. de Talleyrand. Estava-lhe cahindo. Mas não viu nada: o nobre marquez sempre soube esconder o seu jôgo.A mim é que elle ja me viu. 'Que diz? Ah!.. Sim senhor, sou portuguez; e venho fazer uma pergunta a V. Exa., esclarecer-me sôbre um ponto importante.'Deitou-me a tremenda luneta.—'Para que mandou V. Exa. arrancar as vinhas do Ribatejo?'Apertou a luneta no sobrôlho e sorriu-se.—'Ellas ahi estão centuplicadas, que até ja invadiram o pinhal de Azambuja. Fez V. Exa. um despotismo inutil; e agora...''Agora quem bebe por lá todo esse vinho?'Não sabía o que lhe havia de responder. Elle sacudiu a cabelleira de anneis, virou-me as costas, deu o braço a Colbert, passou por-pé de Ricardo Smith e de J. Baptista Say, que estavam a disputar, incolheu os hombros em ar de compaixão, e foi-se por uma alameda muito viçosa que ia por aquelles deliciosos jardins dentro, e sumiu-se da nossa vista.Eu surdi ca n'este mundo, e achei-me emcima da azemola, aopé do grande café do Cartaxo.CAPITULO VII.Reflexões importantes sôbre o Bois-de-Boulogne, as carruagens de mollas, Tortoni, e o café do Cartaxo.—Dos cafés em geral, e de como são o characteristico da civilização de um paiz.—O Alfageme.—Hecatombe involuntaria immolada pelo A.—Historia do Cartaxo.—Demonstra-se como a Gran'-Bretanha deveu sempre toda a sua fôrça e toda a sua glória a Portugal.—Shakspeare e Laffitte, Milton e Chateaumargot, Nelson e o principe de Joinville.—Próva-se evidentemente que M. Guizot é a ruina de Albion e do Cartaxo.Voltar á meia-noite doBois-de-Boulogne—o bosque por excellencia, descer, entre nuvens de poeira, o longo stadio dos Campos-Elysios, entrever, na rapida carreira, o obeliscode Luxor, as árvores das Tulherias, a columna da praça Vandomma, a magnificencia heteroclyta da 'Magdalena', e emfim sentir parar, de uma soffreada magistral, os dois possantes inglezes que nos trouxeram quasi de um folego até ao 'boulevard de Gand'; ahi entreabrir mollemente os olhos, levantando meio corpo dos regallados cochins de seda, e dizer: 'Ah! estamos em Tortoni... que delicia um sorvete com este calor!'—é seguramente, é dos prazeres maiores d'este mundo, sente-se a gente viver; é meia hora de existencia que vale dez annos de ser rei em qualquer outra parte do mundo.Pois acredite-me o leitor amigo, que sei alguma coisa dos sabores e dissabores d'este mundo, fie-se na minha palavra, que é de homem experimentado: o prazer de chegar por aquelle modo a Tortoni, o apear da elegante caleche balançada nas mais suaves mollas que fabricasse arte ingleza do puro aço de Suecia, não alcança, não se compara ao prazer e consolação de alma e corpo que eu senti ao apear-me de minha choiteira mula á porta do grande café do Cartaxo.Fazem idea do que é o café do Cartaxo? Nãofazem. Se não viajam, se não sahem, se não vêem mundo ésta gente de Lisboa! E passam a sua vida entre o Chiado, a rua do Oiro e o theatro de San'Carlos, como hãode alargar a esphera de seus conhecimentos, desinvolver o espirito, chegar á altura do seculo?Coroae-vos de alface, e ide jogar o bilhar, ou fazer sonetos á dama nova, ide, que não prestais para mais nada, meus queridos Lisboetas; ou discuti os deslavados horrores de algum mellodrama velho que fugiu assoviado da 'Porte-Saint Martin' e veio esconder-se na Rua-dos-Condes. Tambem podeis ir aos Toiros—estão imbolados, não ha perigo...Viajar?.. qual viajar! até á Cova-da-Piedade, quando muito, em dia que lá haja cavallinhos. Pois ficareis alfacinhas para sempre, cuidando que todas as praças d'este mundo são como a do Terreiro-do-Paço, todas as ruas como a rua Augusta, todos os cafés como o do Marrare.Pois não são, não: e o do Cartaxo menos que nenhum.O café é uma das feições mais characteristicas de uma terra. O viajante experimentado e fino chega a qualquer parte, entra no café, observa-o, examina-o, estuda-o, e tem conhecido o paiz em que está, o seu govêrno, as suas leis, os seus costumes, a sua religião.Levem-me de olhos tapados onde quizerem, não me desvendem senão no café; e protesto-lhe que em menos de dez minutos lhe digo a terra em que estou se for paiz sublunar.Nós entrámos no café do Cartaxo, o grande café do Cartaxo; e nunca se incruzou turco em divan de seda do mais splendidoharemde Constantinopla com tanto gôso de alma e satisfacção de corpo, como nós nos sentámos nas duras e asperas tábuas das esguias banquetas mal sarapintadas que ornam o magnífico estabelecimento bordalengo.Em poucas linhas se descreve a sua simplicidade classica: será um parallelogrammo pouco maior que a minha alcova; á esquerda duas mezas de pinho, á direita o mostrador invidraçado onde campeam as garrafas obrigadas de liquor deamendoa, de canella, de cravo. Pendem do tecto, laboriosamente arrendados por não vulgar tesoira, os pingentes de papel, convidando a lascivo repouso a inquieta raça das moscas. Reina uma frescura admiravel n'aquelle recinto.Sentámo-nos, respirámos largo, e entrámos em conversa com o dono da casa, homem de trinta a quarenta annos, de physionomia experta e sympathica, e sem nada do repugnante villão-ruim que é tam usual de incontrar por similhantes logares da nossa terra.—'Então que novidades ha por ca pelo Cartaxo, patrão?'—'Novidades! Por aqui não temos senão o que vem de Lisboa.—Ahi está a 'Revolução' de hontem...'—'Jornaes, meu caro amigo! Vimos fartos d'isso. Diga-nos alguma coisa da terra. Que faz por ca o...'—'O mestre J. P., o 'Alfageme?''—'Como assim o Alfageme?'—'Chamam-lhe o Alfageme ao mestre J. P.: pois então! Uns senhores de Lisboa que ahi estiveram em casa do Sr. D. poseram-lhe esse nome, que a gente bem sabe o que é; e ficou-lhe, que agora ja ninguem lhe chama senão o Alfageme. Mas quanto a mim, ou elle não é Alfageme, ou não o hade ser muito tempo. Não é aquelle, não. Eu bem me intendo.'A conversação tornava-se interessante, especialmente para mim: quizemos profundar o caso.—'Muito me conta, Sr. patrão! Com que isto de ser Alfageme, parece-lhe que é coisa de?..—'Parece-me o que é, e o que hade parecer a todo o mundo. E alguma coisa sabemos, ca no Cartaxo, do que vai por elle.O verdadeiro Alfageme diz que era um espadeiro ou armeiro, cutileiro ou coisa que o valha, na Ribeira de Santarem; e que foi um homem capaz, e que tinha pelo povo, e que não queria saber de partidos, e que dizia elle: 'Rei que nos inforque, e papaque nos excommungue, nunca hade faltar. Assim, deixar os outros brigar, trabalhemos nós e ganhemos a nossa vida.' Mas que extrangeiros que não queria, que ésta terra que era nossa e co'a nossa gente se devia de governar. E mais coisas assim: e que porfim o deram por traidor e lhe tiraram quanto tinha.—Mas que lhe valeu o Condestavel e o não deixou arrazar, por que era homem de bem e fidalgo ás direitas. Pois não é assim que foi?'—'É, sim, meu amigo. Mas então d'ahi?'—'Então d'ahi o que se tira, é que quando havia fidalgos como o sancto Condestavel tambem havia Alfagemes como o de Santarem. E mais nada.'—'Perfeitamente. Mas porque chamaram ao mestre P. o Alfageme do Cartaxo?'—'Eu lhe digo aos senhores: o homem nem era assim nem era assado. Fallava bem, tinha sua labia com o povo. D'ahi fez-se juiz, pôs por ahi suas coisas a direito—Deus sabe as que elle intortou tambem!.. ganhou nome no povo, eagora faz d'elle o que quer. Se lhe der sempre para bem, bom será.—Os senhores não tomam nada?'O bom do homem visivelmente não queria fallar mais: e não deviamos importuná-lo. Fizemos o sacrificio de bom número de limões que expremémos em profundas taças—vulgo, copos de canada—e com agua e assucar, offerecemos as devidas libações ao genio do logar.Infelizmente o sacrificio não foi detodo incruento. Muitas hecatombes de myrmidões cahiram no holocausto, e lhe deram um cheiro e sabor que não sei se agradou á divindade, mas que injoou terrivelmente aos sacerdotes.Sahimos a visitar o nosso bom amigo, o velho D., a honra e a alegria do Ribatejo. Ja elle sabía da nossa chegada, e vinha no caminho para nos abraçar.Fomos dar, junctos, uma volta pela terra.É das povoações mais bonitas de Portugal, o Cartaxo, aceada, alegre; parece o bairro suburbano de uma cidade.Não ha aqui monumentos, não ha historia antiga: a terra é nova, e a sua prosperidade e crescimento datam de trinta ou quarenta annos, desde que o seu vinho começou a ter fama. Ja descahida do que foi, pela estagnação d'aquelle commercio, ainda é comtudo a melhor coisa da Borda-d'agua.Não tem historia antiga, disse; mas tem-n'a moderna e importantissima.Que memorias aqui não ficaram da guerra peninsular! Que espantosas borracheiras aqui não tomaram os mais famosos generaes, os mais distinctos militares da nossaantiga e fielalliada, que ainda então, ao menos, nos bebia o vinho!Hoje nem isso!.. hoje bebe a jacobina zurrapa de Bordeos, e as acerbas limonadas de Borgonha. Quem tal diria da conservativa Albion! Como póde uma leal goella britannica, rascada pelos acidos anarchicos d'aquellas vinagretas francezas, intoar devidamente o God-save-the-King em umtoastnacional! Como, sem Porto ou Madeira, sem Lisboa, sem Cartaxo, ousa um subdito britannico erguer a voz, n'aquella harmoniosa desafinaçãoinsular que lhe é propria e que faz parte de seu respeitavel character nacional—faz; não se riam: o inglez não canta senão quando bebe... alias quando estábebido.Nisi potus ad arma ruisse.Inverta:Nisi potus in cantum prorumpisse... E pois, como hade elle assimbebidoerguer a voz n'aquelle sublime e tremendo hymno popular Rulle-Britannia!Bebei, bebei bem zurrapa franceza, meus amigos inglezes; bebei, bebei a pêso de oiro, essas limonadas dos burgraves e margraves de Allemanha; chamae-lhe, para vos illudir, chamae-lhehoc, chamae-lhehic, chamae-lhe ohic haec hoctodo, se vos dá gôsto... que em poucos annos veremos o estado deacetatoa que hade ficar reduzido o vosso character nacional.Oh gente cega a quem Deus quer perder! pois não vêdes que não sois nada sem nós, que sem o nosso alchool, d'onde vos vinha espirito, sciencia, valor, ides cahir infallivelmente na antiga e priguiçosa rudeza saxonia!D'essas traidoras praias da França donde vos vai hoje o veneno corrosivo da vossa indole eda vossa fôrça, não tardará que tambem vos chegue outro Guilherme bastardo que vos conquiste e vos castigue, que vos faça arrepender, mas tarde, do criminoso êrro que hoje commetteis, ó insulares sem fe, em abandonar a nossa alliança. A nossa alliança sim, a nossa poderosa alliança, sem a qual não sois nada.O que é um inglez sem Porto ou Madeira... sem Carcavellos ou Cartaxo?Que se inspirasse Shakspeare com Lafitte, Milton com Chateaumargot—o chanceller Bacon que se dilluisse no melhor Borgonha... e veriamos os acidulos versinhos, os destemperados raciocininhos que faziam.Com todas as suas dietas, Newton nunca se lembrou de beber Johannisberg; Byron antes beberiagin, antes agua do Thamisa, ou do Pamiso, do que essas escorreduras das areias de Bordeos.Tirae-lhe o Porto aos vossos almirantes, e ninguem mais teme que torneis a ter outro Nelson. Entra nos planos do principe de Joinville fazer-vosbeber da sua zurrapa: são tantos pontos de partido que lhe dais no seu jôgo.É M. Guizot quem perde a Inglaterra com a sua alliança; e tambem perde o Cartaxo. Por isso eu ja não quero nada com os doutrinarios.

Aid ôs te kalle ka aretês polis,Prôtoê sgathis hamartia deuteron de ais chunêDa belleza e virtude é a cidadellaA innocencia primeiro—e depois ella.

Chega o A. ao pinhal da Azambuja, e não o acha. Trabalha-se por explicar este phenomeno pasmoso. Bello rasgo de stylo romantico.—Receita para fazer litteratura original com pouco trabalho.—Transição classica: Orpheu e o bosque do Ménalo.—Desce o A. d'estas grandes e sublimes considerações para as realidades materiaes da vida: é desamparado pela hospitaleira traquitana e tem de cavalgar na triste mula de arrieiro.—Admiravel choito do animal. Memorias do marquez do F. que adorava o choito.

Próva-se como o velho Camões não teve outro remedio senão misturar o maravilhoso da mythologia com o do christianismo.—Da-se razão, e tira-se depois, ao padre José Agostinho.—No meio d'estas disceptações academico-litterarias vem o A. a descobrir que para tudo é preciso ter fé n'este mundo. Diz-sen'este mundo, porque, quanto ao outro ja era sabido.—Os Lusíadas, Fausto e a Divina-Comedia.—Desgraça do Camões em ter nascido antes do romantismo.—Mostra-se como a Styge e o Cocyto sempre são melhores sitios que o Inferno e o Purgatorio.—Vai o A. em procura do marquez de Pombal, e dá com elle nas ilhas Beatas do poeta Alceu.—Partida de Whist entre os illustres finados.—Compaixão do marquez pelos pobres homens de Ricardo Smith e J. B. Say.—Resposta d'elle e da sua luneta ás perguntas peralvilhas do A.—Chegada a este mundo e ao Cartaxo.

O falso deus adora o verdadeiro!

Camões, grande Camões, quam similhanteAcho teu fado ao meu quando os cotejo!

Reflexões importantes sôbre o Bois-de-Boulogne, as carruagens de mollas, Tortoni, e o café do Cartaxo.—Dos cafés em geral, e de como são o characteristico da civilização de um paiz.—O Alfageme.—Hecatombe involuntaria immolada pelo A.—Historia do Cartaxo.—Demonstra-se como a Gran'-Bretanha deveu sempre toda a sua fôrça e toda a sua glória a Portugal.—Shakspeare e Laffitte, Milton e Chateaumargot, Nelson e o principe de Joinville.—Próva-se evidentemente que M. Guizot é a ruina de Albion e do Cartaxo.


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